<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423</id><updated>2012-02-16T19:22:01.892-08:00</updated><category term='Colapso'/><category term='amigos'/><category term='Segunda sem Lei'/><category term='Muié'/><category term='O Sublime'/><category term='A Olho Nu'/><category term='Livraiada'/><category term='Cinema'/><category term='Coetzee'/><category term='Natureza Humana'/><category term='Casual Friday'/><category term='Teatro'/><category term='Bobagem'/><category term='Waking Life'/><category term='Cabeça Talking'/><category term='Conexões'/><category term='Sonzera'/><category term='verdade'/><category term='Proust'/><category term='Política'/><title type='text'>O blog mudou-se</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>122</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-6667388960431146662</id><published>2011-05-24T14:20:00.000-07:00</published><updated>2011-05-24T14:23:00.098-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Este blog mudou-se para http://victorliboa.net.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Vai lá.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-6667388960431146662?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6667388960431146662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6667388960431146662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/05/este-blog-mudou-se-para-httpvictorliboa.html' title=''/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7086442567979048701</id><published>2011-04-10T15:42:00.000-07:00</published><updated>2011-04-10T15:44:52.109-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/4vnsyt.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando que meu comentário aos comentários do Charlles Campos ficaram gigantescos, efetuo a mudança de blog, de mala e cuia na mão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://guerrilheiroontologico.blogspot.com/"&gt;http://guerrilheiroontologico.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7086442567979048701?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7086442567979048701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7086442567979048701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/04/aproveitando-que-meu-comentario-aos.html' title=''/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' 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Inicialmente, comecei a escrever um texto sobre a viagem à Índia, um texto que se revelou gigantesco e, pela confusão temática, também um bocado caótico, demandando uma organização e, possivelmente, uma segmentação em textos menores. Enfim, um lance chato e isso tudo me deu uma baita preguiça. Segui vivendo, com as questões lá dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, a verdade é que, no fundo, eu não queria falar sobre nada daquilo. Nada sobre o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Taj_Mahal"&gt;Taj Mahal&lt;/a&gt; (por mais lindo que ele seja), nada sobre as castas, nada sobre a miséria e imundície física que vi lá. E um tanto assim de gente cobrando, perguntando quando eu ia comentar algo sobre a Índia. Mas minha decisão de ir para a Índia ao invés de México, China ou África do Sul foi motivada por circunstâncias absolutamente aleatórias: eu queria viajar para algum lugar pitoresco &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ma non troppo&lt;/span&gt; e tinha que me decidir por algum destino. Escolhi a Índia casualmente, por sugestão de alguém que manja um monte de viagens. Porém, parece que a mera palavra "Índia" desperta algo no imaginário das pessoas, pois todos a quem eu falava da viagem imediatamente pressupunham que eu estava indo para lá buscar "algo" em particular. Vocês sabem, "algo": "iluminação", &lt;span style="font-style: italic;"&gt;insights&lt;/span&gt; filosóficos ou evolução "espiritual". Os brasileiros projetam as expectativas e preconceitos de seu imaginário na palavra "Índia" da mesma forma que os norte-americanos associam a palavra "Brasil" à mulatas de bundão, traficantes do Rio de Janeiro e bananas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que vi lá e que realmente me impressionou não foi algo pitoresco, algo talvez especial e que eu só encontrasse na Índia. O que vi lá foi apenas a extrema intensificação, até um nível que chegava a ser surreal, de uma coisa que basta eu sair pela porta de meu prédio no Bom Fim e caminhar duas quadras para perceber. Algo que, no fundo, eu já sabia, e sobre o qual até já havia escrito algumas vezes, mas que, enfim, era apenas um assunto paralelo, perdido em uma profusão de outros temas e interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que, quando se vive em um país de densidade "normal" como o Brasil, com cerca de 200 milhões de pessoas distribuídas em mais de 8 milhões de metros quadrados (22 habitantes por quilômetro quadrado) algumas evidências sobre a vida humana, por mais flagrantes que sejam, podem ser esquecidas no cotidiano. Afinal, sempre podemos virar o rosto e olhar uma árvore, um cachorro ou uma calçada. Não precisamos ficar observando os outros seres humanos durante quase cem por cento do tempo em que estamos acordados. Mas é muito diferente quando se está em um país com mais de 1 BILHÃO de seres humanos distribuídos em cerca de  3 milhões de metros quadrados (329 habitantes por quilômetro quadrado). Aí não dá, aí é impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sério, é impossível. A toda hora, a todo segundo, você olha para as pessoas ao seu redor. Você observa o medo em seus olhos, a angústia em seu rosto, a incerteza por trás de toda risada e o suave, leve desespero que as devora. Os indianos se comportavam como qualquer pessoa no Brasil, mas tudo era mais perceptível lá pela simples imensidão numérica, e esse comportamento fazia deles, de nós, algo que eu não conseguia definir, embora me fosse familiar. Até que a palavra saltou na minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca vi um na minha frente. Já vi muito morto. Tio morto, vó morta, desconhecido morto. Já vi ladrão. Já vi até fantasma (juro, eu e mais duas pessoas vimos, certa vez, algo que não consigo definir senão como "fantasma"). Mas escravo não. Nunca vi um escravo. Eu não sabia como um escravo agia, como era o seu olhar, como eram os seus gestos, como falava e andava alguém domado pelo medo. Porém, quando observei mais atentamente os seres humanos em um lugar onde ser humano é o que não falta e se torna virtualmente impossível sair na rua sem contar, em um só relance, umas cinquenta, oitenta pessoas na sua frente, eu sabia o que estava vendo, eu sabia exatamente o nome daquilo que estava ao meu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Escravos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma nação de escravos. E meu país, também, outra nação de escravos. E Madrid, que já visitei, uma cidade de escravos. E Paris, e Buenos Aires, e Montevideo, e São Paulo. Um mundo de escravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas, via de regra, se comportam como se fossem escravas. Mas a piada é outra: se comportam como se fossem escravas sem estarem escravizadas. Não há um só motivo concreto, consistente e plausível para os seres humanos se comportarem como se estivessem submetidos ao jugo de algo ou de alguém que lhes domina pelo medo. É como se a humanidade inteira fosse um grupo de escravos que, certo dia, acorda em uma planície muito distante das terras onde estavam suas senzalas, seus capitães do mato, seus algozes. Elas acordam, se levantam silenciosamente e, mesmo cientes de que não há mais um senhor para lhes chicotear, continuam a se comportar e a reger as suas vidas como se suas pernas ainda estivessem presas a grilhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mundo, em suma, é habitado por escravos sem mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sociedade de escravos sem mestre é uma sociedade desesperada, um lugar onde os escravos fazem guerra uns contra os outros por desespero, destroem o meio ecológico do qual se sustentam, maltratam crianças, abusam de mulheres, torturam animais, criam diversas formas de opressão para simular o mesmo sistema de servidão que não mais existe mas é motivo de nostalgia. Numa sociedade de escravos saudosos de seus mestres, todo mundo é oprimido por todo mundo, em uma estrutura de opressão difusa. Matam-se, violentam-se, machucam-se, tentam forjar um arremedo de algoz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza não nos escraviza mais, os deuses que nossos pais criaram não impõem suas regras opressoras e ninguém vigia mais nossos passos, nem mesmo em teoria. Em grande parte do mundo ocidental, não há mais ditadores, tirania, teocracia. No entanto, agimos como escravos. Com os recursos do gênio humano e a tecnologia que desenvolvemos, estamos no limiar de uma época em que nada precisa faltar a ninguém, seja comida, conforto ou conhecimento. Basta a perspectiva certa e a vontade humana adequada para que cheguemos o mais próximo possível, pela primeira vez na história, de algo semelhante à utopia. Porém, optamos por seguir mais ou menos um caminho sonâmbulo onde a falta de lógica do sofrimento mútuo que nos impomos não escandaliza nenhum de nós, sequer chama a atenção. Varremos para debaixo do tapete nossos descontentamentos e dormimos todos os dias no canto aconchegante de nossa senzalas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos evidências suficientes para rir da ideia de que há alguma espécie de Deus opressor que nos submete à suas ordens, sob pena de irmos para o inferno ou cumprirmos alguma jornada "cármica". Porém, mesmo aqueles entre nós que já não acreditam num substituto divino para a figura paterna acabam por divinizar alguma outra coisa, quase sempre inanimada: de antidepressivos a alguma ideologia política ou pseudofilosófica. Adorar alguma coisa que sequer é personificável, como uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lamborghini&lt;/span&gt; ou o intelecto humano, só não é mais estúpido que as religiões de nossos antepassados porque a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lamborghini&lt;/span&gt; e o intelecto humano existem (embora nenhum dos dois seja acessível para a maioria das pessoas). Nos custa (a próclise hoje é aleatória, pessoal) acreditar que estamos sozinhos e que somos homens e mulheres livres de qualquer senhor, capitão-do-mato, Deus-pai ou chicote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que nos faz, apesar disso, ainda agir como escravos? A resposta parece simples: o medo de, sendo livres, constatarmos que está em nossas mãos a responsabilidade por nossas vidas. E isso parece simples porque quando lemos "responsabilidade por nossas vidas" pensamos em coisas como escolher a faculdade que faremos, o destino de nossa profissão ou a pessoa com quem casaremos. Ora, que medo teríamos dessas decisões? Nenhum, é claro. Mas a resposta começa a se revelar complicada quando nos damos conta de que "responsabilidade por nossas vidas", na visão mais ampla da relação de um ser humano com seu sofrimento, implica que não há qualquer responsável pela nossas mazelas, angústias e opressão mútua, senão nós mesmos. E a coisa começa a ficar realmente apavorante quando passamos a nos perguntar quais as razões pelas quais, sem haver outro responsável, nos sujeitamos à toda espécie de dificuldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos faz ainda agir como escravos é o medo de enxergar aquilo que todo homem livre precisa reconhecer com um mínimo de serenidade e bom senso se quiser continuar livre. A vida tal como ela é, sem fugas ou ilusões, mas também sem pessimismo e resignação. Deixarão de ser escravos aqueles que enfrentarem seu medo de enxergar as coisas tal como elas são, não apenas no nível racional, mas também de uma perspectiva emocional, a partir da qual se comprometam a viver segundo aquilo que enxergam diante de seus narizes. Deixa de ser escravo aquele que não só decide falar francamente com todos a seu redor sem medo das consequências, mas também falar a si mesmo com total honestidade. Ora, vamos combinar que isso é difícil e, sinceramente, cansativo.  Logo, não é de se espantar que a maioria prefira aderir ao sonambulismo de uma vida servil, mesmo que o andar dessa carruagem onde ninguém quer comandar os cavalos venha a comprometer o destino das gerações futuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O fardo que é a liberdade", Adolf Hitler falou certa vez em um discurso, no qual ele prometia que livraria seu povo desse peso. E ele estava absolutamente certo: nós sentimos, no fundo, a liberdade como um fardo, e até hoje qualquer tirano atinge seus fins quando nos oferece alguma forma insidiosa, disfarçada, de servidão. Esse é o preço da evolução que fez o Ocidente questionar, um por um, os valores tidos por absolutos pelos nossos antepassados. Esse é o preço de chegarmos ao limiar de uma verdade que seria elementar e fácil de reconhecer, se ela não doesse até na medula de nossos ossos. Aliás, talvez o que nos deixe mais contrangidos é o fato de que se trata de uma verdade óbvia mas, ainda assim, capaz de produzir um efeito devastador quando compreendida em sua inteireza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E qual é a verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco de desvio, antes. Chegar até ela, mesmo sendo evidente e simples, não é recomendável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu estava vindo ao trabalho e uma tropa de pré-adolescentes vestidos de preto passou por mim na calçada. Nada hostis, claro. Lembrei então de ter lido no Correio do Povo que haveria um show da banda &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Avenged_Sevenfold"&gt;Avenged Sevenfold&lt;/a&gt; na (ah, ironias gaudérias!) Casa do Gaúcho. Conheci a banda no festival &lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/10/swu-2010.html"&gt;SWU&lt;/a&gt;, onde percebi que há uma legião de fãs devotos, mas a música não me interessou (a culpa deve ser minha). Porém, a empolgação daquela gurizada me deixou até com saudades da época em que eu tinha cabelos compridos e também usava preto. Há algo de genuíno, embora ingênuo, naquela manifestação infantil em que camisetas negras são decoradas por figuras de caveiras, demônios e chamas. Algo fala ali, uma angústia juvenil perante certos abismos incontornáveis da vida adulta, mas uma angústia que se recusa a virar melancolia e prefere a revolta, o esperneio, o chute no saco: um fascínio por todos os símbolos do fim, da negação, da morte e da destruição, principalmente quando entoados em  uma melodia primitiva, com guitarras violentas, bateria ensurdecedora e voz esganiçada (coisas necessárias para que nenhum adulto panaca sequer ouse tentar curtir a banda).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, decidi dar uma olhada nas letras de algumas músicas dessa banda que pouco conhecia e cujo som não me agradou. Li pérolas como essas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="font-style: italic;"&gt;"Estou preso na escuridão, com todas as trancas fechadas, a morte chama por mim e me sinto como se estivesse enterrado vivo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ninguém para chamar, todo mundo para temer, seu destino trágico parece tão claro."&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Foi no momento em que estava lendo esses versos que eu soube da tragédia ocorrida na &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&amp;amp;section=Geral&amp;amp;newsID=a3267874.htm"&gt;Escola Municipal Tasso da Silveira&lt;/a&gt;, na cidade do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que a mídia, suponho (não liguei a televisão hoje), já se fartou cobrindo uma desgraça cuja cobertura serve para nada senão alimentar o animal vicário em nós, podemos resistir à tentação de encontrar uma explicação simples para o absurdo. Aliás, pude medir o nível de consciência das pessoas ao meu redor pelas opiniões que cada um tinha a respeito da tragédia: fiquei espantado em constatar que estou cercado de imbecis - tão espantado que concluí que oitenta por cento do meu tempo desperto é dedicado a virtualmente navegar num mar de imbecis; eu acordo, almoço, vou ao trabalho, laboro, passeio, volto para casa e janto e nisso tudo há um gasto quase exauriente de energia, tempo, paciência e diplomacia para me adaptar e sobreviver no reino dos idiotas fundamentais. Tenho que repetir a mim mesmo, como um mantra, várias vezes por dia essas frases: "tenha compaixão pelos imbecis, eles não têm culpa e estão somente assustados com a enormidade de suas vidas". Acontece que eles tem culpa sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, enfim, depois que a mídia se saciou mostrando todos os detalhes do sofrimento dos pais das crianças mortas na Escola Municipal Tasso da Silveira por Wellington Menezes, virão outros comensais se alimentar da desgraça alheia, e todos esses carniceiros de segunda ordem tentarão explicar o fato sob o ponto de vista da segurança pública ou da famacologia psiquiátrica. Queremos, com nossa ciência ou técnica, esquadrinhar o mal, delimitá-lo e, se possível, controlá-lo no futuro. Queremos também uma explicação que nos deixe apaziguados, livres de qualquer impressão de que temos um outro papel nessa história que não o de espectadores revoltados, ou de comentaristas casuais, nas rodas de bar ou no trabalho. Isso, esse horror, não tem nada a ver com nós. Nada a ver com nossas vidas. Não pode ter. É o que dizemos a nós mesmos, um pouco desesperadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o problema é que os aspectos horríveis da vida dificilmente podem ser separados da própria natureza humana, ainda mais quando se trata do ato de um louco. Todos lêem a &lt;a href="http://i0.ig.com/ultimosegundo/brasil/rj/carta-wellington-menezes-oliveira.jpg"&gt;carta deixada por Wellington&lt;/a&gt; e pensam, "é coisa de louco, de alguém desconectado da realidade", e ponto final. Porém, mesmo o louco tenta organizar sua loucura de um modo que corresponda à percepções da realidade que sejam compreensíveis aos outros, ainda que ele falhe nessa tarefa, e sua loucura não consiste tanto em ver ou fazer algo incompreensível ou absurdo, mas sim em literalizar aquilo que é apenas símbolo e, como tal, pode ser entendido por qualquer pessoa razoável. Sim, podemos entender o ato horrível cometido por Wellington e reconhecer, nele, algo do qual comungamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta de Wellington mostra um raciocínio coerente do início ao fim. Ele não fala coisas sem sentido - embora possamos, claro, discordar de sua concepção sobre pureza e os supostos malefícios da "fornicação". Na missiva, ele dispõe sobre o ritual de seu sepultamento e sobre o destino dos bens que deixa. Qualquer um que tenha uma fé religiosa e algum patrimônio poderia escrever algo idêntico. São seus atos que denunciam a loucura e nos permitem ir além do texto, percebendo a dor que lhe perturbava. Ele, virgem e portanto puro, vivia em um mundo impuro. Ele não parece supor que alguém possa discordar do quão impuro é esse mundo e do quão se envolver nas coisas carnais desse mundo implica, essencialmente, em deixar-se devorar pela impureza: trata desse assuntos na carta como se fossem subentendidos e aceitos pelo senso comum. E a questão ali não é o sexo como cerne do Mal. O sexo é apenas o símbolo da adesão a um mundo corrupto. O problema é a natureza hostil do mundo, desse mundo, um lugar onde a dor, o desconforto cotidiano é tão pungente que só pode ter origem no próprio Mal bíblico. Não há nada mais humano que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após reconhecer o desconforto diante da realidade que é comungado por mim, por você e por ele, Wellington a seguir se aproxima de sua própria dor pessoal de duas formas. Quando fala dos animais, revela toda sua preocupação com os frágeis, os indefesos, os inocentes diante desse mundo inóspito,  agressivo. Frágeis como ele, o virgem e puro que está agora sem sua mãe, sem dua dona, abandonado como um cão de rua. A segunda forma de nos explicar a sua dor é o alvo que escolheu. A escola e as crianças. Um rapaz obsecado com tamanha pureza, tão dependente da mãe, com certeza foi alvo de risadas. E só quem se sentiu acuado na infância sabe como essa ferida nos marca e nos prosta pelo resto da vida. É um ódio infantil que, justo por ser infantil, está arraigado na origem de nosso ser e não se extingue. Eu passei por isso, tenho autoridade para falar a respeito e poucos suspeitam, me olhando funcional e sorridente hoje em dia, o quanto de imundície do meu passado eu preciso limpar da sola dos meus sapatos quando saio para a rua todos os dias. Por outro lado, as crianças mortas das quais ele quer se vingar são ele próprio, e Wellington, em sua carta, sequer menciona os homicídios que pretende cometer porque não vê nada de errado em seus atos: não é pecado matar aquelas crianças, pois o que ele faz é livrar meninos e meninas "puras", ainda virgens, do peso dessa existência, levando-os rapidamente para a vida eterna. Ele se destrói e destrói sua memória, se vinga e se imola em cada criança que mata. Cala as dores delas e cala suas próprias dores. O modo como prescreve os rituais de preparo do seu cadáver e o sepultamento parece indicar que Wellington imaginava que teríamos grande respeito por ele após seus atos. Porque, afinal, a corrupção desse mundo devia ser evidente para todos nós. E não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wellington: aquele que não foi amado pelo mundo após a morte da única pessoa que o amava, aquele a quem ninguém foi capaz de colocar a mão no ombro e dizer,  dando um desconto para todas as suas loucuras sobre pureza e sobre Jesus, "chora cara, chora aqui do meu lado porque tua dor é humana e todo mundo sente o mesmo lá no fundo". Mas, provavelmente, nem essa "terapia do abraço" fosse de alguma  utilidade. O estrago já estava feito, a angústia dele não podia assumir a forma de choro, porque se tornou grande demais e virou um grito que só podia ser vertido em ação hedionda. Quantas vezes as escolas pelo mundo serão alvo da brutalidade daqueles que foram deformados pela própria "educação para escravos" que é se vê em todo lugar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre Wellington e os adolescentes (e eu já me inclui entre eles, na minha época de "metaleiro") que cantam versos de bandas como Avenged Sevenfold (ou do Metallica, no meu tempo) há apenas uma diferença de grau: os adolescentes que vão a um show de metal são capazes de chorar a dor do mundo sem literalizar a vontade de destruição e de nada como Wellington fez; os adolescentes que se vestem de preto e escutam rock pesado são capazes de se revoltar ante os abismos da vida adulta, são capazes de lamentar a perda da inocência de seus sonhos juvenis à medida em que ingressam na corrupção resignada do mundo impuro de seus pais, mas lamentam sem empunhar uma arma e tirar a vida alheia. Cantar ao invés de atirar, é isso que os faz sãos. Além disso, ninguém quer ser preso e todo mundo quer voltar para casa de madrugada depois do show e ser recebido com um copo de Nescau pela mamãe que não pregou os olhos a noite inteira. Ah, outra coisa em comum entre Wellington e nossos jovens vestidos de preto, não? A "mamãe".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, por favor, não vamos ceder à tentação de interpretar tudo como esperneio infantil contra o mundo adulto. Essa teoria é tão falaciosa quanto sedutora.  Logo depois de saber da tragédia que ocorreu na Escola Municipal Tasso da Silveira, na cidade do Rio de Janeiro, a querida Alícia me passou dois links relativos a uma filosofia ética que encontra ecos também no exterior (&lt;a href="http://vsites.unb.br/ih/fil/cabrera/portugues/etica"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.porqueteamonaonasceras.com.br/index.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Basicamente, a proposta desses filósofos, liderados por Julio Cabrera, é a seguinte: viver é extremamente doloroso e é chegada a hora de reconhecermos esse fato; viver é tão doloroso que devemos, como ato de coerência, suportar a vida sem qualquer esperança e, como ato de amor, interromper a procriação para que a humanidade pereça em uma ou duas gerações. E qual a natureza desse ato de amor? Simples. Nós amamos tanto nossos filhos que não os deixaremos nascer neste mundo. A frase em destaque &lt;a href="http://www.porqueteamonaonasceras.com.br/index.html"&gt;nesse site&lt;/a&gt; é: "porque te amo, não nascerás".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ressalte-se que o principal autor dessa proposta não é um louco e tampouco um adolescente. Não. O &lt;a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4781131E6"&gt;currículo de Julio Cabrera&lt;/a&gt;, professor titular de filosofia da UnB, é impressionante. Além disso, ele reverbera o que intelectos admiráveis como &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Arthur_Schopenhauer"&gt;Schopenhauer&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Albert_Camus"&gt;Camus&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Emil_Cioran"&gt;Cioran&lt;/a&gt; sempre sugeriram. O psicólogo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Jung"&gt;C. G. Jung&lt;/a&gt; certa vez contou a história de um esquizofrênico que considerava o mundo inteiro seu "livro de recortes de imagens". Jung observou que, na sua essência, o delírio desse sujeito não era distinto da elaborada teoria de Schopenhauer sobre "o mundo como vontade e representação", com a distinção de que o esquizofrênico levava ao pé da letra aquilo que o filósofo alemão percebia ser um símbolo. Wellington matou crianças. Porém, para alguns dos pensadores mais celebrados por nossa civilização, muito mais humano seria simplesmente evitar que elas venham a nascer, todas elas. Wellington considerava-se "puro" por ser virgem conforme as ordens de Deus, mas há outras formas de "pureza" sexual além daquela de cunho religioso - há "purezas" como aquela que castra, na relação sexual, a sua função procriadora, tal como proposta por admirados filósofos nos últimos séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso, pureza e crianças quase sem vida como solução à insuportável dor do mundo, sequer é novidade. Poderíamos explicar a visão simbolizada no crime de Wellington, cantada nas letras do Avenged Sevenfold e racionalizada na filosofia ética de Júlio Cabrera como reflexo do homem moderno. Porém, isso é algo mais antigo. Basta nos lembrarmos do mitológico &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Silenus"&gt;Silenus&lt;/a&gt;. A lenda é célebre. Segundo a tradição grega, Silenus seria o tutor e amigo do deus Dioniso. Constantemente embriagado, certa vez alguém lhe perguntou qual seria a maior fortuna que um homem poderia ambicionar neste mundo. E Silenus foi direto na resposta: "a maior fortuna é não ter nascido e, se já nasceu, morrer o mais depressa possível". Mas tampouco precisamos nos limitar ao ocidente. Afinal, o que é toda a teologia budista senão um conjunto de prescrições para atingirmos um estado onde interromperemos os ciclos de reencarnações e, iluminados em um Nada absoluto, morreremos finalmente de forma definitiva, sem mais renascer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evidências se acumulam e eu poderia criar um blog apenas para, todos os dias, mencionar uma delas. Estou ainda falando de evidências sobre nossa gradual e acanhada tentativa de tatearmos a verdade sem que ela nos machuque. Estou falando da simples verdade e de como nós optamos pela escravidão sem mestre como a única alternativa possível para não a enxergarmos de olhos bem abertos. É como se estivéssemos em uma cela apertada e abríssemos a porta de saída apenas um pouco, e o que vemos do lado de fora nos assusta, embora não tenhamos certeza se realmente existem motivos para nos assustarmos com algo além de nossa própria reação no momento em que não pudermos mais nos esconder daquilo que há lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perceba-se que, a medida em que os homens vão se aproximando da verdade, as coisas ficam complicadas. É tentador simplesmente interrompermos aqui e voltarmos ao entorpecimento da escravidão diária. Recursos para desqualificarmos o caminho que está sendo sugerido não nos falta. Nada nos aprisiona e coage a seguir essa trilha. Ao contrário, até a saúde nos recomenda ser escravos sem mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que é preciso certo grau de doença para querer ver a verdade. Quem é saudável se adapta às coisas como elas estão, e só um idiota agiria de forma diversa. Se o mundo está funcionando em meu benefício, quero que prossiga assim, e considerações sobre "a verdade" podem ser descartadas enquanto eu puder evitá-las. O problema é que o sujeito saudável, por lhe convir, compactua com a manutenção de uma situação onde todos se escravizam aos seus medos e assim distribuem parcelas de infelicidade àqueles que estão ao seu redor. O "saudável" é um privilegiado, mas é minoria. Além disso, ser perfeitamente adaptado a uma sociedade doente (e não me digam que uma sociedade onde crianças são chacinadas na escola não é doente), não é sinal de verdadeira saúde. Por outro lado, alguém que fica fisicamente enfermo acaba sendo obrigado a se recolher, a deitar em uma cama de hospital ou em seu próprio quarto e, assim, se desvia do cotidiano para ficar em uma certa suspensão de suas atividades, momento esse em que a reflexão sobre o dia-a-dia é, finalmente, possível. Alguém enfermo no nível emocional se coloca à parte da vida e, dessa posição, consegue enxergar verdades que os saudáveis preferem acreditar serem dispensáveis, embora não o sejam. Há, também, os vários enfermos que acreditam que, se agirem como os saudáveis, conquistarão alguma saúde, como se fosse simples assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que importa porém, não é a saúde, mas o quanto de enfermidade precisamos para chegar a compreender porque crianças são mortas, porque homens vão para trabalhos onde se deixam explorar por outros homens e porque não assumimos as responsabilidades por nossas vidas. Receosos, nós vamos nos aproximando da verdade aos poucos, em rodeios. Isso pode ser visto claramente na literatura e no cinema. A história da literatura moderna é a história de vários níveis (do mais simplório ao mais sofisticado) de descrição da atuação do Mal na vida humana. De "O Processo" de Kafka ao "O Chamado de Cthulhu" de Lovecraft, temos apenas distintas variações de gênero e de qualidade literária descrevendo a mesma  dor do mundo. A preocupação dos escritores modernos de que suas obras, como diria Ismail Kadaré, funcionem "pelo negativo" fez até mesmo que os mais talentosos entre eles se dispensassem do dever de contar alguma história em seus livros, a fim de dedicar todo seu talento para representar, com palavras e situações apuradas, algum aspecto de nossa angústia. Hoje em dia, ler um grande escritor é abdicar previamente do desejo de que nos contem uma boa história. Para isso, temos a chamada "paraliteratura": romances policiais, de ficção científica ou de outros gêneros comerciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mal", claro, não é palavra utilizada aqui para aludir a alguma força metafísica, mas sim àquilo que representa nosso grande desconforto quando entramos em contato com a verdade de forma prática. O "diabo" de nossos antepassados deixa de de ser uma figura antropoformizada que se dedica a sabotar nosso caminho até uma suposta vida eterna, e passa a simbolizar uma percepção de algo que nos incomoda e que está aqui e agora, na vida concreta. Por isso, os filmes modernos de terror vêm  se distanciando mais e mais de uma visão simplória do Mal. O absolutamente perturbador filme francês "&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Martyrs_%28film%29"&gt;Martyrs&lt;/a&gt;" e o doentio filme espanhol "&lt;a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Los_sin_nombre"&gt;Los Sin Nombre&lt;/a&gt;" são as mais novas e exitosas tentativas do gênero terror de escapar de uma visão supersticiosa da natureza do Mal para, enfim, retratá-la como a confrontação decidiva de um ser humano com a própria concretude do sofrimento que lhe é possível nessa vida. E assim, aos poucos e com desvios para respirar, o lado ocidental do mundo vai se aproximando da verdade. Queira ou não, a porta está aberta para o escravo. Para atravessá-la, porém, ele precisa ver e aceitar aquilo que todo homem livre vai enxergar, queira ou não queira, quando sair da cela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade, claro, é idiota de tão simples. Se não fosse, os escravos que somos não conseguiriam intuir sua existência para, após essa intuição, permanecerem bem distantes dela, com os pés fincados na escravidão, como estamos agora. Se não fosse, todos nós nos atiraríamos a ela descuidadamente e com resultados desastrosos, segundo o nível de consciência e equilíbrio emocional de cada indivíduo. E os ateus estão aí para nos provar que o óbvio pode chegar até o nível racional sem jamais atingir com integral impacto nossa vida emocional. Racionalizar e entrar em uma cruzada contra os crédulos, como os ingênuos ateus fazem, é apenas uma forma eficaz de se proteger das consequências últimas daquilo que a Razão nos grita, uma forma de continuarmos a agir como bons cristãos quando não acreditamos mais em uma só palavra da Bíblia. Assim, permanecemos adaptados à saúde do mundo, mesmo que isso implique em continuarmos escravos. Os ateus são como escravos que colocam rapidamente a cabeça para fora da sua cela, enxergam apenas brevemente alguns aspectos básicos da verdade, retornam à sua prisão e desenham na parede sem reboco um diagrama rudimentar. Eles apontam para o diagrama e dizem: "vejam, eu trouxe a verdade para aqui dentro, podemos ficar olhando para ela sem termos de ir lá fora". Mas a verdade não é um diagrama que deve ser compreendido pelo intelecto, não é um mero discurso sobre "Deus não existir". A verdade é uma experiência a ser vivenciada inclusive por nosso lado irracional. Perceba, Nietzsche era um cara muito mais esperto que eu e você, e ele não dizia "Deus não existe", mas sim "Deus está morto e nós o matamos". Vamos levar um bocado de tempo para entender o pleno sentido dessas suas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu ia dizendo, a verdade que não queremos ver e tampouco entender em todas as suas implicações, embora suspeitemos de sua existência lá fora, para além da escravidão, é idiota de tão simples. Se verbalizada em termos racionais, parece elementar, óbvia, inofensiva. Não é esse o problema. O problema é quando vertemos essa verdade em um discurso emocional e compreendemos todas as suas significações para quem nós somos. Para quem você é. Para as escolhas de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, chega de firulas. Feitas as ressalvas. Vamos à verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos francos. Estamos sozinhos em um mundo que nos revela contínuas possibilidades de desconforto e sofrimento em níveis às vezes intoleráveis, e há pouco controle possível para a dor que poderá nos subjugar amanhã, depois de amanhã ou mesmo daqui há algumas horas, senão aquele controle claudicante que obtemos dos reduzidos recursos de nosso próprio intelecto. Não há cura universal nem utopia instantânea à nossa disposição. Não existe deus algum. Não há mestre, físico ou espiritual, que saiba nos apontar algum caminho. Sequer há algum caminho, alguma jornada cármica, algum decálogo, alguma receita capaz de nos garantir qualquer coisa, e tampouco existe um parâmetro para aquilo que devemos almejar nesta vida. Estamos aqui, de pé nesta vasta planície do ser, e não parece haver nem mesmo uma trilha tênue que possamos seguir em direção a algo melhor do que isto. Homens chacinam crianças em escolas e a responsabilidade por isso não é de alguma divindade ou de algum grande plano metafísico, senão a nossa culpa difusa de não nos preocuparmos em dar atenção e amor a todos os que sofrem de uma ou outra forma, preocupados que estamos em não enxergar a enormidade de nossa própria confusão pessoal. A vida não tem sentido, a morte realmente é o fim e nada em nossas vidas dura para sempre, sendo muito provável que tudo aquilo que nos é querido venha a algum dia deixar de existir da forma que queremos que exista. E, como se isso não bastasse, estamos sujeitos ao caprichos de uma natureza caótica e imprevisível (lembremos das diversas doenças, do terremoto no Japão neste ano, ou da tempestade que derrubou o vôo Rio-Paris da Air France). Podemos dominar mais e mais a imprevisibilidade do mundo natural, mas a própria natureza humana é eternamente insatisfeita, prisioneira que é de uma "angústia de fundo" que tentamos calar fazendo muito barulho  ao conversarmos com os outros, escutarmos música ou mesmo enchermos nossas cabeças com o som de nossas preocupações ruminantes. Porém, essa angústia não parece ter uma causa específica que podemos eliminar e, provavelmente, é apenas o modo fundamental de ser de todo homem e mulher. Por fim, essa mesma natureza humana, ao que tudo indica, operacionaliza sua relação com o mundo através de um arraigado sistema dualista de dominação/sujeição, de forma que encontramos prazer em pequenas ou grandes maldades de nosso cotidiano, em contínua competição e hostilidade com os demais ao nosso redor, tornando mais intenso o sofrimento habitual mútuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é o que nos é dado pela realidade. Umcrônico desconforto, um mal-estar contínuo ante tais constatações, talvez seja inevitável, na medida em que é um sinal de que não nos desviamos da perfeita compreensão daquilo que todo não-escravo precisa entender para ser livre. Porém, há duas reações infantis costumeiras diante dessas verdades. A primeira é a negação, utilizando alguma teoria ou filosofia que, ao preço de nos cegar, nos colocará a seu próprio serviço como lacaios.  A segunda é a aceitação resignada e pessimista que chega a namorar a autoeliminação. De início, todo o esforço humano, nas religiões e nas vidas concretas, tende a negar essas verdades ou relativizar seu impacto. Há, porém, uma só reação adulta para o que a realidade nos apresenta como verdade: reconhecê-la aos poucos em nossas vidas individuais, até nos familiarizarmos com ela, até que essa verdade não nos provoque repulsa cega e tampouco desespero conformado. Uma vez familiarizados e aceitando a verdade com serenidade e sem lamúrias infantis, poderemos avançar um pouco mais e tentarmos compreender sua implicação para nossa vida emocional, para as escolhas que faremos e as pessoas que decidimos ser. Esse é um processo lento, que talvez dure toda uma vida, e que não se resume a uma tomada de consciência racional. Para cada ser humano, há um tempo peculiar e uma distância em que pode se aproximar da verdade sem se chamuscar demais. E esse tempo é necessário para nos apercebermos dos conflitos e problemas que serão colocados diante de nós, inclusive morais, nos anos vindouros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escravo se torna, ao matar seus medos e controlar-se diante da visão da verdade, um mestre. A chave para o escravo abrir sua cela existe, está disponível a qualquer outro escravo mas é perigosa: ser absolutamente franco com todos ao seu redor e ser franco consigo mesmo, não importa quanto prejuízo social tal franqueza lhe traga. Somente com a franqueza é possível vencer e ultrapassar todas as resistências, pessoais e alheias, ao processo de emancipação. A franqueza é acido  corrosivo para toda hipocrisia e covardia, é salvaguarda para toda tentação de  nos acomodarmos. Falta apenas a coragem de pegar essa chave, a coragem de abrir a porta e a coragem para caminhar sem rumo na planície de uma liberdade onde não há caminhos, mestres ou abrigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"ouvi a chave girar na porta uma vez e apenas uma vez; na chave pensamos, cada qual em sua prisão; e quando nela pensamos, prisioneiros nos sabemos"&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;blockquote&gt;T. S. Eliot, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Waste Land&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Twitter, disse que esse era o último texto do blog, mas não no sentido de que não vou mais escrever. O blog mudará de endereço e de nome, porque agora eu já sei o que preciso fazer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4912475895297551873?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4912475895297551873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4912475895297551873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/04/ano-zero.html' title='ano zero'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-73815539849813514</id><published>2011-03-04T02:40:00.000-08:00</published><updated>2011-03-04T02:47:27.422-08:00</updated><title type='text'>despedida temporária</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este blog ficará fora do ar, eu acho, por trinta dias, eu acho. Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, seu autor não poderá escrever muito nos próximos dias, eu acho, pois estará ocupado tentando perder a si mesmo em &lt;a href="http://www.solarnavigator.net/geography/geography_images/India_world_location_map.jpg"&gt;outras paragens&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/DSC00543.jpg"&gt;&lt;img style="width: 539px; height: 404px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/DSC00543.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-73815539849813514?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/73815539849813514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/73815539849813514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/03/despedida-temporaria.html' title='despedida temporária'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4253704329554616935</id><published>2011-02-25T12:37:00.000-08:00</published><updated>2011-02-25T12:41:17.320-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><title type='text'>ocean of noise</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;Left in the morning&lt;br /&gt;While you were fast asleep&lt;br /&gt;To an ocean of violence&lt;br /&gt;A world of empty streets&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You've got your reasons&lt;br /&gt;And me, I've got mine&lt;br /&gt;But all the reasons I gave&lt;br /&gt;Were just lies&lt;br /&gt;To buy yourself some time&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" src="http://www.youtube.com/embed/6aRwm9jsAq8" allowfullscreen="" width="500" frameborder="0" height="28"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4253704329554616935?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4253704329554616935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4253704329554616935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/ocean-of-noise.html' title='ocean of noise'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/6aRwm9jsAq8/default.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-8208575430350861356</id><published>2011-02-23T06:06:00.000-08:00</published><updated>2011-02-23T07:05:05.897-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livraiada'/><title type='text'>conto #1</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse é o primeiro conto que escrevo e concluo. Logo, trata-se do primeiro conto oficialmente falando. Sério. Foi feito sob encomenda,  mas não vou declinar o nome de quem encomendou, pois a pessoa avisou que não quer publicidade. Agradeço os queridos amigos que opinaram e corrigiram alguns erros involuntários (sim, às vezes erro de propósito) no texto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/p/conto.html"&gt;Clique aqui para ler o conto.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-8208575430350861356?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/8208575430350861356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/8208575430350861356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/primeiro-conto.html' title='conto #1'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7793410521058033735</id><published>2011-02-18T08:55:00.000-08:00</published><updated>2011-03-04T04:50:36.365-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Sublime'/><title type='text'>casual friday #19</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Esse texto, tirado de um discurso de paraninfo, é fantástico, não só pelo conteúdo, mas pelo que ocorreu depois. Embora o texto seja uma lição bela e humana, não-pretensiosa, sobre a vida que devemos levar e as escolhas que podemos fazer, algo deu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;muito&lt;/span&gt; errado. Seu autor, o escritor &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/David_Foster_Wallace"&gt;David Foster Wallace&lt;/a&gt;, suicidou-se em setembro de 2008. O que deu errado? A realidade do supermercado massificante foi mais forte do que todo o poder de escolha de um homem desperto? Se for assim, invoco, então, daquela poesia de Yeats que tenta refletir o desespero de nossa época: "aos melhores falta convicção, enquanto os piores estão repletos de apaixonada intensidade".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://images.newstatesman.com/articles/2008/1040/20081126_044foster-wallace_w.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Dois peixinhos estão nadando juntos e cruzam com um peixe mais velho, nadando em sentido contrário. Ele os cumprimenta e diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, meninos. Como está a água?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois peixinhos nadam mais um pouco, até que um deles olha para o outro e pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Água? Que diabo é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se preocupem, não pretendo me apresentar a vocês como o peixe mais velho e sábio que explica o que é água ao peixe mais novo. Não sou um peixe velho e sábio. O ponto central da história dos peixes é que a realidade mais óbvia, ubíqua e vital costuma ser a mais difícil de ser reconhecida. Enunciada dessa -forma, a frase soa como uma platitude - mas é fato que, nas trincheiras do dia-a-dia da existência adulta, lugares comuns banais podem adquirir uma importância de vida ou morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa parte das certezas que carrego comigo acabam se revelando totalmente equivocadas e ilusórias. Vou dar como exemplo uma de minhas convicções automáticas: tudo à minha volta respalda a crença profunda de que eu sou o centro absoluto do universo, de que sou a pessoa mais real, mais vital e essencial a viver hoje. Raramente mencionamos esse egocentrismo natural e básico, pois parece socialmente repulsivo, mas no fundo ele é familiar a todos nós. Ele faz parte de nossa configuração padrão, vem impresso em nossos circuitos ao nascermos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querem ver? Todas as experiências pelas quais vocês passaram tiveram, sempre, um ponto central absoluto: vocês mesmos. O mundo que se apresenta para ser experimentado está diante de vocês, ou atrás, à esquerda ou à direita, na sua tevê, no seu monitor, ou onde for. Os pensamentos e sentimentos dos outros precisam achar um caminho para serem captados, enquanto o que vocês sentem e pensam é imediato, urgente, real. Não pensem que estou me preparando para fazer um sermão sobre compaixão, desprendimento ou outras "virtudes". Essa não é uma questão de virtude - trata-se de optar por tentar alterar minha configuração padrão original, impressa nos meus circuitos. Significa optar por me libertar desse egocentrismo profundo e literal que me faz ver e interpretar absolutamente tudo pelas lentes do meu ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num ambiente de excelência acadêmica, cabe a pergunta: quanto do esforço em adequar a nossa configuração padrão exige de sabedoria ou de intelecto? A pergunta é capciosa. O risco maior de uma formação acadêmica - pelo menos no meu caso - é que ela reforça a tendência a intelectualizar demais as questões, a se perder em argumentos abstratos, em vez de simplesmente prestar atenção ao que está ocorrendo bem na minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou certo de que vocês já perceberam o quanto é difícil permanecer alerta e atento, em vez de hipnotizado pelo constante monólogo que travamos em nossas cabeças. Só vinte anos depois da minha formatura vim a entender que o surrado clichê de "ensinar os alunos como pensar" é, na verdade, uma simplificação de uma idéia bem mais profunda e séria. "Aprender a pensar" significa aprender como exercer algum controle sobre como e o que cada um pensa. Significa ter plena consciência do que escolher como alvo de atenção e pensamento. Se vocês não conseguirem fazer esse tipo de escolha na vida adulta, estarão totalmente à deriva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrem o velho clichê: "A mente é um excelente servo, mas um senhorio terrível." Como tantos clichês, também esse soa inconvincente e sem graça. Mas ele expressa uma grande e terrível verdade. Não é coincidência que adultos que se suicidam com armas de fogo quase sempre o façam com um tiro na cabeça. Só que, no fundo, a maioria desses suicidas já estava morta muito antes de apertar o gatilho. Acredito que a essência de uma educação na área de humanas, eliminadas todas as bobagens e patacoadas que vêm junto, deveria contemplar o seguinte ensinamento: como percorrer uma confortável, próspera e respeitável vida adulta sem já estar morto, inconsciente, escravizado pela nossa configuração padrão - a de sermos singularmente, completamente, imperialmente sós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso também parece outra hipérbole, mais uma abstração oca. Sejamos concretos então. O fato cru é que vocês, graduandos, ainda não têm a mais vaga idéia do significado real do que seja viver um dia após o outro. Existem grandes nacos da vida adulta sobre os quais ninguém fala em discursos de formatura. Um desses nacos envolve tédio, rotina e frustração mesquinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dar um exemplo prosaico imaginando um dia qualquer do futuro. Você acordou de manhã, foi para seu prestigiado emprego, suou a camisa por nove ou dez horas e, ao final do dia, está cansado, estressado, e tudo que deseja é chegar em casa, comer um bom prato de comida, talvez relaxar por umas horas, e depois ir para cama, porque terá de acordar cedo e fazer tudo de novo. Mas aí lembra que não tem comida na geladeira. Você não teve tempo de fazer compras naquela semana, e agora precisa entrar no carro e ir ao supermercado. Nesse final de dia, o trânsito está uma lástima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você finalmente chega lá, o supermercado está lotado, horrivelmente iluminado com lâmpadas fluorescentes e impregnado de uma música ambiente de matar. É o último lugar do mundo onde você gostaria de estar, mas não dá para entrar e sair rapidinho: é preciso percorrer todos aqueles corredores superiluminados para encontrar o que procura, e manobrar seu carrinho de compras de rodinhas emperradas entre todas aquelas outras pessoas cansadas e apressadas com seus próprios carrinhos de compras. E, claro, há também aqueles idosos que não saem da frente, e as pessoas desnorteadas, e os adolescentes hiperativos que bloqueiam o corredor, e você tem que ranger os dentes, tentar ser educado, e pedir licença para que o deixem passar. Por fim, com todos os suprimentos no carrinho, percebe que, como não há caixas suficientes funcionando, a fila é imensa, o que é absurdo e irritante, mas você não pode descarregar toda a fúria na pobre da caixa que está à beira de um ataque de nervos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, você acaba chegando à caixa, paga por sua comida e espera até que o cheque ou o cartão seja autenticado pela máquina, e depois ouve um "boa noite, volte sempre" numa voz que tem o som absoluto da morte. Na volta para casa, o trânsito está lento, pesado etc. e tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É num momento corriqueiro e desprezível como esse que emerge a questão fundamental da escolha. O engarrafamento, os corredores lotados e as longas filas no supermercado me dão tempo de pensar. Se eu não tomar uma decisão consciente sobre como pensar a situação, ficarei irritado cada vez que for comprar comida, porque minha configuração padrão me leva a pensar que situações assim dizem respeito a mim, a minha fome, minha fadiga, meu desejo de chegar logo em casa. Parecerá sempre que as outras pessoas não passam de estorvos. E quem são elas, aliás? Quão repulsiva é a maioria, quão bovinas, e inexpressivas e desumanas parecem ser as da fila da caixa, quão enervantes e rudes as que falam alto nos celulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também posso passar o tempo no congestionamento zangado e indignado com todas essas vans, e utilitários e caminhões enormes e estúpidos, bloqueando as pistas, queimando seus imensos tanques de gasolina, egoístas e perdulários. Posso me aborrecer com os adesivos patrióticos ou religiosos, que sempre parecem estar nos automóveis mais potentes, dirigidos pelos motoristas mais feios, desatenciosos e agressivos, que costumam falar no celular enquanto fecham os outros, só para avançar uns 20 metros idiotas no engarrafamento. Ou posso me deter sobre como os filhos dos nossos filhos nos desprezarão por desperdiçarmos todo o combustível do futuro, e provavelmente estragarmos o clima, e quão mal-acostumados e estúpidos e repugnantes todos nós somos, e como tudo isso é simplesmente pavoroso etc. e tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se opto conscientemente por seguir essa linha de pensamento, ótimo, muitos de nós somos assim - só que pensar dessa maneira tende a ser tão automático que sequer precisa ser uma opção. Ela deriva da minha configuração padrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas existem outras formas de pensar. Posso, por exemplo, me forçar a aceitar a possibilidade de que os outros na fila do supermercado estão tão entediados e frustrados quanto eu, e, no cômputo geral, algumas dessas pessoas provavelmente têm vidas bem mais difíceis, tediosas ou dolorosas do que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer isso é difícil, requer força de vontade e empenho mental. Se vocês forem como eu, alguns dias não conseguirão fazê-lo, ou simplesmente não estarão a fim. Mas, na maioria dos dias, se estiverem atentos o bastante para escolher, poderão preferir olhar melhor para essa mulher gorducha, inexpressiva e estressada que acabou de berrar com a filhinha na fila da caixa. Talvez ela não seja habitualmente assim. Talvez ela tenha passado as três últimas noites em claro, segurando a mão do marido que está morrendo. Ou talvez essa mulher seja a funcionária mal remunerada do Departamento de Trânsito que, ontem mesmo, por meio de um pequeno gesto de bondade burocrática, ajudou algum conhecido seu a resolver um problema insolúvel de documentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que nada disso é provável, mas tampouco é impossível. Tudo depende do que vocês queiram levar em conta. Se estiverem automaticamente convictos de conhecerem toda a realidade, vocês, assim como eu, não levarão em conta possibilidades que não sejam inúteis e irritantes. Mas, se vocês aprenderam como pensar, saberão que têm outras opções. Está ao alcance de vocês vivenciarem uma situação "inferno do consumidor" não apenas como significativa, mas como iluminada pela mesma força que acendeu as estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relevem o tom aparentemente místico. A única coisa verdadeira, com V maiúsculo, é que vocês precisam decidir conscientemente o que, na vida, tem significado e o que não tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na trincheira do dia-a-dia, não há lugar para o ateísmo. Não existe algo como "não venerar". Todo mundo venera. A única opção que temos é decidir o que venerar. E o motivo para escolhermos algum tipo de Deus ou ente espiritual para venerar - seja Jesus Cristo, Alá ou Jeová, ou algum conjunto inviolável de princípios éticos - é que todo outro objeto de veneração te engolirá vivo. Quem venerar o dinheiro e extrair dos bens materiais o sentido de sua vida nunca achará que tem o suficiente. Aquele que venerar seu próprio corpo e beleza, e o fato de ser sexy, sempre se sentirá feio - e quando o tempo e a idade começarem a se manifestar, morrerá um milhão de mortes antes de ser efetivamente enterrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fundo, sabemos de tudo isso, que está no coração de mitos, provérbios, clichês, epigramas e parábolas. Ao venerar o poder, você se sentirá fraco e amedrontado, e precisará de ainda mais poder sobre os outros para afastar o medo. Venerando o intelecto, sendo visto como inteligente, acabará se sentindo burro, um farsante na iminência de ser desmascarado. E assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O insidioso dessas formas de veneração não está em serem pecaminosas - e sim em serem inconscientes. São o tipo de veneração em direção à qual você vai se acomodando quase que por gravidade, dia após dia. Você se torna mais seletivo em relação ao que quer ver, ao que valorizar, sem ter plena consciência de que está fazendo uma escolha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O mundo jamais o desencorajará de operar na configuração padrão, porque o mundo dos homens, do dinheiro e do poder segue sua marcha alimentado pelo medo, pelo desprezo e pela veneração que cada um faz de si mesmo. A nossa cultura consegue canalizar essas forças de modo a produzir riqueza, conforto e liberdade pessoal. Ela nos dá a liberdade de sermos senhores de minúsculos reinados individuais, do tamanho de nossas caveiras, onde reinamos sozinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de liberdade tem méritos. Mas existem outros tipos de liberdade. Sobre a liberdade mais preciosa, vocês pouco ouvirão no grande mundo adulto movido a sucesso e exibicionismo. A liberdade verdadeira envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e capacidade de efetivamente se importar com os outros - no cotidiano, de forma trivial, talvez medíocre, e certamente pouco excitante. Essa é a liberdade real. A alternativa é a torturante sensação de ter tido e perdido alguma coisa infinita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensem de tudo isso o que quiserem. Mas não descartem o que ouviram como um sermão cheio de certezas. Nada disso envolve moralidade, religião ou dogma. Nem questões grandiosas sobre a vida depois da morte. A verdade com V maiúsculo diz respeito à vida antes da morte. Diz respeito a chegar aos 30 anos, ou talvez aos 50, sem querer dar um tiro na própria cabeça. Diz respeito à consciência - consciência de que o real e o essencial estão escondidos na obviedade ao nosso redor - daquilo que devemos lembrar, repetindo sempre: "Isto é água, isto é água."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É extremamente difícil lembrar disso, e permanecer consciente e vivo, um dia depois do outro."&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7793410521058033735?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7793410521058033735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7793410521058033735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/casual-friday-19.html' title='casual friday #19'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-9049952711675338909</id><published>2011-02-17T16:45:00.001-08:00</published><updated>2011-02-17T16:52:07.355-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><title type='text'>arcade fire - suburbs</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;"Sometimes I can't believe, I'm moving past the feelling..."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" width="560" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/XAitZuh4ueg" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-9049952711675338909?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/9049952711675338909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/9049952711675338909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/arcade-fire-suburbs.html' title='arcade fire - suburbs'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/XAitZuh4ueg/default.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-5444736780619452786</id><published>2011-02-16T13:21:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T13:22:38.629-08:00</updated><title type='text'>oh yeah</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/__-WfRQvFjpM/TUzVV3RMcYI/AAAAAAAAAfQ/26oGQnYcz8Y/s1600/tempocontado.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-5444736780619452786?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5444736780619452786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5444736780619452786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/oh-yeah.html' title='oh yeah'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__-WfRQvFjpM/TUzVV3RMcYI/AAAAAAAAAfQ/26oGQnYcz8Y/s72-c/tempocontado.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-3275566985430562154</id><published>2011-02-16T13:07:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T13:12:54.476-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livraiada'/><title type='text'>temos de semicerrar os olhos...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/images/henry-miller1.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O engraçado em todos estes sistemas utópicos de governo é que estão sempre a prometer libertar o homem - mas primeiro tentam fazê-lo funcionar como um relógio de corda para oito dias. Pedem ao indivíduo que se torne escravo a fim de conquistar a liberdade para a espécie humana. É uma lógica singular. Não digo que o presente sistema seja melhor. Na realidade, seria difícil imaginar algo pior do que temos agora. Mas sei que não o melhoraremos desistindo dos poucos direitos que temos já. Não me parece que precisemos de mais direitos: do que precisamos é de ideias maiores. Jesus, apetece-me vomitar quando vejo o que advogados e juízes tentam preservar! A lei não tem qualquer relação com as necessidades humanas; é um negócio dirigido por um sindicato de parasitas. Abram um livro de Direito e leiam uma passagem (em qualquer lado) em voz alta. Parecerá loucura a quem estiver no seu perfeito juízo. É loucura, com a breca, eu sei! Mas, meu Deus, se começo a pôr em dúvida a lei tenho de pôr em dúvida outras coisas, também. Ficaria maluco se encarasse as coisas com olhos lúcidos. É impossível, se não queremos desafinar. Temos de semicerrar os olhos à medida que avançamos, temos de deixar os outros supor que sabemos o que estamos a fazer. Mas ninguém sabe o que está a fazer! Não nos levantamos de manhã e pensamos o que vamos fazer. Não, senhor! Levantamo-nos atordoados, e arrastamo-nos por um túnel escuro, com uma «ressaca». Entramos no jogo. Sabemos que é uma imunda falsificação, uma batota pegada, mas não temos outro remédio senão sujeitar-nos; não há por onde escolher. Nascemos numa certa organização para a qual estamos condicionados: podemos pôr-lhe uns remendozitos aqui e ali, como a um barco com um rombo, mas não podemos refazer tudo do princípio: não há tempo para isso, temos de chegar ao porto - ou supomos que temos. Claro que nunca lá chegaremos. O barco afundar-se-á primeiro, acreditem..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henry Miller - Sexus (&lt;a href="http://tenhoestadoalerwhitman.blogspot.com/2011/02/temos-de-deixar-os-outros-supor-que.html"&gt;daqui&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-3275566985430562154?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3275566985430562154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3275566985430562154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/temos-de-semicerrar-os-olhos.html' title='temos de semicerrar os olhos...'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-8831134111469619477</id><published>2011-02-14T18:52:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T18:54:46.166-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natureza Humana'/><title type='text'>a origem do mal é a origem da consciência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 286px; height: 478px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/whatsyourproblem.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-8831134111469619477?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/8831134111469619477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/8831134111469619477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/origem-do-mal-e-origem-da-consciencia.html' title='a origem do mal é a origem da consciência'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_whatsyourproblem.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-6249771471060702788</id><published>2011-02-14T05:14:00.000-08:00</published><updated>2011-02-15T11:20:58.950-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>black swann</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 500px; height: 195px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/black-swan-1.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A única crítica que podemos fazer a Aronofsky é  a de que ele não acredita na  inteligência de seu público, e torna as coisas às vezes óbvias demais em  seus filmes. Mas essa é uma crítica de nossa vaidade ferida, e não pode  ser levada a sério: desejamos uma obra que adule nossa inteligência, que nos aparte do público "mediano",  do público comedor de pipoca com o qual, acreditamos, o diretor não pode dialogar senão para secretamente debochar de sua cara. A nós, cinéfilos intelectuais, conhecedores que somos da história do cinema, os bons filmes devem guardar seus melhores segredos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Aronofsky não está muito preocupado com isso. Seu filme é explícito em sua temática e, grande pecado nessa era onde o Mal do Século é a ironia, pretende falar seriamente. Porém, não é de se espantar que, mesmo com um diretor assim tão escancarado, poucas pessoas saiam do cinema compreendedo sobre o que fala  "Black Swann"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém assiste ao filme com a ideia de que se trata da história de uma bailarina em busca do reconhecimento profissional, terá passado cerca de duas horas sentado na poltrona e sairá do cinema sem ter visto, efetivamente, a "Black Swann." Para assistir à última obra de Aronofsky, é preciso saber que se trata de uma fábula e, como toda boa fábula, pouco tem a ver com a "história aparente" que é narrada. No fundo, "Black Swann", em seu ritmo progressivamente onírico, nada tem a ver com balé, com Tchaikovsky ou mesmo (como parece falsamente "evidente") com sexualidade feminina reprimida pela figura materna. "Black Swann" trata, guardadas todas as proporções, da mesma temática presente em um dos filmes mais geniais já produzidos e que ainda tenho medo de comentar aqui no blog: "A Hora do Lobo" de Ingemar Bergman. Em ambos, o público pode testemunhar, de forma alegórica, a experiência proposta pelo processo artístico verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, o rigor do balé está lá, a opressão maternal está lá, a dificuldade de masturbar-se está lá, mas são alicerces necessários para que se estabeleçam os marcos da narrativa inicial, sinalizando aquela estrutura segura, protegida e ao mesmo tempo neurótica contra a qual Nina, a fim de manifestar plenamente seu talento, deverá jogar-se e debater-se. O objetivo, de forma alguma, é resolver determinado problema. O objetivo não é conquistar alguma vitória em relação ao rigor do balé, ao condicionamento materno ou à repressão sexual. O objetivo é, ao contrário, mergulhar inteiramente na natureza problemática e insolúvel das situações provocadoras de sentimentos conflitantes, constelar as relações e as neuroses que a perturbam, vivenciar em desvairio (sem controle, sem análise, sem segurança) os símbolos primitivos que são subjacentes à sua história pessoal e, por fim, ao incorporar em si mesma um pouco daquilo que antes lhe causava medo, imolar a si própria como rito sacrificial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ambientes e trajes em preto e branco que cercam Nina dão ao espectador a ilusão de que a questão é bipolar, de que se trata de solucionar a dicotomia entre bem e mal, resultante, talvez, da própria repressão sexual da personagem e de seu medo do fracasso. Mas o que é negro somente assim o é porque ainda não foi incorporado à consciência. Por isso, ao ambiente preto e branco contrapõe-se o espelho, a arma que revela a verdade sobre as dicotomias que nos torturam inclusive nas relações com as outras pessoas. Quando Nina mata sua colega, ela está coroando o processo em que reconhece como pertencente a si mesma tudo aquilo que antes atribuía a outro, o depósitário de seu lado sombrio. Os elementos do inconsciente, enquanto não reconhecidos pela consciência, parecem a essa como que dotados de personalidade e autonomia. Matá-los significa incorporá-los à mente desperta, mas ao preço de que a própria consciência não sai íntegra desse movimento: ela incorpora o que lhe é estranho e, por isso, aquele estado original, representado pela meninha-da-mamãe cheia de bichos de pelúcia, acaba por morrer de forma irreversível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra de arte que os espectadores assistem tão comodamente em suas cadeiras é apenas a representação última de um processo muito mais longo e difícil no qual Nina, o protótipo do artista, problematiza tudo: sua relação familiar, sua sexualidade, seu medo de fracassar, e até mesmo seu medo da morte, da enfermidade e da velhice. Os ensaios de balé, a observância das regras de seu ofício, são apenas o exercício mais ou menos aborrecido da técnica necessária à expressão correta. Isso é o que separa o músico, dançarino ou o escritor  meramente talentosos do gênio. Puxar para fora de si, a fim de expor no palco, toda a beleza bizarra do que há de mais desagradável  e obscuro em sua própria natureza, esse sim é o processo verdadeiro e até traumatizante, que o artista vai conduzindo em paralelo àquele exercício de técnica vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A apropriação dos símbolos de sucesso mundano do artista consolidado (o batom e os brincos da bailarinha já aclamada) não lhe trazem consolo, mas são os objetos encantados pelos quais Nina tem acesso à caverna mais pavorosa de sua alma, onde se depara com a encarnação justo do artista solitário, desesperado, desprovido do instrumento de sua arte. Não há como realizar algo sem antes vivenciar esse momento de puro horror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mania neurótica de coçar suas costas até sangrar não é reprimida, mas aprofundada até se tornar a própria manifestação daquela nova pele negra e emplumada que busca aflorar. O conflito com a rival não é resolvido, mas intensificado até que, do ódio mais atávico e do crime mais primitivo, se obtenha a energia temporária para uma invocação monstruosa, metade mulher metade pássaro, diante dos olhos dos expectadores. O medo da morte e do fracasso não é enfrentado com uma cômica coragem que idealmente garantiria a imortalidade e o sucesso, mas da vivência por demais concreta desses pesadelos obtém-se a superação pela qual uma forma canhestra de perfeição surge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma fábula sobre os desígnios de quem faz de seu próprio corpo, medos, angústias e vida a expressão de seu talento. Uma fábula onde não há realmente uma bailarina, uma Companhia de Ballet, uma mãe opressora e um desafio profissional a ser vencido, e sim há as expressões alegóricas do processo artístico genuíno, do processo artístico no qual o artista desconstrói e ataca sua própria vida inicial para, ao fim, tendo matado a si de inúmeras maneiras, extrair algo de novo e vivo, a que pode chamar de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-6249771471060702788?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6249771471060702788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6249771471060702788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/black-swann.html' title='black swann'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_black-swan-1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7227874689946572026</id><published>2011-02-11T17:29:00.001-08:00</published><updated>2011-02-11T17:34:18.929-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verdade'/><title type='text'>verdade #7</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_ID6FmBAkO-s/S_qNfBTTA8I/AAAAAAAAAOc/aonR-wJINQ0/s400/venus_willendorf_musica_pimba.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;a mais profunda de todas&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7227874689946572026?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7227874689946572026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7227874689946572026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/verdade-7.html' title='verdade #7'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ID6FmBAkO-s/S_qNfBTTA8I/AAAAAAAAAOc/aonR-wJINQ0/s72-c/venus_willendorf_musica_pimba.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-3494210166487589262</id><published>2011-02-11T12:13:00.001-08:00</published><updated>2011-02-11T12:19:07.245-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><title type='text'>björk - wanderlust</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;iframe src="http://player.vimeo.com/video/877878?title=0&amp;amp;byline=0&amp;amp;portrait=0" width="550" frameborder="0" height="309"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-3494210166487589262?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3494210166487589262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3494210166487589262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/bjork-wanderlust.html' title='björk - wanderlust'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-2182875788060433866</id><published>2011-02-11T10:33:00.001-08:00</published><updated>2011-02-11T15:33:00.492-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natureza Humana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Sublime'/><title type='text'>é moral porque eu quero, catzo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/frodo.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tinha que colocar uma imagem no post. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na falta de algo com sentido, vai uma foto do novo morador do apê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vou perguntar pra ele o que acha da moral? E aí meu?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ser trouxa, quer dizer, ser puro de coração não é fazer o bem pelo que se recebe de recompensa, mas apesar dos prejuízos, e somente porque o bem é o certo a fazer. Mas quem diz o que é certo? Sempre desprezei os sistemas morais que são religiosamente fundamentados porque, em última instância, há a promessa de uma recompensa ao final: o Paraíso, no caso dos cristãos, e a acumulação de méritos cármicos, no caso dos budistas e hinduístas. Como? Então, no fundo no fundo, em última instância, é só questão de interesse, de ganhos e perdas, recompensas e punições (mesmo que "etéreas", "difusas")? Ora, mas “homem de verdade” é aquele que adere a um sistema moral apesar dos prejuízos prováveis que decorrerão da conduta prescrita como “correta”: somente assim teríamos certeza de que se faz o que é certo justamente pelo que há de certo no que se faz, e ponto final, sem Paraíso ou acumulação de “carma positivo”. Caso contrário, a conduta moralmente correta é, na verdade, apenas um instrumento utilitarista a serviço de determinado fim. Claro, isso significa desprezo por todos os sistemas morais que se pretendem “absolutos”, “incondicionados”, sejam religiosos ou não (embora eu duvide que exista algum sistema moral que se diga "absoluto" sem estar vinculado a alguma forma de religiosidade). O relativismo, pessoal, chegou e para ficar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, porque aderir a um sistema moral se, afinal, não há recompensa nenhuma em última instância e, no fundo, nesse universo tudo é permitido e nada é verdade? Simples, porque eu quero. É meu "capricho" e, justo por não haver mesmo fundamento para esse "capricho" senão em minha própria vontade, eu afirmo meu ser, eu afirmo minha criatividade como imposição pessoal à realidade. É na zona da conduta da moral a qual me prendo por pura escolha que eu vivencio aquele espaço mínimo, aquele centímetro cúbico onde sou realmente livre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Justo num universo onde tudo é permitido e nada é verdade, o labor em torno de um sistema moral baseado no altruísmo, no coração verdadeiro, na compaixão e na dignidade humana, embora seja um “absurdo”, sem “fundamento absoluto”, é algo de extrema beleza, pois confere significado, decência humana, a uma vida. É uma valoração, em última instância, estética. Como disse C. G. Jung, “até onde podemos perceber, o único sentido da vida humana é lançar uma luz de significado na escurdão do mero existir”. Esse significado não nos é dado por nenhum Deus, ele não está inscrito em nosso código genético: ele é criação nossa, com a qual impomos uma ordem “humana” (e justamente por isso, de mais alto valor, pois é uma obra de nossa criatividade) a um universo, de outra maneira, sublime mas irracional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-2182875788060433866?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2182875788060433866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2182875788060433866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/moral.html' title='é moral porque eu quero, catzo'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_frodo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-3309696494668700192</id><published>2011-02-08T17:36:00.000-08:00</published><updated>2011-02-08T18:02:13.759-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Proust'/><title type='text'>PPP - Porque Proust é Phoda #5</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Proust é foda porque não fala de abstrações, mas do que é comum a todos nós no cotidiano. No reino humano, sua percepção sobre a natureza das relações é de uma precisão impressionante. Não poucas vezes em minha vida pessoal algum evento me remeteu até determinado trecho de sua obra. Atualmente, uma situação em particular me fez lembrar dessa passagem, em que Proust fala de seu amigo Bloch:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;"(...) não era o amigo que meus pais desejassem para mim; acabaram por acreditar que as lágrimas derramadas pela indisposição de minha avó não eram fingidas; mas sabiam, instintivamente, ou por experiência, que os impulsos da nossa sensibilidade têm pouca força sobre a seqüência de nossos atos e a conduta da nossa vida, e que o respeito às obrigações morais, a fidelidade aos amigos, a execução de uma obra, o cumprimento de um regime possuem um fundamento mais seguro nos costumes cegos do que nos transportes momentâneos, ardentes e estéreis. Para mim, teriam preferido companheiros que não me dessem mais do que é estipulado doar a seus amigos, conforme as regras da moral burguesa; que não me enviariam inesperadamente um cesto de frutas por terem, nesse dia, pensado em mim com ternura; mas que, não sendo capazes de fazer inclinar em meu favor a balança exata dos deveres e das exigências da amizade por um mero impulso da imaginação e da sensibilidade, também não a falseariam em detrimento meu."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(Marcel Proust, 'Em Busca do Tempo Perdido - À Sombra das Moças em Flor,' pp. 86/87, tradução de Fernando Py).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-3309696494668700192?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3309696494668700192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3309696494668700192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/ppp-porque-proust-e-phoda-5.html' title='PPP - Porque Proust é Phoda #5'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7103084678659170718</id><published>2011-02-03T20:09:00.000-08:00</published><updated>2011-02-04T02:04:22.032-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natureza Humana'/><title type='text'>que escada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso aconteceu mesmo. Uma pessoa muito sábia não faz muito tempo me contou o que lhe confidenciou a velha matriarca de uma tradicional família judia. Certo dia, nem toda a tradição familiar impediu que, tendo essa senhora já dobrado o Cabo da Boa Esperança de seus anos, caísse de amores por outro homem, com o qual mantinha uma paixão clandestina. Confusa, a sexagenária foi procurar o apoio daquele que representava a única possibilidade de verdadeira orientação, ao menos do ponto-de-vista de sua cultura: o rabino. Ao contar ao rabino da comunidade o seu dilema entre preservar a instituição familiar judaica e chocar os entes amados em nome de uma tórrida aventura no ocaso de sua vida, só obteve do religioso, que escutara seu longo desabafo em silêncio e com os olhos arregalados, um suspiro de admiração sucedido de duas palavras:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;"Que escada!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não interessava a solução do dilema. Não interessava a decisão que a senhora viesse a tomar. Pouco importava o desenrolar dos fatos. Aquele instante, numa encruzilhada de sua vida, independentemente de qualquer solução razoável, sem qualquer pista possível sobre qual deveria ser sua escolha, aquele instante era uma escada para uma visão mais ampla de sua própria realidade pessoal, para uma visão mais precisa sobre sua condição humana. Um despertar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7103084678659170718?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7103084678659170718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7103084678659170718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/que-escada.html' title='que escada'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-6386638426843264037</id><published>2011-02-02T04:39:00.000-08:00</published><updated>2011-02-03T09:57:36.804-08:00</updated><title type='text'>a sabedoria de não fugir</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/fuga.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Viver intensamente não é subir o Kilimanjaro, não é se banhar nas águas que cercam uma ilha paradisíaca no pacífico. Viver intensamente é não fugir. Não fugir do momento presente, tal como ele se oferece: seja ele difícil, medíocre, maravilhoso, problemático, agradável ou opressivo. Não fugir de seus próprios sentimentos, sejam eles os mais luminosos ou os mais obscuros: não os rejeitar mas, ao contrário, aceitá-los de forma incondicional quando surgirem, sejam de amor, de ódio, de desespero, de felicidade, de alegria ou de profundo tédio. Essa, sim, é a &lt;i&gt;única&lt;/i&gt; forma verdadeira de viver plenamente. Não fugir dos abismos do cotidiano, não fugir de seus próprios medos, não fugir da visão de si mesmo desnudo em todas as suas fraquezas, virtudes, fragilidades, forças e limitações, tal como você é, e não tal como uma ilusão lhe faz pensar que seja. Não fugir, mas ir a fundo mesmo das suas piores horas, mergulhar com curiosidade de criança nos abismos mais escuros, e contemplar os estranhos seres que vivem lá com admiração e encantamento, observando atentamente anatomia. Viver é não fugir do aqui-e-agora, seja em um ônibus lotado, seja com os pés nas águas de uma praia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-6386638426843264037?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6386638426843264037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6386638426843264037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/nao-fujamos-de-viver-intensamente.html' title='a sabedoria de não fugir'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_fuga.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-6800264087878040067</id><published>2011-02-01T15:23:00.001-08:00</published><updated>2011-02-02T12:21:11.868-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coetzee'/><title type='text'>A precisão de um gênio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/jm-coetzee.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Chega o domingo de novo. Ele e Bev Shaw estão concentrados em sua sessão de&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lösung&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Um a um ele vai trazendo os gatos, depois os cachorros: os velhos, os cegos, os mancos, os aleijados, os mutilados, mas também os jovens, os sãos, todos os que chegaram ao fim de seu período. Um a um, Bev toca, conversa, consola e sacrifica. Depois se afasta e fica olhando enquanto ele encerra os restos numa mortalha de plástico preto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele e Bev não falam. Ele já aprendeu, com ela, a concentrar toda atenção no animal que estão matando, dando-lhe o que não tem mais nenhuma dificuldade de chamar pelo nome correto: amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amarra o último saco e leva até a porta. Vinte e três. Sobrou só um jovem cachorro, aquele que gosta de música, aquele que, com meia chance, já teria enveredado atrás dos companheiros para dentro do prédio da clínica, para dentro da sala de operações com sua mesa de tampo metálico, onde ainda paira a mistura de cheiros intensos, inclusive um que ainda não sentiu na sua vida: o cheiro da expiração, o cheiro macio e breve da alma libertada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que o cachorro não entenderá nunca (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;nem num mês inteiro de domingos!,&lt;/span&gt; ele pensa), o que seu focinho nunca lhe dirá, é que se pode entrar em uma sala absolutamente comum e nunca mais sair. Algo acontece naquela sala, algo não mencionável: ali a alma é arrancada do corpo; paira brevemente no ar, se torcendo e contorcendo; depois é sugada para longe e desaparece. Será incompreensível para ele, essa sala que não é uma sala, mas um buraco por onde se escorre para fora da existência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vai ficando cada vez mais fácil&lt;/span&gt;, Bev Shaw lhe disse uma vez. Mais difícil, mas mais fácil também. A gente se acostuma com as coisas ficando mais difíceis; a gente acaba não se assustando mais quando o que era o mais difícil do difícil fica ainda mais difícil. Ele pode salvar o jovem cachorro, se quiser, deixar para a semana seguinte. Mas chegará a hora, isso não pode ser evitado, em que terá de trazê-lo para Bev Shaw na sala de operações (talvez o traga nos braços, talvez faça isso por ele) e o acariciará, abrindo a pelagem negra para que a agulha penetre na veia, sussurrando para ele, dando-lhe apoio no momento em que, surpreendidas, suas pernas cederão; e então, quando sua alma sair, ele o dobrará e embalará em seu saco, e no dia seguinte o levará para as chamas e cuidará para que seja queimado, eliminado. Fará tudo isso por ele quando chegar ua hora. Será pouco, menos que pouco: nada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele atravessa a sala. "Foi o último?", Bev Shaw pergunta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Tem mais um".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abre a porta do compartimento. "Venha", diz, curva-se, abre os braços. O cachorro arrasta a parte traseira alejada, fareja seu rosto, lambe sua face, seus lábios, sua orelha. Não o detém. "Venha".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levando-o no colo como um carneiro, entra na sala de operações. "Achei que ia deixar esse para a semana que vem", diz Bev Shaw. "Vai desistir dele?"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"É. Vou desistir"."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;J. M. Coetzee - Desonra&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-6800264087878040067?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6800264087878040067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6800264087878040067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/precisao-de-um-genio.html' title='A precisão de um gênio'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_jm-coetzee.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-6590958600007292670</id><published>2011-02-01T13:27:00.001-08:00</published><updated>2011-02-01T13:27:45.259-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verdade'/><title type='text'>verdade #6</title><content type='html'>&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/__-WfRQvFjpM/TSze6vnAUGI/AAAAAAAAAbI/FU_aiNO5JBo/s1600/bob+dylan.jpg"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-6590958600007292670?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6590958600007292670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6590958600007292670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/02/verdade-6.html' title='verdade #6'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__-WfRQvFjpM/TSze6vnAUGI/AAAAAAAAAbI/FU_aiNO5JBo/s72-c/bob+dylan.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-1275291165929111693</id><published>2011-01-27T04:10:00.000-08:00</published><updated>2011-01-27T13:18:37.021-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colapso'/><title type='text'>escrever sempre tem um preço</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 591px; height: 442px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/biblioteca.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Meu ponto de embarque e desembarque.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não estou fazendo drama, ok? E tampouco espero que alguém pense que o tom dessa conversa se reflete em meu trabalho. Ao contrário, justamente por não poder se refletir é que a coisa é tão mais difícil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrever é um ato muito solitário. O escritor, ou pretenso escritor, submerge na sua subjetividade e lá encontra personagens que pouco tem a ver consigo e que colaboram para a construção de eventos em um mundo que existe apenas em sua cabeça, embora seja o reflexo daquilo que há "lá fora". É preciso mergulhar mesmo, ir ao fundo sem concessões. Quando se retorna, seja para ir ao trabalho "que remunera", seja para almoçar com seus familiares ou amigos, o escritor olha para tudo isso que realmente existe com suspeita, senão com estranheza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é agradável (e aqui a parte do "não estou fazendo drama" deve ser lembrada), de forma alguma. Quando achei que tinha terminado "Colapso", e pude finalmente retornar com toda a força às minhas tarefas cotidianas, não demorou para que a ideia de escrever o segundo livro se insinuasse, pois o enredo já estava bem esquematizado em minha cabeça. Contei a um amigo os meus planos futuros, e ele perguntou-me porque eu não escrevia logo. Pensei na possibilidade e fiquei assustado: havia um alto preço a pagar pelos dois, três anos que se demora para escrever um livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não que eu deixasse de fazer as coisas, não que eu deixasse de viajar, passear, ir ao cinema, conversar com os amigos, visitar meus familiares. Tudo isso ocorria enquanto eu estava escrevendo "Colapso". Porém, era justamente o choque contínuo entre o mundo imaginário no qual eu tinha de submergir (e, mais particularmente, no mundo imaginário visto com os olhos de alguém tão diferente de mim quanto é o protagonista Vladimir) e o mundo real com o qual eu tinha de lidar que me causava... desconforto. Isso, "desconforto" é a palavra correta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrever é solitário pois você é o viajante entre dois mundos que não se comunicam. Você não pode dar notícia a seus colegas de trabalho ou a sua esposa sobre como vão as coisas com a  professora Hilda, não pode contar-lhes como vai a separação de Vladimir e Virgínia, ou como Nelson está enfrentando a crise financeira de sua empresa. E, muito menos, pode chamar o estagiário Edgar, que só existe em sua cabeça, e convidá-lo para um chope, a fim de contar-lhe como vão as coisas com a sua mãe, com o seu amigo ou com aquela mudança de setor em seu trabalho. Você simplesmente é transportado de um mundo ao outro sem qualquer cerimônia, tão rapidamente quanto o ato de abrir ou fechar um arquivo de texto em seu computador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, assim, você sente que é um turista em ambos os mundos. Não pertence e tampouco realmente participa de nenhum dos dois, e aí está a origem de uma solidão pungente, que lhe persegue mesmo em uma sala cheia de entes queridos, durante o processo da escrita. Não é agradável e, antes de mergulhar nesses dias de revisão de "Colapso" (revisão necessária para que eu o apresentasse a certas pessoas "decisivas"), eu havia esquecido desse desconforto.  Agora, por poucos dias, eu reencontrei aquela sensação de estranhamento. Espero que o resultado final compense o preço que tenho pago.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-1275291165929111693?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/1275291165929111693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/1275291165929111693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/01/escrever-sempre-tem-um-preco.html' title='escrever sempre tem um preço'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4999764987526243892</id><published>2011-01-22T09:10:00.000-08:00</published><updated>2011-01-24T04:35:41.466-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeça Talking'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Waking Life'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Sublime'/><title type='text'>sim e não</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 370px; height: 467px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_3XfCFSjNnUI/S7UhvfH8uEI/AAAAAAAAEkY/Et-epK8W6Y8/s1600/pkdwithcat.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O trecho a seguir é de uma cena particularmente significativa do filme "Waking Life". Fala de uma experiência estranha que &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Philip_K._Dick"&gt;Philip K. Dick&lt;/a&gt; teve em sua vida (entre tantas outras experiências estranhas que o perseguiram), e traduz o evento como se fosse o símbolo de algo mais. E esse "algo mais", embora Philip K. Dick tenha se agarrado na simbologia cristã, remete muito mais a uma visão depurada e não-religiosa de budismo do que ao cristianismo e gnosticismo. Segundo essa visão, este exato instante conteria toda a eternidade, e toda nossa vida seria uma bela, tocante e elaborada recusa de acordamos, aqui e agora, para o definitivo contato com essa eternidade. O conceito de "Deus" sugerido nos dois últimos parágrafos tem muito pouco a ver com a figura mítica antropoforme do cristianismo e muito mais a ver com um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;símbolo&lt;/span&gt; de uma experiência transcedente, embora possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, o trecho abaixo também tem outro mérito: revela a diferença entre o visionário e o louco. Enquanto o louco interpreta literalmente as experiências extraordinárias que lhe ocorrem, tratando-as como reais, o visionário percebe que são apenas símbolos - e assim as trata. O visionário olha para o alto e vê fogo das estrelas distantes, lembrando que as constelações &lt;span style="font-style: italic;"&gt;simbolizam&lt;/span&gt; deuses gregos mas não são esses deuses, e, enquanto isso, não deixa de olhar para baixo e  de cuidar para que o fogo de sua lareira se mantenha aceso durante o inverno. O ingênuo e tão querido Philip K. Dick, em algum momento da vida, infelizmente passou a literalizar os símbolos e, perdido no encantamento da luz das estrelas que tratava por deuses, deixou o fogo de sua lareira apagar. Morreu congelado.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;"&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Flow_My_Tears,_the_Policeman_Said"&gt;Flow My Tears the Policeman Said&lt;/a&gt;" é um livro que Philip K. Dick escreveu realmente rápido. O texto simplesmente fluiu através dele. Ele sentiu como se estivesse canalizando alguma coisa. Cerca de quatro anos depois da publicação do livro, Philip estava numa festa, na qual encontrou uma mulher que tinha o mesmo nome da personagem de sua história E ela tinha um namorado com o mesmo nome do namorado da personagem do livro, e ela estava tendo um caso com um delegado, e esse delegado tinha o mesmo nome do delegado que havia no livro. Então essa mulher começou a falar para Philip todas as coisas de sua vida, e tudo o que ela dizia estava no livro. Isso tudo assustou muito a Philip, e como podemos culpá-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então Philip K. Dick foi procurar um padre, e contou para o padre tudo, explicando como ele escreveu o livro e como, quatro anos mais tarde, essas coisas aconteceram. E quando ele estava contando a história, o padre disse, "Esse é o Livro dos Atos, o quinto livro do Novo Testamento. Você está descrevendo o 'Livro dos Atos'." E Philip disse "eu nunca li o 'Livro dos Atos'". E então ele foi para casa ler o tal 'Livro dos Atos', e foi assombroso. Até mesmo o nome dos personagens eram os mesmos que estavam na Bíblia. E o "Livro dos Atos relata fatos que teriam ocorrido no ano 50 Depois de Cristo, mesma época em que teria  supostamente sido escrito. E foi por isso que Philip K. Dick desenvolveu a teoria de que o tempo era uma ilusão e de que nós todos estamos, na verdade, em 50 DC. E, segundo essa teoria, o motivo de ele ter escrito o livro daquele jeito era porque, de alguma forma, Philip teria  momentaneamente ultrapassado a ilusão, o véu do tempo, e o que ele viu então era o que foi descrito no "Livro dos Atos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Philip realmente se interessou pelo Gnosticismo e por sua doutrina de que um "demiurgo" ou demônio teria criado essa ilusão de tempo para nos fazer esquecer que Cristo estava para voltar, e que o Reino de Deus logo chegaria. Todos nós estaríamos em 50 DC, enquanto alguém, uma entidade, estaria estaria tentando nos fazer esquecer que a chegada de Deus é iminente. E isso é o que o tempo seria, isso é o que toda a história humana desde 50 DC seria: apenas uma forma contínua de delírio ou distração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Deixe-me explicar a natureza do universo. Perceba, Philip K. Dick estava certo sobre o tempo, mas ele estava errado sobre aquela teoria de que estamos em 50 DC. O tempo é uma ilusão, mas não estamos em 50 DC, e sim estamos no momento presente. Na verdade, existe apenas um só instante, e é este exato momento aqui que é a Eternidade. E é neste instante que Deus está nos fazendo uma pergunta e a pergunta é basicamente "Você quer ser uno com a Eternidade? Você quer estar em pleno Reino dos Céus?". E nós todos estamos dizendo, continuamente: "Não, obrigado... por enquanto ainda não". E, assim, o tempo é, na verdade, apenas um contínuo dizer "Não" para o convite de Deus. Essa é a natureza do tempo. Existe apenas este único instante, e é apenas nele que nós todos estamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é, na verdade, a narrativa da vida de todas as pessoas. Por trás das diferenças entre nós, existe apenas uma só história, e essa história que compartilhamos é a história de irmos do "Não" para o "Sim". Toda a  nossa vida é "Não obrigado, não obrigado, não obrigado" ao convite que nos é feito. Até que um dia dizemos "Sim, eu vou nessa, sim eu aceito, sim eu abraço". Essa é nossa jornada."&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4999764987526243892?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4999764987526243892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4999764987526243892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/01/sim-e-nao.html' title='sim e não'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3XfCFSjNnUI/S7UhvfH8uEI/AAAAAAAAEkY/Et-epK8W6Y8/s72-c/pkdwithcat.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-3355918951821140990</id><published>2011-01-14T04:17:00.000-08:00</published><updated>2011-01-14T04:29:44.930-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #18</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Casual%20Friday/contardo-calligaris-thumb.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;h2 class="date-header"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;            &lt;div class="date-posts"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;          &lt;/div&gt;&lt;div class="post-outer"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="post hentry"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt; &lt;a name="1363679299213890767"&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Você sabe morrer?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="post-header"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="post-body entry-content"&gt; "No sábado passado, em São  Paulo, participei do evento  "A Vida nos  Tempos da Cólera",  promovido pela Atua, uma ONG  que proporciona  acompanhamento terapêutico para pacientes  da rede pública de saúde  mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante um diálogo que acontecia nesse contexto, Jurandir  Freire Costa lembrou um recente curta-metragem de Fernando Mozart,  "Porão", para observar que, nos jovens ex-soldados do narcotráfico  entrevistados no filme, manifestava-se uma disposição belicosa peculiar.  Eles não pareciam ser motivados pela intenção de arrancar posses, mas  pela vontade de ver o outro tremer na alça de mira. Nada de "passa a  bolsa", mas um requinte de irrisão: vamos ver se você ainda se faz de  bacana contemplando o buraco escuro do cano deste 38.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que  as bombas na zona  sul do Rio e os ônibus incendiados  e metralhados  falem a mesma linguagem: você tem alguma riqueza ou, simplesmente, um  trabalho, um futuro e uma casa para a  qual voltar, mas isso não basta;   para ser dono do pedaço, é preciso  saber morrer. Você topa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma  nova rodada do jogo do  mestre e do escravo. Segundo a regra inventada  (ou descoberta)  por Hegel, fica como mestre quem  está disposto a  arriscar a vida.  Quem prefere preservá-la é destinado a servir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora,  a certeza da morte iminente é o preço que os soldados do  tráfico pagam  para ser, por uma  temporada, donos do mundo. E  nós? Trememos diante  da arma  apontada porque achamos que  temos algo a perder. Quem treme   perde o jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio dessas reflexões, sábado à noite, fui  assistir, no Espaço  Satyros, a "A Filosofia na Alcova", peça de Rodolfo  Garcia Vasquez que adapta o livro do marquês de Sade. O espetáculo não   poupa nada da virulência do texto sadiano: masturbação, blasfêmia,  ingestão de urina e fezes, estupro anal e matricídio vão da  página  escrita para a cena, sem  sombras pudicas. A eventual indignação do  espectador não tem  por que endereçar-se à bravura  dos atores. Melhor  reservá-la para o que está sendo representado:  a crueza das gestas de  quem consegue abandonar a referência a  qualquer valor (convencional ou   divino).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é conhecida: na França do fim do século 18,  um casal  de libertinos impõe um curso acelerado de materialismo radical   (prático e teórico) a uma jovem  de "boa" ascendência. A jovem   aprende rápido: se Deus não existe e se a moral é só uma convenção  repressora, por que não perseguir o gozo a qualquer custo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A  Filosofia na Alcova" vale  também como uma premonição  social. Quando  Sade escrevia,  acabava de desmoronar um sistema em que o poder era um  atributo da nobreza do berço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava  surgindo uma nova classe  que  justificava sua autoridade apresentando-se como dona da moral,  ou  seja, dos valores burgueses da  família e do trabalho. Essa classe,  aos  poucos, ganharia em cinismo  e reconheceria a riqueza como  fundamento  de seu domínio.  Com isso, seus expoentes estariam  perto de realizar  este ideal libertino: um grupo que legitimasse sua  superioridade pela  demonstração  de sua insaciável vontade e capacidade de gozar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será  que a classe dominante  contemporânea realiza essa última figura? Será  que o asfalto e os  Jardins gozam, enquanto o morro  e a periferia  contemplam, petrificados talvez pela inveja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso. Podemos  ser cínicos, corruptos e devassos, mas nos falta a grandeza (por  sinistra que seja) das personagens de Sade. O libertino não se poupa  nunca, vive no dispêndio, persegue o gozo com uma dedicação digna de  melhores causas. O pretenso hedonista contemporâneo, ao contrário, é  mesquinho e avaro de si: sua procura do prazer é hesitante, incerta e  parasitada pelas precauções com as quais ele quer preservar saúde e  longevidade. "Hoje não, amanhã tenho que levantar cedo." "Antes do  jantar não, vai estragar meu penteado." A Ilha de Caras não é o castelo  dos libertinos, mas apenas um estúdio fotográfico: mais cedo ou mais  tarde, os excluídos da festa descobrem que não houve festa nenhuma, só  poses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dono de fábrica do século 19,  último à noite e primeiro  de manhã a assinar o ponto, plantado  com mulher e filhos na fileira da   frente da igreja, impõe respeito. O  libertino também impõe respeito   pela intransigência de seu gozo.  Ambos são mestres possíveis, pois   ambos invocam princípios pelos  quais estão prestes a sacrificar  suas  vidas: o primeiro morreria  para salvar "tradição, família e   propriedade"; o segundo, para arrancar-se um último orgasmo.  Eles podem  encarar a morte, porque têm uma idéia clara da vida  que querem viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não  é nosso caso. O cinismo não  nos tornou hedonistas, só insatisfeitos e  incertos. O materialismo  não nos libertou de convenções e  valores, só  nos levou a confundir  o bem com o bem-estar fisiológico. O desrespeito  às hierarquias  estabelecidas não nos tornou autônomos, só preocupados  com o  olhar dos outros. Não temos nenhuma razão pela qual morrer   porque não sabemos como viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém deve ter descoberto essa   banalidade. Por isso propõe uma  nova rodada do jogo do mestre e  do  escravo, aponta uma arma e  nos pergunta sardônico: será que  vocês  sabem morrer"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Contardo Carlligaris, artido para a Folha de São Paulo, publicado na edição de 22 de maio de 2003)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="post-body entry-content"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-3355918951821140990?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3355918951821140990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3355918951821140990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/01/casual-friday-18.html' title='casual friday #18'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4126339991370548367</id><published>2011-01-13T11:01:00.000-08:00</published><updated>2011-01-13T11:05:47.657-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verdade'/><title type='text'>verdade #5</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/verdade5.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4126339991370548367?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4126339991370548367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4126339991370548367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/01/verdade-5.html' title='verdade #5'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-234206813519707729</id><published>2011-01-12T09:38:00.001-08:00</published><updated>2011-01-12T09:42:33.714-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeça Talking'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Waking Life'/><title type='text'>medo ou preguiça</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://dreamstudies.org/wp-content/uploads/2009/10/waking-life.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Então, qual a sua resposta à pergunta final?&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Há dois tipos de sofredores neste mundo: aqueles que sofrem pela falta de vida e aqueles que sofrem pela superabundância de vida. Eu sempre me identifiquei com a segunda categoria. Quando você pensa a respeito disso, conclui que quase todo comportamento humano não é essencialmente diferente do comportamento animal. As tecnologias mais avançadas nos elevaram, no máximo, ao nível de um super-chimpanzé. Na verdade, a diferença entre, digamos, Platão e Nietzsche e o ser humano médio é maior do que a diferença entre um chimpanzé e o ser humano médio. O reino do verdadeiro espírito, do verdadeiro artista, santo ou filósofo, é raramente atingido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque tão poucos? Porque a história do mundo e da evolução não é a história do progresso mas, muito mais, a história da interminável e fútil adição de zeros à esquerda? Nenhum grande valor parece ter se desenvolvido. Ora, os gregos de três mil anos atrás eram tão avançados nisso quanto nós. Então o que são essas barreiras que mantêm as pessoas afastadas de atingirem ao menos parte de seu real potencial? A verdadeira resposta pode ser encontrada em outra questão, que é: qual é a mais universal característica humana – o medo ou a preguiça?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Louis Mackey, Professor de Filosofia da Universidade do Texas, no filme "Waking Life").&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-234206813519707729?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/234206813519707729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/234206813519707729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/01/medo-ou-preguica.html' title='medo ou preguiça'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-3917753869414322338</id><published>2011-01-04T04:00:00.000-08:00</published><updated>2011-01-04T12:16:51.214-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colapso'/><title type='text'>três desenhos de colapso</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem fui dormir me perguntando quantas pessoas apreciam o sono não só pelo que ele traz de descanso, mas também pelo que traz de vivências em mundos imaginados. &lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/06/percival-e-amfortas.html"&gt;Como disse antes&lt;/a&gt;, frequentemente lembro dos meus sonhos e quase sempre eles são, senão agradáveis, ao menos interessantes o suficiente para ter a sensação de que, neles, prossigo ativo e vivendo uma vida que possui sua própria lógica, diversa daquela do mundo desperto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sequência de sonhos que tive nesta noite está interligada, e o elo de ligação é o ato de escrever. Em todos os sonhos, o meu velho &lt;i&gt;notebook&lt;/i&gt;, onde escrevo todos os meus textos e escrevi "Colapso", ocupa o lugar central. No primeiro sonho, estou me queixando a um grupo de pessoas (que não estão identificadas, mas seriam familiares e conhecidos da família), dizendo a elas que não podem fazer todas as suas atividades sociais dentro meu quarto, pois isso atrapalha minha concentração. Peço, então, que procurem outros cômodos da casa para conversarem, de forma que eu tenha com um pouco de paz para escrever meu próximo livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No segundo sonho, estou na rua. Criei na calçada um pequeno espaço de habitação, uma espécie de escritório improvisado, onde o &lt;i&gt;notebook &lt;/i&gt;ocupa o lugar de honra. Estou lá escrevendo e, quando faço um breve intervalo para esticar as pernas, três sujeitos passam pela calçada. Um deles coloca o pé em cima do meu &lt;i&gt;notebook&lt;/i&gt;, como que ameaçando pisar com força e destruir o equipamento, sem, no entanto, levar a cabo sua ameaça, pois prosseguem na caminhada. Eu, que não tenho arma na vida real, grito para eles que aquele mero ato já seria motivo de retaliação e, se voltarem a fazê-lo, levarão bala. &lt;i&gt;And I mean it&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No terceiro sonho, um grande grupo de torcedores do Grêmio (tinha que ser...) resolveu se reunir em torno das traves de um gol, a pretexto de assistirem a um jogo ou fazerem algum tipo de celebração. O detalhe é que eu coloquei meu &lt;i&gt;notebook &lt;/i&gt;justo naquelas traves. Estou indo na direção deles, pretendendo passar pela turba e resgatar o &lt;i&gt;notebook &lt;/i&gt;antes que algo lhe aconteça. Agradeço estar usando um blusão da cor azul, de forma que não estranhem muito a minha intromissão em sua festa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os sonhos seguem uma sequência onde progressivamente a atividade da escrita (representada pelo seu instrumento físico, o &lt;i&gt;notebook&lt;/i&gt;) é exposta e, ao mesmo tempo, ameaçada pelo público. Do conforto do lar para a rua e dessa para um estádio de futebol. Esses sonhos manifestam as inquietações de quem decide escrever. Refletem, ainda, uma situação contraditória: quem escreve, assim o faz para que os outros leiam; porém, ao mesmo tempo, os outros são uma contínua ameaça ao ato de escrever. Os outros são necessários mas, ao mesmo tempo, um estorvo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não deve ser coincidência ter esses sonhos justo quando concluí o terceiro desenho de "Colapso". Ontem mesmo faltavam apenas alguns retoques, que hoje pela manhã terminei.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 556px; height: 793px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Colapso-CapituloI-Verso1.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Desenho que abre o primeiro capítulo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Colapso" terá doze desenhos, um por capítulo e outro adicional no final. Não se tratam de desenhos que ilustram os eventos do livro, mas de desenhos que Vladimir Durak, o protagonista, vê durante a história. Esses primeiros três desenhos são importantes pois possuem, de modo oculto, dicas a respeito do que Vladimir descobrirá ao final do livro. Há, ainda, outros significados e implicações para os desenhos. Mas, é claro, a graça é justamente não contar coisa alguma a respeito do que não é essencial para a leitura. ; -)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 556px; height: 793px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Colapso-CaptuloII-Verso1.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Desenho que abre o segundo capítulo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos que já viram esses desenhos ou o processo de sua elaboração sabem que não os considero definitivos. Há pelo menos dez anos eu já não desenhava com dedicação, e só aos poucos estou retomando a habilidade com o nanquim. Apenas no terceiro desenho eu comecei a me sentir realmente mais a vontade e livre para criar (ou "roubar" pois, no caso do demônio, eu descaradamente me inspirei na obra de Dürer "&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Knight,_Death_and_the_Devil"&gt;O Cavaleiro, a Morte e o Diabo&lt;/a&gt;").&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 556px; height: 791px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Colapso-CaptuloIII-Verso1.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Desenho que abre o terceiro capítulo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses desenhos são, portanto, esboços bem elaborados daqueles que, prometo a mim mesmo, um dia serão os oficiais. Mas eles servem, por enquanto, a seu propósito: tornar a leitura de "Colapso" uma experiência mais completa e, por outro lado, permitir que um editor tenha uma melhor ideia do projeto. Sim, é nesse ano de 2011 que vou arregaçar as mangas e tentar publicar meu primeiro livro. Os amigos podem torcer à vontade, que meu &lt;i&gt;notebook &lt;/i&gt;está aqui bem protegido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-3917753869414322338?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3917753869414322338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3917753869414322338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2011/01/tres-desenhos-de-colapso.html' title='três desenhos de colapso'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-2889132252194595524</id><published>2010-12-28T04:30:00.000-08:00</published><updated>2010-12-28T04:31:23.981-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verdade'/><title type='text'>verdade #4</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/savetheplanet.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-2889132252194595524?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2889132252194595524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2889132252194595524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/verdade-4.html' title='verdade #4'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4744718126272739956</id><published>2010-12-25T23:45:00.000-08:00</published><updated>2010-12-26T06:16:01.596-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natureza Humana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>um mundo de pessoas maravilhosas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 475px; height: 195px;" src="http://dailyqi.com/wp-content/uploads/2010/10/Screen-capture-from-The-Social-Network-movie-trailer.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Dia desses, fui ao cinema ver "&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Rede_Social"&gt;A Rede Social&lt;/a&gt;", de David Fincher, uma obra menor e sem grande relevo, com um roteiro que não chegou a empolgar. De qualquer modo, a história real, de como um rapaz tornou-se bilionário em questão de três, quatro anos, é fascinante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma semana, li um artigo muito antigo do &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Contardo_Calligaris"&gt;Contardo Calligaris&lt;/a&gt; para sua coluna na &lt;a href="http://www.folha.uol.com.br/"&gt;Folha&lt;/a&gt; (graças à uma amiga que compilou durante todos esses anos os artigos do psicanalista em um grande álbum de recortes) em que ele falava na alteração dos códigos de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status &lt;/span&gt;social: antigamente, as pessoas buscavam, por meio de alguma atividade lícita ou não, serem ricas; hoje em dia, as pessoas buscam, por meio de seu cartão de crédito, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;parecerem&lt;/span&gt; ricas - e isso lhes basta. Os indíviduos atualmente gastam mais energia preocupando-se em consumir produtos (roupas e relógios de grife, carros importados...) que a distingam de sua classe atual do que em efetivamente ascender a outra classe social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso ocorre, em primeiro lugar, porque os símbolos de riqueza anteriormente reservados apenas aos mais abastados estão, pela "democracia" de um capitalismo pautado pelo consumo, disponíveis a qualquer pessoa, bastando que tenha como pagar.  Em segundo ligar, recursos modernos como financiamento, parcelamento e outras formas traiçoeiras de crédito possibilitam a alguém da classe média ostentar os símbolos de riqueza que, antes, apenas eram acessível aos efetivamente ricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o mais importante, ao menos o que interessa para falarmos da ferramenta "Facebook" e da estrondosa populiaridade que tornou um rapazinho bilionário num piscar de olhos, é o aspecto psicológico dessa cultura. Afinal, se alguém adquire sinais exteriores de riqueza que não correspondem à sua verdadeira condição, é para encontrar no entorno social, para encontrar nos olhos dos estranhos que o observam na rua, nos bares e nas festas, enquanto circula com roupas caras e carro do ano, a aprovação e/ou a inveja de sua falsa situação. "Para a subjetividade da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;era do parecer&lt;/span&gt;", diz Calligaris, "não devemos o que somos nem ao berço nem às posses, mas ao olhar dos outros".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse artigo do Calligaris, como eu disse, foi escrito anos atrás, em 2001. Ou seja, já faz uma eternidade. Dez anos, na perspectiva da evolução tecnológica, é uma verdadeira geração onde várias revoluções ocorrem. Em 2001, não tínhamos ainda os Twitters, os Orkuts e os Facebooks da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Essas ferramentas da internet, creio, representaram uma nova mudança nessa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;era do parecer&lt;/span&gt;. Nossa busca da aprovação/inveja no olhar alheio atingiu, graças a tais novidades tecnológicas, um outro patamar: agora, não se trata mais de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;apenas&lt;/span&gt; parecer ser rico, mas sim de parecer ser feliz, bem realizado e cheio de amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ferramentas como o Facebook e o Twitter permitem que criemos uma "máscara" social de pessoas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;felizes&lt;/span&gt; (nos termos consensuais sobre o que seria alguém "feliz") diante de nossos amigos ou conhecidos, pois podemos selecionar as partes de nossa vida que serão publicamante expostas (salvo alguns azarados que têm irmãos sacanas &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YersIyzsOpc"&gt;como esse aqui&lt;/a&gt;). Não é, portanto, bem verdade que essas novidades tecnológicas representam uma invasão autorizada de nossa privacidade.  Mais exatamente, representam uma invasão criteriosamente autorizada de apenas aquelas partes de nossa privacidade que podemos mascarar com um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No filme "&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Rede_Social"&gt;A Rede Social&lt;/a&gt;", os personagens parecem atribuir o sucesso do Facebook ao fato de que seria a melhor ferramenta criada para as pessoas encontrarem umas as outras e estenderem à internet seu convívio social. Eu creio que isso é apenas verdade em parte. O sucesso do Facebook e do Twitter deve-se ao fato de que são as melhores ferramentas para as pessoas fazerem aquilo que não podem fazer com tanto apuro e controle na vida "real": selecionarem e maquilarem sua personalidade no convívio social, moldando como irão aparecer diante dos olhos dos outros. Da imagem que colocamos em nosso perfil às palavras, links, músicas e fotos que escolhemos diariamente publicar em nosso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status&lt;/span&gt;, todo mundo passa a ser &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Marqueteiro"&gt;marqueteiro&lt;/a&gt; de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maníaca depressiva, se observada exclusivamente pelo que expõe de si na  internet, aparenta ser uma mulher apenas temperamental e inteligente. O  solitário na vida real, um sujeito popular. O preconceituoso, tão só  alguém polêmico e contestador. E não precisamos recorrer a esses  exemplos caricatos: veja lá nossas fotos  daquela viagem a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bali"&gt;Bali&lt;/a&gt; ou  daquela festa  tão divertida, veja lá nossos comentários sobre o último  bar da moda que frequentamos ou a citação que tiramos da internet e que é  atribuída a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Clarice_Lispector"&gt;uma escritora&lt;/a&gt; da qual jamais lemos livro algum e que nos faz parecer tão inteligentes e sensíveis. Nossa, um  alienígena concluiria que somos todos felizes, repletos de amigos,  amores e realizações, além de sermos livres-pensadores com  opiniões abalizadas e, principalmente, cheios de humor fino.  Uma sociedade, em suma, de pessoas maravilhosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, o êxito do Facebook, do Twitter e do Orkut deve-se ao fato de que tais ferramentas possibilita às pessoas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;promoverem &lt;/span&gt;sua própria felicidade aparente, e uso a palavra "promoverem" no sentido propriamente publicitário. Todos somos promotores de nossa própria &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Persona_%28teatro%29"&gt;persona&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;virtual. O raciocínio que subjaz a essa nova onda de busca por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status &lt;/span&gt;social é importante: "se eu conseguir convencer os outros de que sou feliz e bem-sucedido, então é porque eu sou verdadeiramente feliz e bem-sucedido".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por tal razão que admiro aqueles que não têm vergonha de expor sua própria miséria  nessas ferramentas como Twitter e Facebook. São poucos, reconheço, mas eles me conquistam imediatamente. Nem que seja só um pequeno surto de sinceridade de alguém corajoso o suficiente para interromper a medíocre obviedade de seus habituais comentários: há, pelo menos, uma esperança. Prefiro um neurastênico depressivo sincero (nem que seja o &lt;a href="http://www.portocultura.com.br/literatura/index.php?id=8&amp;amp;idNot=8418"&gt;Rey Fontan&lt;/a&gt;), que extravasa suas lamúrias na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;web &lt;/span&gt;do que essa miríade de pessoas que, buscando convencer a si próprias sobre seu valor, no fundo não conseguem sair do lugar-comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(os comentários do blog estão meio esquisitos, alguns amigos já tinham reclamado; tentei comentar anteriormente dois comentários do Charlles e da Camila e eles simplesmente sumiram, sequer consegui salvá-los; acho que resolvi o problema, que tinha a ver com o controle de spams; mas se alguém não conseguir comentar, agradeço se avisar por email que o problema continua)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4744718126272739956?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4744718126272739956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4744718126272739956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/um-mundo-de-pessoas-maravilhosas.html' title='um mundo de pessoas maravilhosas'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7982338535990599729</id><published>2010-12-25T05:27:00.000-08:00</published><updated>2010-12-25T05:28:10.294-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagem'/><title type='text'>mais uma piada infame sobre natal e batman</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://26.media.tumblr.com/tumblr_l6h54czcDG1qzqzrjo1_500.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7982338535990599729?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7982338535990599729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7982338535990599729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/mais-uma-piada-infame-sobre-natal-e.html' title='mais uma piada infame sobre natal e batman'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-293458420596976060</id><published>2010-12-24T11:21:00.000-08:00</published><updated>2010-12-24T11:22:51.055-08:00</updated><title type='text'>porque só os maus não gostam de natal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/_6-IIXAF5HOE/TQDA80eLwYI/AAAAAAAAKwQ/fns-vqXd-y0/s800/Batmas.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-293458420596976060?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/293458420596976060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/293458420596976060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/porque-so-os-maus-nao-gostam-de-natal.html' title='porque só os maus não gostam de natal'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' 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da parte dos Swann como da parte dos meus pais, isto é, da parte dos que, em momentos diversos, pareceram erguer obstáculos, não se fazia mais nenhuma oposição a essa doce vida em que podia ver Gilberte como quisesse, com enlevo, senão com calma. Porém, calma é o que não pode haver no amor, visto que o que se obtém nunca passa de um novo ponto de partida para desejar mais. (...) Existe no amor um estado anormal, capaz de dar logo, ao acidente mais simples em aparência, e que pode sempre ocorrer, uma gravidade que, por si mesmo, tal acidente não comportaria. O que nos faz tão feliz é a presença, no coração, de alguma coisa instável que a gente procura constantemente manter em equilíbrio e que quase não percebemos enquanto não é deslocada. Na verdade, existe um sofrimento permanente no amor, que a alegria neutraliza, torna virtual, adia, mas que pode, a qualquer momento, transformar-se no que seria há muito tempo se a gente não tivesse obtido o que desejava: atroz."&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido - À Sombra das Moças em Flor, p. 445, tradução de Fernando Py).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4017372174383739586?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4017372174383739586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4017372174383739586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/ppp-porque-proust-e-phoda-4.html' title='PPP - Porque Proust é Phoda #4'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_ppp4.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4228480703584074821</id><published>2010-12-21T20:39:00.000-08:00</published><updated>2010-12-28T04:31:37.022-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verdade'/><title type='text'>verdade #3</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/fuckgod.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4228480703584074821?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4228480703584074821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4228480703584074821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/verdade-3.html' title='verdade #3'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4651641951864983916</id><published>2010-12-18T07:51:00.000-08:00</published><updated>2010-12-18T14:20:01.690-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teatro'/><title type='text'>hell</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_dsRvY1wbGQ0/TNYF6Jn83XI/AAAAAAAAFRU/uQUtVcae7M8/s1600/Alexandre+Heberte+06+NOV+(25).JPG" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste exato momento em que você esta aí, lendo meu texto, alguém mais muito mais rico do que você, muito mais bonito que do você e muito mais invejado do que você está transando fora de controle com alguém inacessível para você e em um lugar que você jamais terá condições materiais de conhecer. Essa pessoa, com toda certeza, teve e terá, antes e depois de você estar aí, lendo meu texto, experiências sensoriais, sexuais, gastronômicas e narcóticas muito além dos seus sonhos. No cômputo final de sua vida, essa pessoa terá vivido pra caralho, enquanto você... bem, você, classe média, feioso, cheio de obrigações, compromissos, responsabilidades, tem e sempre terá muito pouco para se consolar a respeito dos limites que o destino lhe impôs: talvez a religião ou alguma crença de contornos imprecisos sobre a existência de uma "justiça divina" lhe traga algum alento; quem sabe, uma filosofia pessoal pouco sistematizada sobre as virtudes da vida humilde, da vida alegremente singela e trabalhadora, junto aos familiares tão queridos e destinados às mesmas limitações que você, venha ao seu socorro; pode ser, até, que algum livro de auto-ajuda, com palavras edificantes sobre seu futuro, represente algum paliativo; quem sabe você esteja até no nível mais baixo da cadeia alimentar da autojustificação, e seja um daqueles que se comovem e se redimem diante de uma mensagem mal digerida e carregada de emocionalismo óbvio que algum colega de trabalho bem intencionado enviou por email em um &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Microsoft_PowerPoint"&gt;Power Point&lt;/a&gt; anexado. Lembre-se, use protetor solar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou você também pode ir no teatro e assistir a &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/807294-casal-hector-babenco-e-barbara-paz-leva-hell-ao-teatro.shtml"&gt;peça Hell&lt;/a&gt;. Não se espante com a linguagem calculadamente chocante, com os palavrões meticulosamente inseridos no texto, para dar a impressão ao público burguês de que ele está sendo confrontado: Hell é um conto-de-fadas - às avessas, mas ainda assim é um conto-de-fadas com uma mensagem moral ao fim da história. Não vemos a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cinderela"&gt;Cinderela&lt;/a&gt;, pobre e injustiçada, por fim encontrar seu Príncipe Encantado, mas vemos uma das filhas de sua madrasta indo de mal a pior em uma vida sem sentido. E a mensagem final é: sabe essa gente rica, famosa, bonita e dissoluta? São uns merdas, não enxergam sentido algum em suas vidas vazias, mergulham em orgias apenas para encontrar o desamor, compram objetos e roupas caríssimas apenas para enfeitar sua miséria espiritual, chafurdam em drogas e álcool apenas para acordar no vômito. Que beleza! Fecham-se as cortinas, o público levanta-se e aplaude entusiasmado, saindo do teatro plenamente desforrado, vingado, justificado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_KvUHPr_F5-U/TK4iNeSvYVI/AAAAAAAAAEE/C0b4KBEAPME/s1600/Hell.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não vou falar da surpreendentemente ótima atuação de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%A1rbara_Paz"&gt;Bárbara Paz&lt;/a&gt;, da maestria do &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%A9ctor_Babenco"&gt;Babenco&lt;/a&gt; e nem da cenografia porque não sou crítico de teatro. Tampouco vou falar da decadente existência daqueles para os quais a vida não apresenta desafio algum, senão o de usufruí-la. O que me interessa é o seguinte: e se não for assim, "decadente"? E se uma peça decidisse mostrar, esfregar realmente na cara da plateia, que os ricos, afortunados e belíssimos membros da nata da elite parisiense apesar de, sim, participarem vez ou outra de aventuras sexuais invejáveis, apesar de, sim, entregarem-se de vez em quando à excessos psicoquímicos, e apesar de, sim, esbanjarem dinheiro até o ponto em que nenhum bem material exerça sobre eles algum fascínio, passam, apesar disso tudo, por tais experiências relativamente ilesos e de forma a não lhes faltar amor, sentido, motivação e petulante alegria para o resto de seus dias? A plateia sairia do teatro tão tranquila assim se o final da peça fosse outro e, por ele, o público intuísse que os ricos são simplesmente mais felizes e aos demais nada resta senão talvez a crença metafísica de que tais pessoas, em outra vida após essa, pagarão por serem tão absolutamente sortudas? E haveria, afinal de contas, alguma plateia para ter tal situação escarrada em sua cara?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse é um dos dilemas de todo artista. Porque todo artista observa as cordas que puxam os marionetes que são seu semelhantes - sendo ele próprio também uma marionete tal qual todos os outros -, e sente uma vontade enorme de, às vezes, dar um puxão nessas cordas para que os outros percebam, ou pelo menos intuam, por alguns segundos, a sua verdadeira condição. Porque? Por espírito de porco. Ou talvez seja porque o artista desconfia de que é justo do nojo, do incômodo, do contragosto, do desprazer plantado no público, que alguém algum dia (não ele, esse arrematado covarde que só sabe chutar o pau da barraca e gritar que o rei está nu) faça alguma coisa - seja essa coisa um ato de destruição ou de criação. A questão, porém, é: que público teria o artista que assim esfregasse na cara da plateia o quão irremediávelmente é medíocre sua vida, senão aquelo restrito clubinho de chatos e pernósticos que, assim como ele, são proprietários da mesma morbidez pela verdade? É quase nenhum público, rigorosamente falando, face à penúria dessas probres almas que falam de alta literatura, alto teatro, alta música, alta filosofia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, faz muito bem o artista quando decide largar esses intelectuais e acolher um público mais numeroso e menos anêmico, colocando-o em seu colo para entoar um conto de fadas até que todos durmam e sonhem alguma fantasia sobre a ditosa fortuna de sua humilde vida. Talvez ele assim consiga um dia, por seu turno, chegar lá onde os sortudos ricaços estão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4651641951864983916?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4651641951864983916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4651641951864983916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/hell.html' title='hell'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dsRvY1wbGQ0/TNYF6Jn83XI/AAAAAAAAFRU/uQUtVcae7M8/s72-c/Alexandre+Heberte+06+NOV+(25).JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-2454071548415742848</id><published>2010-12-17T12:50:00.000-08:00</published><updated>2010-12-28T04:31:53.249-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verdade'/><title type='text'>verdade #2</title><content type='html'>&lt;img style="width: 578px; height: 578px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/4312760358_277c3cdbdd_z.jpg" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-2454071548415742848?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2454071548415742848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2454071548415742848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/verdade-2.html' title='verdade #2'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_4312760358_277c3cdbdd_z.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-3276234830283027533</id><published>2010-12-17T11:12:00.000-08:00</published><updated>2010-12-17T11:21:23.497-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #17</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/manoeldebarros3.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Manoel de Barros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;Carrego meus primórdios num andor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha voz tem um vício de fontes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria avançar para o começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegar ao criançamento das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá onde elas ainda urinam na perna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes mesmo que sejam modeladas pelas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a criança garatuja o verbo para falar o que não tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegar no estame do som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser a voz de um lagarto escurecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrir um descortínio para o arcano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-3276234830283027533?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3276234830283027533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3276234830283027533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/casual-friday-17.html' title='casual friday #17'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-5827183881306516385</id><published>2010-12-15T11:55:00.000-08:00</published><updated>2010-12-28T04:32:06.348-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verdade'/><title type='text'>verdade #1</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://26.media.tumblr.com/tumblr_l9s3ztqzAE1qdtwn7o1_500.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-5827183881306516385?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5827183881306516385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5827183881306516385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/verdade-1.html' title='verdade #1'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-271355214765822310</id><published>2010-12-14T17:26:00.000-08:00</published><updated>2010-12-15T19:32:01.188-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Olho Nu'/><title type='text'>29ª Bienal e Masp</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/bienal001.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(todas obras mencionadas ou fotografadas estavam na Bienal ou se encontram no Masp)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em que ponto a arte perdeu seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status&lt;/span&gt; entre nós? Sério, isso não é uma questão acadêmia. Ao contrário, é uma questão essencial para nossos destinos, pois o objetivo da arte, outrora, era ambicioso: nada mais que expressar as mais sagradas situações humanas (a morte, o sexo, a guerra, o nascimento, o terror,  o gozo, o medo, o bem, o mal,...). E dar forma às vivências humanas, representá-las diante dos olhos de um público, era terapêutico. A arte era uma espécie de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cura&lt;/span&gt;, ao menos temporária, para a angústia dos homens, uma espécie primitiva de psicologia analítica misturada com liturgia - "liturgia" pois, até poucos séculos atrás, a arte estava  vinculada à religiosidade em praticamente todas as as civilizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;queda&lt;/span&gt; da arte é não me saiu mais da cabeça quando, ao visitar a &lt;a href="http://www.fbsp.org.br/29_bienal-pt.html"&gt;29ª Bienal&lt;/a&gt; em um dia e o &lt;a href="http://www.masp.art.br/"&gt;Masp&lt;/a&gt; no outro, tive a sensação de quem mergulhou numa piscina de água fresca após tomar uma ducha escaldante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me entendam mal. Não é que eu desmereça o esforço dos artistas contemporâneos, buscando achar uma forma de expressão significativa e, ao mesmo tempo, inovadora, da realidade humana. É que esse esforço parece estar sendo conduzido para o caminho errado. Em algum lugar do século vinte, entre a Segunda Grande Guerra e a Guerra Fria, o empenho dos artistas pareceu desviar-se para uma trilha escura, até que todos se perderam no pântano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase todos, sejamos justos. Na Bienal, vi coisas dignas de nota, é verdade. Talvez dali surja algum grande talento, sei lá eu. Não havia nenhum &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lucian_Freud"&gt;Lucien Freud&lt;/a&gt;, claro - até porque parece que essa história de tela e de tintas é, hoje em dia, entre os artistas, considerada coisa de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;loser&lt;/span&gt;. Mas havia obras dignas de menção, embora nada que sobreviva a uma segunda análise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 508px; height: 369px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/peoes001.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Temos, assim, as fotografias de &lt;a href="http://alessandrasanguinetti.com/"&gt;Alessandra Sanguinetti&lt;/a&gt;, que decidiu capturar o &lt;a href="http://gatomacaco.blogspot.com/2010/12/bienal-de-sp-alessandra-sanguinetti.html"&gt;amadurecimento de duas meninas até a idade adulta&lt;/a&gt;. Temos &lt;a href="http://www.davidclaerbout.com/"&gt;David Claerbout&lt;/a&gt;, com um comovente jogo de capturas simultânea e em alta definição de uma cena realmente tocante e retratada na capital da Argélia (foi o que eu mais gostei na Bienal). Temos o "&lt;a href="http://gatomacaco.blogspot.com/2010/12/bienal-de-sp-andrew-esiebo.html"&gt;God is Alive&lt;/a&gt;" de &lt;a href="http://www.29bienal.org.br/FBSP/pt/29bienal/participantes/Paginas/participante.aspx?p=27"&gt;Andrew Esiebo&lt;/a&gt;. Temos &lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/09/gil-vicente-e-pataquada-da-oabsp.html"&gt;esse cara aqui&lt;/a&gt; e temos, por fim, aquela que foi a experiência mais impactante para mim, &lt;a href="http://amarkanwar.com/"&gt;Amar Kanwar&lt;/a&gt; e sua mistura de documentário e instalação visual na qual relata os horrores dos conflitos na Caxemira, principalmente os abusos cometidos contra mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disso tudo, porém, restou na lembrança apenas uma recordação fria após visitar o Masp que, pela primeira vez, estava ele próprio sendo &lt;a href="http://masp.art.br/masp2010/exposicoes_integra.php?id=78&amp;amp;periodo_menu="&gt;objeto da intervenção de uma artista plástica&lt;/a&gt;. Eu sei: evidentemente, não posso comparar uma exposição que lança um olhar no caos da experimentação artística, com o acervo de um museu que detém algumas obras mais representativas da civilização ocidental. Ainda assim, ainda que esteja cioso da impossibilidade de efetuar uma comparação justa entre o novo original e o velho celebrizado, não me foge da cabeça a suspeita de que os rumos dos novos artistas não são promissores o suficiente para que, algum dia, desemboquem em um gênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 471px; height: 353px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/gilvicente.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Assim, não há instalação que me prometa algum dia dar origem a algo como as &lt;a href="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/bosch_santo_antonio.jpg"&gt;Tentações de Santo Antônio de Boch&lt;/a&gt;, Não há recurso multimídia algum que possa algum dia produzir algo da expressividade de meu mestre &lt;a href="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Amedeo_modigliani_-_retrato_de_diego_rivera_02.jpg"&gt;Diego Rivera quando retratado por Modigliani&lt;/a&gt;. Não há fotografia alguma que nos apreenda e torne todo o resto do mundo ao nosso redor apenas sua moldura de contornos incertos, tal como as intensas pinceladas do &lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/archive/0/08/20100104002309%21Van_gogh_-_oescolar06.jpg"&gt;Escolar de Van Gogh&lt;/a&gt; são capazes de fazer. Não entendo, ou talvez seja ingênuo demais para compreender, como &lt;a href="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/isso001.jpg"&gt;isso&lt;/a&gt; pode algum dia dar &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_KNW8-7G0J5c/S7s3eGu1h1I/AAAAAAAAASc/bjnBDwwg_7Y/s1600/Van+Gogh.+Passeio+ao+crep%C3%BAsculo.JPG"&gt;nisso&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu seja só antiquado. De qualquer forma, isso só significa que eu discorde dos caminhos de hoje, e não que eu não acredite haver caminho algum que seja promissor. A questão é que precisamos procurá-lo e parece que o olhar deve  se dirigir ao sentido contrário do atual.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-271355214765822310?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/271355214765822310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/271355214765822310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/29-bienal-e-masp.html' title='29ª Bienal e Masp'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_bienal001.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7477490943943096904</id><published>2010-12-14T12:12:00.001-08:00</published><updated>2010-12-14T12:12:30.138-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Olho Nu'/><title type='text'>assim poderemos abalar o mundo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://27.media.tumblr.com/tumblr_lcwjqycD3w1qz4x8xo1_500.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7477490943943096904?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7477490943943096904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7477490943943096904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/assim-poderemos-abalar-o-mundo.html' title='assim poderemos abalar o mundo'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-654566533892111586</id><published>2010-12-13T16:16:00.000-08:00</published><updated>2010-12-14T09:22:08.274-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><title type='text'>então, meu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 522px; height: 347px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Ql5BArWeDqQ/TPljecGpH2I/AAAAAAAAK9c/cxR6x74gS-Q/s1600/6.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Natal na Avenida Paulista. E tinha muito mais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algumas das grandes verdades são completos chavões, o tipo de coisa que, quando mais jovens, nos recusamos a aceitar. Uma delas é a de que as amizades de um homem são sua maior riqueza. Eu diria mais: são sua única riqueza. E, mesmo ranzinza e temperamental como sou, agradeço a sorte de ser extremamente rico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pela quantidade, mas pela qualidade das preciosas amizades que tenho. E, entre elas, muitas são mulheres. Vocês que estão lendo este texto e são minhas amigas sabem muito bem disso e se reconhecem aqui: almoçamos uma vez por mês no mínimo ou volta e meia arranjamos um joutro eito de nos encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para alguns homens, ter uma verdadeira amizade com uma mulher é algo impossível, e não foram poucos os que me disseram não acreditar na amizade verdadeira entre um homem e uma mulher. Curiosamente, são justo aqueles sujeitos cuja dificuldade nos relacionamentos amorosos me chama muito a atenção. Para amar uma mulher, é preciso ser amigo das mulheres. Coitados, os medrosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não pensem que só os homens têm esse preconceito. Há mulheres que pensam assim. Não foram também poucas as vezes em que uma mulher interpretou meu desejo de nutrir uma intimidade mútua como uma disfarçada tentativa de um lobo atacar. Algumas se ofereceram ao ataque de forma equivocada, e outras se esquivaram da amizade julgando-a um cortejo e, assim, perderam a oportunidade de ganharem um bom amigo. Coitadas, as medrosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a &lt;a href="http://liebe87.blogspot.com/"&gt;Alícia&lt;/a&gt; não teve medo algum (sim, aqui saímos das abstrações para falarmos do assunto principal). É uma das pessoas mais corajosas e autênticas que conheço. Certo dia, alguns meses atrás, recebi uma mensagem privada pelo &lt;a href="http://twitter.com/victorlisboa"&gt;Twitter&lt;/a&gt; de uma menina que, sem jamais me ter visto na vida, me procurava em virtude de uma &lt;a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/10/13/anticristo-de-lars-von-trier/"&gt;interpretação que eu fizera do filme Anticristo&lt;/a&gt;&lt;a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/10/13/anticristo-de-lars-von-trier/"&gt; no blog de Milton Ribeiro&lt;/a&gt;. E mais: na segunda mensagem que trocamos pelo Twitter, ela pediu meu MSN. Vocês acham que ela estava flertando com um desconhecido? Coitado de você que tem uma mente tão pequena. "Quem é essa doida?", eu pensei. Bom, de doida ela não tinha nada. De confiante e  adorável, muito. Alícia logo se revelou uma grande amiga. Em poucas semanas, começamos a conversar sobre tudo como se fôssemos velhos camaradas. Ficamos solteiros e nos envolvemos em novos relacionamentos sem jamais deixar de dar as notícias um ao outro sobre essas histórias. Ela me apresentou o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Barros"&gt;Manoel de Barros&lt;/a&gt; e eu lhe dei alguns bons conselhos sobre algumas complicações de  sua vida pessoal (bem, isso foi, pelo menos, o que ela me disse). Acompanhei um pouco do rápido processo de transformação de uma "piveta" de Indaiatuba em uma mulher de vinte e três anos da capital paulista. No meu aniversário, ela escreveu um email em que mostrou para mim a riqueza que era contar com sua amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem leu posts como &lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/09/gil-vicente-e-pataquada-da-oabsp.html"&gt;esse&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/o-alfabeto-endurecido-de-leon-ferrari.html"&gt;esse&lt;/a&gt; sabe que curto artes plásticas e, &lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/10/swu-2010.html"&gt;na volta do SWU&lt;/a&gt;, bateu a maior tristeza de não ter conseguido ficar mais um dia em São Paulo para acompanhar a &lt;a href="http://www.fbsp.org.br/29_bienal-pt.html"&gt;29ª Bienal&lt;/a&gt;, que se encerraria neste domingo. Foi na semana passada que, graças a um feriado específico de meu cargo, pude aproveitar para viajar à terra da garoa e assim curtir a última semana da exposição. Vambora pegar avião! &lt;a href="http://twitter.com/reyfontan"&gt;Rey Fontan&lt;/a&gt;, para minha tristeza, não estava na cidade. Então mandei um email repentino para a Alícia dizendo que estaria em São Paulo neste fim de semana, algo totalmente repentino. Finalmente conheceria aquela amiga maluca com quem já conversara por dezenas horas. Ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês acham que ela se esquivaria, desconfiada? Ora, seu apelido é "&lt;a href="http://pt.wiktionary.org/wiki/Liebe"&gt;Liebe&lt;/a&gt;", e acredito não haver alcunha mais apropriada para quem é um amor de pessoa. Boba ela não era, mas tampouco era medrosa: tinha capacidade de julgar as pessoas mesmo à distância. É, na verdade, uma das criaturas mais meigas que conheço e se tornou uma verdadeira irmã. Além disso, é a perfeita anfitriã. A partir de agora, São Paulo e Alícia serão associações simultâneas na minha cabeça. Durante minha estadia, ela me apresentou um pouco de tudo que há na cidade. Além dos programas que fiz sozinho, como a Bienal e a visita ao &lt;a href="http://www.masp.art.br/"&gt;MASP&lt;/a&gt;, ela me apresentou a noite &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cool&lt;/span&gt; da &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vila_Madalena"&gt;Vila Madalena&lt;/a&gt; e a noite &lt;span style="font-style: italic;"&gt;roots&lt;/span&gt; da &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rua_Augusta_%28S%C3%A3o_Paulo%29"&gt;Rua Augusta&lt;/a&gt;, me levou ao &lt;a href="http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/prog_teatro.asp"&gt;Teatro da Fiesp&lt;/a&gt; para assistir &lt;a href="http://lolamag.abril.com.br/cultura/em-cartaz/peca-hell-dirigida-por-hector-babenco-estreia-em-sp/"&gt;uma peça dirigida por Hector Babenco&lt;/a&gt; e à &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Galeria_do_Rock"&gt;galeria do rock&lt;/a&gt; para ver &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%B3tico_%28estilo_de_vida%29"&gt;góticos&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Headbanger"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;headbangers&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rockabilly"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;rockabillies&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; paulistanos. Fomos comer pastel engordurado em uma esquina paulista às quatro da madrugada (pelo escorchante preço de três reais!!!) e caminhamos por quadras e quadras às seis da matina ainda levemente ébrios até a estação de metrô. Curtimos uma linda &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Avenida_Paulista"&gt;Avenida Paulista&lt;/a&gt; vestida para o Natal e o feio entorno do &lt;a href="http://www.mercadomunicipal.com.br/"&gt;Mercadão&lt;/a&gt;, onde vimos edificações que até mesmo nela causaram horror. Graças a Alícia, aprendi a andar sozinho no labiríntico metrô de São Paulo e, depois de uma manhã em que desvendei  por mim mesmo a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tentacular&lt;/span&gt; Livraria Cultura de lá, nos encontramos diante do &lt;a href="http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/"&gt;Museu da Língua Portuguesa&lt;/a&gt; onde vivenciamos uma tocante homenagem contemporânea aos poetas brasileiros, sob a forma de uma apresentação multimídia praticamente hipnótica. Terminamos rangando na &lt;a href="http://www.bellapaulista.com/"&gt;Bella Paulista&lt;/a&gt;. No último dia, ela já se admirava das coisas com um "tri legal" e eu já iniciava as frases com um "Então, meu...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa semana aqui no blog vou falar um pouco daquilo que curti lá, como a Bienal, o Masp e a peça do Babenco. Portanto, é uma semana em que há um toque de &lt;a href="http://liebe87.blogspot.com/"&gt;Liebe&lt;/a&gt; em cada post, certo mano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ah sim, como ninguém é perfeito, ela é corintiana)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-654566533892111586?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/654566533892111586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/654566533892111586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/entao-meu.html' title='então, meu'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Ql5BArWeDqQ/TPljecGpH2I/AAAAAAAAK9c/cxR6x74gS-Q/s72-c/6.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7229408759196542430</id><published>2010-12-06T03:01:00.000-08:00</published><updated>2010-12-06T08:43:26.914-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><title type='text'>hugo race em porto alegre</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 515px; height: 386px;" src="http://lh6.ggpht.com/_R72zsOqb9cM/TPxUUgifmAI/AAAAAAAADEY/BKZrV-RnZ-0/HUGO%20RACE%20-%20poa%28006%29.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:courier new;font-size:100%;"  &gt;Hugo Race, foto cortesia do &lt;a href="http://ausgestalt.blogspot.com/"&gt;Mestre&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem rolou no &lt;a href="http://www.santandercultural.com.br/institucional/conceito.asp"&gt;Santander Cultural&lt;/a&gt; o som visceral de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hugo_Race"&gt;Hugo Race&lt;/a&gt;, que se juntou a nós, simpático e simples, quando fomos dar uma banda na Cidade Baixa. E em que bar vocês pensam que decidiram levar o gringo? No mais tosco, folclórico e whatthefuck lugar de Porto Alegre. Sim, senhoras e senhores, levaram-no para o &lt;a href="http://vejabrasil.abril.com.br/porto-alegre/bares/van-gogh-29635/"&gt;Van Gogh&lt;/a&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;[ironic mode on]&lt;/span&gt; cujas paredes, vocês bem sabem, ainda estão manchadas com o sangue de &lt;a href="http://reyfontan.blogspot.com/"&gt;Rey Fontan&lt;/a&gt;, vitimado, em diversas ocasiões, por brutos que não compreendiam a sensibilidade e dor de nosso poeta maior &lt;span style="font-style: italic;"&gt;[ironic mode off]&lt;/span&gt;. Não entendi muito a escolha do lugar, mas quem se importa com isso quando, na mesma mesa e bebendo vinho em confraternização, está-se ao lado de Hugo Race e dos simpáticos membros daquela que, com toda certeza, é a mais fodástica banda gaúcha, &lt;a href="http://br.myspace.com/damnlaservampires"&gt;Damn Laser Vampires&lt;/a&gt;? (aliás, eles vão se apresentar em Little Falls no próximo sábado, informem-se).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas voltando ao meu xará, essa ele tocou ontem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-V8lv8UJrmI?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/-V8lv8UJrmI?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Por fim, a noite terminou com  desmistificação documentada. É que surgiu por aí uma celeuma a respeito de certas marcas que apareceram em minhas costas, suscitando teorias de que eu fora vitimado por alguma selvagem de longas unhas. Até lamento nem sempre fazer jus à reputação, mas, frequentemente, a verdade é bem mais prosaica. E ontem, no final da noite, indo visitar o ninho do &lt;a href="http://www.myspace.com/metroidemetroide"&gt;casal metroidE&lt;/a&gt;, tive a oportunidade de documentar, com a ajuda do &lt;a href="http://ausgestalt.blogspot.com/"&gt;Mestre&lt;/a&gt;, um novo ataque da tal criatura selvagem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 509px; height: 381px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/yoshi001.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:courier new;font-size:100%;"  &gt;Eu e Yoshi, a única companhia&lt;br /&gt;que me lambeu a orelha ontem de noite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7229408759196542430?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7229408759196542430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7229408759196542430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/hugo-race-em-porto-alegre.html' title='hugo race em porto alegre'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_R72zsOqb9cM/TPxUUgifmAI/AAAAAAAADEY/BKZrV-RnZ-0/s72-c/HUGO%20RACE%20-%20poa%28006%29.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7350633214437680424</id><published>2010-12-04T11:12:00.000-08:00</published><updated>2010-12-04T19:41:33.648-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Proust'/><title type='text'>PPP - Porque Proust é Phoda #3</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Mas o gênio e até o grande talento decorrem menos de elementos intelectuais e de refinamento social superiores aos de outrem, que da faculdade de transformá-los, de transpô-los. Para aquecer um líquido com uma lâmpada elétrica, não é o caso de se ter a mais forte lâmpada possível, porém uma cuja corrente possa deixar de iluminar para ser desviada e fornecer calor em vez de luz. Para passear nos ares, não é preciso dispor do mais possante automóvel, e sim de um automóvel que, sem continuar a correr no solo e cortando com uma vertical a linha que seguia, seja capaz de converter em força ascencional a sua velocidade horizontal. Da mesma forma, aqueles que produzem obras geniais não são os que vivem no ambiente mais delicado, que tem a mais brilhante conversação, a mais extensa cultura, mas aqueles que tiveram a força de, cessando de viver bruscamente para si mesmos, tornar sua personalidade semelhante a um espelho, de tal forma que sua vida, aliás por mais medíocre que possa ser do ponto de vista mundano e até, num certo sentido, intelectualmente falando, nele se reflita, consistindo o gênio no poder refletor e não na qualidade intrínseca do espetáculo refletido."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7350633214437680424?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7350633214437680424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7350633214437680424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/ppp-porque-proust-e-phoda-3.html' title='PPP - Porque Proust é Phoda #3'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-283611770204252510</id><published>2010-12-03T14:15:00.000-08:00</published><updated>2010-12-03T14:57:39.344-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><title type='text'>thelonious monk with john coltrane</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Thelonious-Monk-at-Town-Hall-in-New-York.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo mundo que me conhece sabe que sou mega fã do &lt;a href="http://www.allaboutjazz.com/php/musician.php?id=9507"&gt;Thelonious Monk&lt;/a&gt;. Impossível não ser após conhecer sua música - mas, se alguma resistência à tietagem mais escancarada ainda restar, basta assistir ao documentário de Charlotte Zwerin (que, pelo que sei, não fez mais nada de notável depois), "&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Thelonious_Monk:_Straight,_No_Chaser"&gt;Straight, No Chaser&lt;/a&gt;", para que o vivente se entregue por vez: gênio, malucão e visionário, Monk é daqueles artistas que, no ecossistema de sua arte, ocupa um nicho próprio e particular, capaz de atrair certo tipo de fã, digamos assim, visceral.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, no meu caso, ainda há um motivo a mais. Foi através de Monk que "me introduzi" no jazz, essa coisa que alguns acham "metida" mas que é, na verdade, muito divertida. Bem, na verdade, foi com um tributo a Monk: um CD que, mesmo quando toda a música do mundo virar &lt;i&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Streaming"&gt;streamings&lt;/a&gt; &lt;/i&gt;impalpáveis em uma rede neural e caótica, eu ainda guardarei como um artefato pessoal, uma relíquia íntima. Trata-se de &lt;a href="http://www.amazon.com/Love-Monk-Various-Artists/dp/B000005BE7"&gt;For the Love of Monk&lt;/a&gt;, um dos &lt;a href="http://howardm.net/tsmonk/recordsx.php"&gt;vários tributos&lt;/a&gt; prestados ao mestre. Foi uma iniciação &lt;i&gt;hardcore&lt;/i&gt;, garanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas este &lt;i&gt;post &lt;/i&gt;é sobre um álbum específico. Se você não conhece jazz e não está a fim de uma iniciação &lt;i&gt;hardcore&lt;/i&gt;, e sim de uma experiência suave mas, ao mesmo tempo, sofisticada, eu tenho A recomendação. O que você acha de não apenas um gênio, mas DOIS gênios do jazz tocando as composições de Monk? Trata-se do álbum "&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Thelonious_Monk_with_John_Coltrane"&gt;Thelonious Monk with John Coltrane&lt;/a&gt;". É uma pequena pérola que considero obrigatória. Ali, você tem algumas das obras mais famosas de Monk, laboradas pelo próprio ao lado do também megamonstrotiranossauricorex &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_Coltrane"&gt;Coltrane&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abaixo vai uma palhinha:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/YrcvhK6QVR0?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/YrcvhK6QVR0?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quer baixar? Então vá &lt;a href="http://thepiratebay.org/torrent/5927135/Thelonious_Monk_with_John_Coltrane_(1958)[Vinyl-180g]-aksman_"&gt;neste link aqui&lt;/a&gt; (não clique no botão grandão "Download", mas no menor, onde se lê "Baixar este Torrent"). Claro, ser incauto que nada sabe dos meandros da rede, antes você precisa de um bom programa de &lt;i&gt;torrent&lt;/i&gt;, &lt;a href="http://www.utorrent.com/intl/pt/"&gt;como esse aqui&lt;/a&gt;. Qualquer dúvida, mande um email para o tio Victor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-283611770204252510?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/283611770204252510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/283611770204252510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/thelonious-monk-with-john-coltrane.html' title='thelonious monk with john coltrane'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_Thelonious-Monk-at-Town-Hall-in-New-York.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-701379713537558460</id><published>2010-12-03T05:46:00.000-08:00</published><updated>2010-12-03T05:59:55.505-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #16 (especial)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Zanota mandou essa poesia ontem sem indicar o autor. Ao ser questionado, me disse que era de sua autoria. Fala sério. Achei que era troça, mas não. Troça nenhuma. O cara tem talento! Tiago Zanotelli escreveu esses intensos versos e é com orgulho que publico aqui no blog o seu trabalho:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/32108605.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Imagem de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Carl_Jung"&gt;C. G. Jung&lt;/a&gt;, para seu famoso &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Red_Book_(Jung)"&gt;The Red Book&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div&gt;In this wrecked world of ours,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;unresistingly they come, waves of destiny.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;The once hopeless observer of the unfolding panorama&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sits in silence awaiting for the hour of the uprush.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Now he knows his role will be fulfilled;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;shraddha deep-seated in his heart.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dancing forever to and fro&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;in this boundless and all-embracing frontier war,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;at once he pays allegiance to the right side,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;knowing that his best can never be enough.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;His life he gives to posterity,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;like a torch lit on blood&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;forever glowing to understanding eyes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Now he knows his role will be fulfilled;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;his hands can only raise that noblest of flags.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Oh daring one who defies and frustrates fate!&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-701379713537558460?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/701379713537558460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/701379713537558460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/12/casual-friday-16-especial.html' title='casual friday #16 (especial)'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_32108605.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-230165830322048446</id><published>2010-11-26T15:27:00.000-08:00</published><updated>2010-11-26T15:36:32.200-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #15</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa letra diz tudo para alguns:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src="http://player.vimeo.com/video/10372748?title=0&amp;amp;byline=0&amp;amp;portrait=0" width="551" height="413" frameborder="0"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-230165830322048446?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/230165830322048446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/230165830322048446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/11/casual-friday-15.html' title='casual friday #15'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-1048885017837940434</id><published>2010-11-14T12:32:00.000-08:00</published><updated>2010-12-22T10:45:24.225-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Proust'/><title type='text'>PPP - Porque Proust é Phoda #2</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 500px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Proust.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz tempo que não coloco nada nessa categoria, mas eu havia largado a leitura de Proust por uns tempos. Nesse trecho, Proust fala da célebre sonata ficcional  o Sr. Vinteuil, aquela cuja famosa "frase" o leitor chega a quase ouvir quando lê sua precisa descrição no tomo "No Caminho de Swann", um tanto embasbacado por notar que Swann não deseja Odette por si própria, e sim por associá-la a essa frase musical. Aqui ele a retoma, mas para fazer considerações sobre as obras que só a posteridade descobre, assim como a boa música, muitas vezes, exige de nós tempo e reiteradas audições para ser verdadeiramente apreciada:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"(...) Na sonata de Vinteuil, as belezas que se descobrem mais rapidamente são também as que cansam mais cedo e sem dúvida pela mesma razão, ou seja, que elas diferem menos daquilo que já se conhece. Mas, quando estas são afastadas, resta-nos amar a tal frase, cuja ordenação, por demais nova para oferecer ao nosso espírito nada além de confusão, a mantivera indiscernível e conservara intacta; e aí então, ela, diante da qual passávamos todos os dias sem o saber que se reservara, que pelo poder de sua exclusiva beleza se tornara invisível e permanecera desconhecida, ela nos chega por último. Mas também a deixaremos por último. E iremos amá-la durante muito mais tempo que às outras, pois teremos levado muito mais tempo até a amar. Ademais, esse tempo de que precisa um indivíduo - como me foi preciso a respeito dessa Sonata - para penetrar numa obra um pouco profunda, é a súmula e como que o símbolo dos anos, por vezes dos séculos, que se escoam antes que o público possa amar uma obra-prima verdadeiramente nova. Talvez por isso o homem de gênio, para evitar as incompreensões da turba, considere que, visto faltar aos contemporâneos a necessária distância, as obras escritas para a posteridade só deveriam ser lidas por ela, como certas pinturas que avaliamos incorretamente de muito perto. Mas na realidade, toda precaução desprezível para evitar os falsos julgamentos é inútil, pois eles não podem ser evitados. O que faz com que uma obra de gênio dificilmente seja admirada de imediato é que aquele que a escreveu é extraordinário, poucas pessoas se lhe assemelham. Sua própria obra é que, fecundando os raros espíritos capazes de compreendê-la, os fará crescer e se multiplicar. Foram os próprios quartetos de Beethoven (os de número XII, XIII, XIV e XV) que levaram cinquenta anos para fazer nascer e crescer o público dos quartetos de Beethoven, realizando assim, como todas as obras-primas, um progresso senão do valor dos artistas, pelo menos na sociedade dos espíritos, hoje largamente composta daquilo que era impensável quando a obra-prima apareceu, ou seja, criaturas capazes de amá-la. O que denominamos posteridade, é a posteridade da obra. É necessário que a obra (não levando em conta, para simplificar, os gênius que na mesma época podem, paralelamente, preparar para o futuro um melhor público do qual os outros gênios se beneficiarão) crie ela mesma a sua posteridade."&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;(Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido - À Sombra das Moças em Flor, p. 410, tradução de Fernando Py).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-1048885017837940434?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/1048885017837940434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/1048885017837940434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/11/ppp-porque-proust-e-phoda-2.html' title='PPP - Porque Proust é Phoda #2'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_Proust.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-9205894063817997017</id><published>2010-11-08T16:27:00.000-08:00</published><updated>2010-11-12T16:37:43.062-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeça Talking'/><title type='text'>daniel dennett no fronteiras do pensamento</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/daniel_dennett.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com dois dias de atraso, comento sobre a penúltima palestra do Fronteiras do Pensamento 2011.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro quero ressaltar a apresentação musical que tradicionalmente abre as palestras. Dessa vez quem se apresentou foi &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8_YNYElp12k"&gt;Luciano Leães e os Big Chiefs&lt;/a&gt;, tocando muddy watters e outras preciosidades do blues. Eu nunca tinha visto a plateia Fronteiras tão empolgada nos aplausos finais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Daniel_Dennett"&gt;Daniel Dennett&lt;/a&gt; é considerado por &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Dawkins"&gt;Richard Dawkins&lt;/a&gt; seu "herói intelectual". Mas se alguém imaginava um sujeito sardônico como Dawkins em seus "ataques" à religiosidade tradicional, estava muito enganado. Outra coisa que chamou a atenção é que, embora à primeira vista haja um território em comum entre as teorias de Dennet e &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Giannetti_da_Fonseca"&gt;Eduardo Gianetti&lt;/a&gt; (&lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/09/ilusao-da-alma.html"&gt;que abordei aqui&lt;/a&gt;), as divergências entre ambos são significativas e inclinam a simpatia do público para o primeiro. Aliás, não só no substancial, mas também na forma a palestra do primeiro foi muito mais impressionante: Dennett em nenhum momento precisou recorrer a um texto preparado para apresentar suas ideias ao público, utilizando tão somente algumas frases e conceitos esquematizados no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Power Point&lt;/span&gt; para servir de fio-de-prumo à sua apresentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isso, e face à complexidade da matéria, novamente me limito a lançar apenas algums comentários tópicos sobre as observações de Daniel Dennett.&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Dennet é o que chamaríamos de "bom ateu", da mesma forma que nós poderíamos falar de um "bom cristão", em contraposição ao cristão fundamentalista, agressivo e propagandista. Assim como o cristão fanático diverte-se ironizando outras crenças ou mesmo a descrença, há ateus hoje em dia tão vulgares em seus ataques às manifestações religiosas quanto aqueles cristãos que ridicularizavam as teorias de Darwin caricaturizando-o com corpo de macaco, ou dizendo jocosamente que sua mãe era um chipanzé.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Pois Dennett é o bom ateu, o ateu que "respeita" as religiões (no sentido de não adotar aquele tom irônico tão estereotipado quanto lugar-comum entre os céticos mais rasteiros), sem que isso signifique ser "piedoso" com elas (no sentido de poupá-las de crítica). Como ele próprio afirma e é indiscutível, as religiões devem ser objeto de compreensão, crítica e análise. "Nenhuma religião que se fundamenta em alguma espécie de ignorância deve sobreviver", ele afirmou, completando: “não há nada no pensamento humano que não deva ser objeto de crítica” (no sentido de uma compreensão sincera e profunda que aponte francamente possíveis equívocos), e apenas as religiões que sobreviverem ao escrutínio da crítica merecem sobreviver. Fantástico. Muito difícil discordar disso. Eu concordo absolutamente e até estou acostumado a exercer o papel de advogado do diabo: embora para a maior parte das pessoas eu me apresente como “budista não-teísta” (um pleonasmo), quando estou com um budista em geral costumo fazer algumas críticas e colocar em questão alguns princípios. Minha amiga Sabrina, por exemplo, já passou por muitas dessas situações – mas, justiça seja feita, a sofisticação intelectual do budismo permite que ela, como praticante, sempre se saia muito bem em nossas conversas.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Portanto, a questão não é divulgar o ateísmo (e, sinceramente, essa moda de dizer que o “ateu está saindo do armário”, mencionada pela mediadora, só é palatável para aqueles desprovidos de qualquer perspectiva histórica). O que importa não é propagandear o ateísmo. Isso é despiciendo. O que é fundamental é a postura que decide questionar sistematicamente e elaborar críticas inteligentes a todas as formas de pensamento humano, inclusive e principalmente as religiosas. Tal postura não está em absoluto vinculada ao ateísmo: está vinculada ao espírito livre que caracteriza nossa era.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Dennett, em sua palestra, não se propôs a comprovar nenhuma evidência científica favorável ao evolucionismo. Ele dedicou-se a mostrar a plausibilidade de uma situação que, por ser considerada implausível, fundamenta os ataques antidarwinistas: o desenho inteligente. Os defensores do criacionismo em geral argumentam que, havendo um desenho inteligente nas estruturas mais complexas da natureza (por exemplo, os canalículos do crânio humano, que permitem uma genuína "ventilação" de nosso cérebro para que ele não "esquente demais" no desempenho de suas funções mais complexas), necessariamente deve haver uma intenção racional por trás desses fenômenos. "Alguém" deve ter projetado (representado em sua mente, por assim dizer) essas estruturas e as implementado de acordo com as funcionalidades desejadas. Assim como um martelo ou automóvel não surge espontaneamente no mundo natural, e assim como um oleiro pode produzir um pote mas o pote não pode produzir o oleiro, da aleatoriedade e cegueira da Mãe Natureza não pode surgir, por acidente e mera combinação do acaso, algo tão sofisticado e perfeito quanto, por exemplo, o cérebro humano. Seria necessário que esse cérebro resultasse do planejamento e labor de uma inteligência com um nível de complexidade maior que ele próprio.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Bom, Dennett afirma que, embora isso não seja, a princípio, aparentemente plausível que da ignorância e cegueira da natureza surja algo tremendamente complexo e organizado, é exatamente isso que acontece. E apresenta a tese de que a natureza dispensa a compreensão, bastando que algo seja competente naquilo que faz, mesmo que não compreenda o que está executando. Utiliza como exemplo os computadores modernos, que realizam inúmeras operações matemáticas cujo objetivo não são capazes de “compreender”, pois cabe ao ser humano essa função de "compreender" e utilizar as informações obtidas pelo equipamento. Também recorre ao exemplo das térmitas (insetos semelhantes à formiga, mas que possuem um par de asas), capazes de construir imensos edifícios com intrincados corredores, sem que cada térmita tenha, em seu cérebro minúsculo, a mínima ideia sobre o resultado final de todo o labor coletivo. A natureza dispensa que exista, em algum lugar (seja na mente de um Criador, seja na mente dos animais), uma representação das razões pelas quais suas complexas e eficientes estruturas são criadas. Bom, no exemplo dos computadores é bom e lembrar que eles assim procedem porque os seres humanos assim o querem, ao construí-los segundo a representação que possuíam em suas mentes. E, quanto as térmitas: bem, é justo essa a questão, não é? Não se trata de um exemplo que permite analogia com algo que os criacionistas consideram impossível na natureza, mas sim do uso da própria situação existente na natureza e que é o tema central de debate. O exemplo é falacioso pois diz respeito ao próprio elemento que está em debate. Afinal, a discussão entre evolucionistas e criacionistas, quanto ao desenho inteligente, pode ser resumida da seguinte forma: como as térmitas, em sua inconsciência, são capazes de um trabalho tão elaborado, sem que em algum momento uma inteligência tenha representado em sua “mente” a existência de tais criaturas?&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Posiciono-me de imediato, pois pode haver aqui mal-entendidos. Não sou, em absoluto, um criacionista, e simpatizo muito mais com o evolucionismo. Porém, não abraço o evolucionismo em sua forma ordodoxa, pois desconfio que pode haver algumas incorreções nessa linha de pensamento. Parece-me infantil a ideia de que uma “mente superior”, em algum passado remoto, tenha pensado algo semelhante a isso: “que legal, agora que criei essas formiguinhas, vou criar outras com asas, capazes de construir belíssimas edificações”. Porém, podemos identificar na natureza ao menos alguns condicionantes ou princípios básicos inerentes à vida e que, se parametrizados por fatores ambientais, são capazes de produzir uma miríade de criaturas capazes, por sua vez, de replicar-se e evoluir no sentido de uma complexidade crescente, complexidade essa submetida aos ditames de uma maior eficência e maior domínio em relação a esse mesmo ambiente. Essas condicionantes poderiam resultar nas  térmitas construtoras de "catedrais de barro", da mesma forma que, em um outro nicho ecológico específico, as mesmas condicionantes resultariam, com parâmetros diferentes fornecidos pelo ambiente, nos neurônios construtores dessa catedral virtual chamada mente humana. Pois bem, a pergunta é: se esses condicionantes existem, como surgiram?&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;De qualquer forma, tais retratos oportunizados pela ciência são sublimes: não há maior mágica na natureza, acredito, do que a mente humana, essa coisa substancialmente “inexistente” mas capaz de criar e alterar coisas existentes no mundo material (uma ideia não existe no mundo físico mas, mesmo assim, é capaz de comandar a concepção algo físico: uma escultura ou uma bomba atômica). Um delírio impalpável formado pelo frêmito dos neurônios é capaz de comandar as mãos humanas na sua interferência no mundo concreto: o que não existe senão como conceito influencia decisivamente o que existe de forma plena.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Isso nos leva de volta àquela questão sobre a mente e o cérebro. Para Dennet, a mente humana existe tanto quanto um software existe, mas é o resultado de pequenas partículas bioquímicas que, isoladas, não possuem qualquer consciência do que estão fazendo. Não se trata de um monismo, no sentido de que “há apenas neurônios e nada mais”, e tampouco de um dualismo clássico, onde há uma mente imaterial e que pode, em determinadas circunstâncias, ter uma vida completamente autônoma ao cérebro. Trata-se de justamente estabelecer previamente o conceito de “existência”: um software existe não apenas como um conjunto de bits armazenados eletricamente em um meio magnético físico, mas também existe como estrutura conceitual coesa e funcional. Da mesma forma, a mente humana existe e, embora sua existência não seja material, ela tem (e aí está um ponto importantíssimo) a capacidade não só de ser condicionada pelo mundo material (através dos processos neuronais) mas também de interferir e alterar o mundo material. “Informação” é algo que não existe concretamente, mas que é capaz de moldar aquilo que tem substância: o mundo real. Sempre se menciona, como caso em que o mundo físico altera e determina a mente, a hipótese de consumo de medicamentos antidepressivos – bom, é importante lembrar que esses medicamentos só são consumidos porque a mente do paciente, anteriormente, decidiu consultar um psiquiatra e, com a receita em mãos, optou por passar a ministrar ao corpo tais psicofármacos, com o objetivo de alterar a si própria.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Interessante, nesse sentido, é a definição do livre arbítrio. Para Dennett, livre arbítrio é a capacidade de escolher entre as melhores razões. Buenas, todos sabemos que a qualificação de quais seriam as “melhores razões” é tremendamente subjetiva na experiência humana. Se Dennett, mesmo assim, acredita no livre arbítrio, então não acredita que a mente seja apenas um epifenômeno do cérebro. Ao contrário, o fenômeno principal e a razão principal de toda a fisiologia cerebral é produzir a mente. Ao menos parece um pouco implausível que um epifenômeno, um fenômeno secundário e irrelevante, seja capaz de produzir, por exemplo, ideologias e outras construções teóricas que justificam atos extremos como aceitar a própria morte por uma causa ou mesmo perpetrar o suicídio: o epifenômeno, nesse caso, seria tão forte a ponto de determinar a própria extinção do cérebro que o produziu. Vale lembrar que, durante a guerra fria, a briga feia entre dois conjuntos de coisas imateriais (as mentes dos ideólogos do capitalismo de um lado e a mente dos ideólogos do comunismo de outro) quase destruiu toda a biosfera terrestre com um derivado do labor de outro conjunto de coisas imateriais (as mentes conceituais dos cientistas participantes do &lt;a href="http://www.blogger.com/Projeto%20Manhatan"&gt;Projeto Manhattan&lt;/a&gt;).&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-9205894063817997017?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/9205894063817997017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/9205894063817997017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/11/daniel-dennett-no-fronteiras-do.html' title='daniel dennett no fronteiras do pensamento'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_daniel_dennett.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-5534429529521122977</id><published>2010-11-05T04:34:00.000-07:00</published><updated>2010-11-06T06:46:03.144-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natureza Humana'/><title type='text'>previsibilidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 536px; height: 408px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Zombies.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Creio que um dos quesitos para ser escritor é ser um bom analisador de pessoas. Isso é uma coisa terrível de dizer mas, infelizmente, eu sou um ótimo analisador das pessoas. Encontro por testemunha uma admirável (pois das poucas imprevisíveis) pessoa que conviveu comigo por seis anos e que, malgrado seu ceticismo inicial,  teve inúmeras oportunidades de constatar que nessa assertiva pouco há de vaidade pessoal. Não digo que é algo fácil, mas não demora muito para que eu consiga captar, senão todas as minúcias da complexidade de certa personalidade, ao menos os elementos essenciais que conduzem os passos de uma determinada pessoa (em geral, enquadráveis em algumas das seguintes categorias: medo (o mais forte), vaidade e pulsão sexual - aliás, é por isso que as pessoas se tornam previsíveis: por deixarem-se facilmente dominar por sentimentos tão elementares). Escrevi "infelizmente" pois, a essa altura da minha vida, isso já se torna aborrecido. Logo concluí o quão previsível, típica e pequena é essa coisa que chamamos de personalidade e, ato contínuo, a maior parte das pessoas ao meu redor parece-me transparente - situação que, vocês bem podem imaginar, enche-me de fastio. Apenas uma certa ilusão minha de que "ah, dessa vez vai ser diferente" me impede de ser capaz de lidar com os indíviduos com a facilidade de quem entretém um cachorro ou um gato. Pareço arrogante? Porra, coloque-se no meu lugar e entenda o quanto isso, "parecer arrogante", é o que menos me importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou um bocado cansado dessa história. Desconfio que, se encontrar uma pessoa capaz de me surpreender verdadeiramente (e que não seja um esquizóide consumado, claro), terei tal criatura em tamanha conta que dificilmente a largaria, como o beduíno que, cansado de ver o amarelo queimado das dunas do deserto, agradece a Alá e chora de felicidade ao testemunhar, em um oásis, toda a riqueza de cores da vegetação submetida ao reflexo bruxuleante das águas sob o sol do meio-dia. Poético? Bom, tentei dar uma dimensão do meu desespero atual mediante contraste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem é o tédio da previsibilidade que me devora. O que me consome é justo perceber, soterrado dentro de cada pessoa que conheço, um lampejo daquela vida verdadeira, daquele impulso criador, que só não consegue vencer a resistência devido ao montulho de imundície que se formou ao seu redor. Se fossem todos zumbis, vá lá, mereceriam uma bala enfiada em suas cabeças e eu bem estaria contente de desincumbir-me dessa atividade. Mas não, com todas as pessoas com quem travo conhecimento, por trás do caminhão de merda engendrado por seus condicionamentos e neuroses, consigo vislumbrar algo de admirável e verdadeiramente surpreendente mas que, no entanto, jaz oprimido sem qualquer real esperança de crescimento - essa, talvez, seja a pior das previsibilidades que se impõe aos meus olhos: o fato de que, não importa o que ocorra ou quantas exortações eu faça, tal lampejo existente em meus contemporâneos está condenado a ser vencido por seus medos. Já vi essa história mais de uma dezena de vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ah, e nada disso se aplica a vocês, amigos queridos e próximos, que eu costumo procurar semanalmente, senão diariamente, para poder beber um pouco da água de seu oásis)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-5534429529521122977?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5534429529521122977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5534429529521122977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/11/previsibilidade.html' title='previsibilidade'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_Zombies.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7471243186032465047</id><published>2010-11-04T10:00:00.000-07:00</published><updated>2010-11-04T15:42:11.348-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natureza Humana'/><title type='text'>o trabalho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Estou já alguns dias na dúvida se coloco esses textos como "casual friday" ou se os apresento em um post comum. Nesse exato momento, aqui sentado no meu ambiente de trabalho, um tanto quanto incomodado com esse acordo que fiz com a Realidade, na qual cedo algumas horas desse precioso e ensolarado dia para poder receber, em troca, dinheiro não só necessário para uma subsistência digna, mas também suficiente para que eu compre um monte de coisas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;das quais não preciso&lt;/span&gt;, não tenho alternativa senão apresentar o tema à discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos os textos foram repassados pela Fernanda e tratam do mesmo assunto: trabalho. O de Huxley é antigo e eu já conhecia. O outro, de Mario Benedetti, complementa o primeiro e é igualmente contundente. Tratam eles de coisas que eu e meus amigos costumamos conversar com frequência, cientes de que, houvéssemos nós nascido no primeiro mundo, jamais teríamos recorrido ao confortável e medíocre mundo da burocracia pública e privada, mas sim ousado alçar diretamente vôos mais altos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao textos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"Os homens vivem como idiotas, como máquinas, todo o tempo, tanto nas horas de trabalho como nas horas de folga. Como idiotas e como máquinas, mas imaginando que vivem como seres civilizados, mesmo como deuses. O primeiro passo a dar é fazê-los reconhecer que eles são idiotas e máquinas durante as horas de trabalho. “Sendo a nossa civilização o que é” – eis o que será preciso dizer-lhes “– vocês devem passar oito horas das vinte e quatro como uma espécie de intermediário entre um imbecil e uma máquina de coser. É muito desagradável, eu sei. É humilhante, é repugnante. Mas está aí... Vocês tem que fazer isso; de outra maneira toda a estrutura do mundo se fará em pedaços e nós morreremos de fome. Eis porque é preciso que &lt;span&gt; &lt;/span&gt;vocês façam esse trabalho bestamente e mecanicamente; e que passem as horas de lazer como homens e mulheres verdadeiros e completos. Não misturem as duas vidas, mantenham os compartimentos bem estanques entre elas. O que importa acima de tudo é a vida autenticamente humana e das horas de folga. O resto não passa de uma necessidade sórdida que é preciso satisfazer. E não esqueçam nunca que ela é efetivamente sórdida e – a não ser por permitir que vocês se alimentem e conservem intata a sociedade – absolutamente sem importância, sem a menor relação com a verdadeira vida humana.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Não se deixem enganar pelos patifes cheios de unção que falam da santidade do trabalho e do serviço cristão que os homens de negócio prestam ao seu semelhante. Tudo isso são mentiras. O trabalho de vocês não passa de uma tarefa repugnante e desagradável, mas que infelizmente é necessária por causa da loucura de nossos antepassados. Eles acumularam uma montanha de lixo, e é preciso que vocês fiquem a trabalhar dia e noite com suas pás procurando remover o monturo, de medo&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;que o fedor deles os envenene e mate; é preciso que vocês trabalhem respirar, maldizendo a memória daqueles insensatos que lhes deixaram todo esse trabalho ignóbil por fazer. Mas não procurem entregar-se-lhe de coração, fingindo que esse sujo trabalho mecânico é uma necessidade nobre. Não é verdade; e o único resultado que vocês obterão dizendo e crendo nisso, será abaixar&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;a nossa humanidade ao nível dessa necessidade infecta. Se vocês acreditam nos negócios, como no serviço e na santidade no trabalho vocês se transformarão simplesmente em idiotas mecanizados durante vinte e quatro horas das vinte e quatro horas que tem um dia. Reconheçam que é um trabalho infecto, tapem o nariz, dediquem-se a ele durante oito horas e depois concentrem-se em si mesmos para serem nas horas de folga entes humanos verdadeiros. Seres humanos verdadeiros e completos. Não leitores de jornais e amadores de jazz, nem maníacos da radiofonia. Os industriais que fornecem às massas divertimentos padronizados e fabricados em série&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;fazem o possível para torná-los nas horas de lazer, os mesmos imbecis e mecânicos que vocês são durante as horas de trabalho. Mas não permitam isso. É preciso fazer o esforço necessário para ser humano."&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Aldous Huxley - "Contraponto".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"Nos escritórios não há amigos; há pessoas que se vêem todos os dias, que se exasperam juntas ou de forma isolada, que fazem piadas e as celebram, que trocam suas queixas e transmitem os seus rancores, que falam mal da diretoria como um todo e adulam cada diretor em particular. A isso se chama convivência, mas só por ilusão a convivência pode chegar a se parecer com amizade. (...) No fundo, cada um é um desconhecido para os outros, porque nesse tipo de relação superficial se fala de muitas coisas, mas nunca das vitais, nunca das verdadeiramente importantes e decisivas. São pessoas. Não parecem, mas são. E pessoas dignas de uma odiosa piedade, da mais infamante das piedades, porque a verdade é que elas formam pra si uma casca de orgulho, um invólucro repugnante, uma sólida hipocrisia, mas no fundo são ocos. Asquerosos e ocos. E padecem da mais horrível variante da solidão: a solidão de quem não tem sequer a si mesmo."&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Mário Benedetti&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7471243186032465047?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7471243186032465047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7471243186032465047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/11/o-trabalho.html' title='o trabalho'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7730761054692440943</id><published>2010-10-26T19:00:00.000-07:00</published><updated>2010-10-27T08:00:02.693-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Sublime'/><title type='text'>o segredo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/the_fool_tarot_card_2.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muita coisa que não se deveria dizer. Só um maluco como eu diz isso assim, em plena luz do dia. As chances de ser mal compreendido são COLOSSAIS. Mesmo assim, esse é o momento da revelação: nenhuma sombra para proteger qualquer segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempos descobri a riqueza enorme que há no beco sem saída, quando chegamos naquele lugar onde não podemos mais escapar de nossos medos, naquele momento em que o chão some de debaixo de nossos pés apenas para compreendemos que nunca houve chão algum ali - e como é intoxicante e maravilhosa essa descoberta. Isso foi há, pelo menos, uns sete ou oito anos atrás. Tempos depois, voltei a ter a experiência em um nível, digamos, menos intelectual e mais arquetípico. O resultado é que, de alguma forma, os abismos e os becos sem saída me atraem, pois percebo a enormidade da riqueza que eles escondem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, como qualquer mortal, eu busco as zonas de conforto, de segurança. Isso é algo quase automático, instintivo. Mas algo em mim sabe que nada de verdadeiro, de vivo, vem desse tipo de coisa: o conforto e segurança da vida pequeno-burguesa de hoje em dia, disponível para a classe média de qualquer país ocidental, rescinde à morte - e não há aqui nenhuma afetação poética no que  digo: rescinde à morte, ponto final. Assim como nossos pais apodreceram em suas pequenas vidas enquanto tentavam nos criar, nós também seguiremos o mesmo caminho de um apodrecimento gradual e imperativo de nossas vidas emocionais, se insistirmos nessa busca por conforto e segurança. Esse é o fosso terrível onde quase todos vivem. O conforto moderno é a apoetose da desgraça humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a solução? Ir a fundo, furtar-se de qualquer coisa que represente esse conforto, mesmo que isso signifique causar sofrimento a outros e a si mesmo - algum sofrimento, mesmo que de ordem emocional. Mas esse é um caminho para poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é um pouco mais complicada que esses esqueminhas óbvios de "encontrar alguém - casar - conseguir um bom emprego que dê grana - criar os filhos - curtir a família - se aposentar - viajar - morrer". Se você acha que isso trará alguma satisfação genunina, vai nessa, meu camarada. Desejo-lhe sorte nesse sonambulismo covarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segredo da vida é perceber o quanto estamos errados e o quanto esses sonhos e parâmetros infantis são pura perda de tempo. A vida é uma amante selvagem, hostil e tarada, que quer te devorar enquanto dança enlouquecidamente. Não tem absolutamente nada a ver com o que você quer ou deixa de querer. Compreenda bem: sua vida não tem absolutamente nada a ver com o que você quer ou deixa de querer, mas isso também não significa que você será um covarde e se sujeitará ao que os outros lhe impõem, pois esses outros e o império de merda que eles sustentam são o resultado de um medo infantil muito maior do que o seu. "A águia nunca errou tanto como quando tentou aprender com a gralha", disse Blake. A coragem para quebrar esses liames é necessária, mas o preço é a hostilidade daqueles que são covardes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo que sempre me irritou nos ateus foi sua passividade bovina. Quer dizer que vocês acreditam que não existe Deus, que não existe vida após a morte, que não há sentido para suas vidas, e mesmo assim vocês vivem como pacatos e amorosos e submissos cristãos? O ateísmo moderno, para mim, é apenas uma última forma de cristianismo - um cristianismo sem Deus, mas no fundo Deus jamais foi necessário para a manutenção daquilo que se convencionou chamar de cristianismo, até porque as palavras daquele sujeito que nasceu em Nazaré foram rigorosamente desconsideradas durante a construção dessa forma de "religiosidade". O que torna o ateísmo moderno cômico é que os ateus, afora brincarem de chocar os outros cristãos, não têm nada mais a nos oferecer, e levam vidas prosaicas e miseráveis tal qual aqueles de que tanto riem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há aqueles que vieram a vida de férias, e outros que vieram a trabalho. Eu vim para ir a fundo, initerruptamente. O "segredo" não é o pensamento positivo e nenhuma imbecil "lei da atração", como alguns idiotas por aí pregam.  O segredo para a vida plena é, enfim, apaixonar-se por abismos e becos sem saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia usar esse espaço para postar merdas frugais e assim ter um pequeno  público de visitantes que leriam pseudo-recados de autoajuda. Bem, essa  nunca foi minha intenção. Desculpe-me se pareceu que seria assim. Não é,  de modo algum.  Tudo o que eu escrevo vai no sentido oposto a esse. A liberdade não é um caminho para a felicidade, pois a  felicidade é uma prisão, a mais insidiosa das prisões.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7730761054692440943?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7730761054692440943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7730761054692440943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/10/o-segredo.html' title='o segredo'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_the_fool_tarot_card_2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-167176616003623500</id><published>2010-10-26T05:50:00.000-07:00</published><updated>2010-10-26T14:27:44.191-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeça Talking'/><title type='text'>ego</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 523px; height: 341px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/monkey_tiger2.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(conversando ontem com o Zanota e o Adão, acabei falando de algumas coisas que, acho, valem a pena ser registradas; na verdade, o que me fez pensar nessas coisas foi algo anterior, comentado por outro amigo, o Renato; vamu lá)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É comum se considerar que as busca por algum tipo de autotranscendência, ao menos tal como é compreendida nas tradições religiosas orientais, envolve a eliminação do ego. Nada mais falso, porém. Ter um ego forte é condição fundamental para um perfeito desenvolvimento humano, e ninguém que tenha conseguido alguma espécie de "despertar espiritual" eliminou o seu ego: isso é tão equivocado quanto supor que, durante a busca por alguma espécie de autotranscendência, a pessoa precisa eliminar o seus pulmões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como os pulmões são parte importante das trocas existentes e necessárias entre o nosso ambiente interior (o conjunto de nossos órgãos) e o ambiente exterior, o ego é parte também importante, fundamental, dos mecanismos de interrelação com o mundo externo. Dito nas palavras de meu amigo Muriel, o ego serve para a nossa operacionalização diante do mundo. Eliminá-lo não é somente indesejável, mas impossível. O ego, como parte de um sistema de sobrevivência elementar de nosso organismo, possui uma plasticidade quase ilimitada: nós o apertamos, esprememos, esticamos ou sufocamos, mas ele sempre persiste. Se alguém algum dia chega a pensar que eliminou o seu próprio ego, na verdade o ego dessa pessoa se transformou naquela parte de si que, com uma pontinha de orgulho, acredita ter eliminado o próprio ego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão, portanto, não tem nada a ver com buscar enfraquecer o ego (pois precisamos dele forte), eliminá-lo (pois isso é impossível enquanto estivermos neste mundo) ou mesmo "dominá-lo" (devido à sua plasticidade e resistência). A questão é, em primeiro lugar, reconhecer que, assim como nossos pulmões não são todo o nosso ser e seria um absurdo permitir que eles decidissem como iremos conduzir nossas vidas, com quem iremos nos relacionar ou qual profissão iremos seguir, da mesma forma o ego não é a totalidade de nosso ser e não pode nos conduzir e se tornar autoritário sobre o nosso modo de viver. Ele, como um órgão qualquer de nosso corpo, tem uma função específica (operacionalizar nossa relação com o mundo externo) e, dentro dessa função, deve ser eficiente. Porém, fora dessa incumbência que lhe é inerente, quando ele tenta usurpar a posição central de nossa psique, algo está errado, algo vai mal. É como uma criança, com todos os seus caprichos infantis e impulsos imaturos, que assume o trono de um reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tirar a criança desse trono não deve ser um ato revolucionário, um ato de fúria. Já de imediato vem na minha mente a imagem de alguém que se entrega a uma disciplina rígida, ascética, na qual busca eliminar seu ego de qualquer forma - o que me parece algo cômico e inútil. É preciso, na verdade, fazer algo mais complexo do que uma "revolução" pessoal. É preciso, através de um processo lento e cheio de altos e baixos, entrar em contato com essa criança-déspota, e olhar atentamente para sua natureza, sem julgá-la. É preciso compreendê-lo e observar de modo sincero todas as suas qualidades e "defeitos". Uso parênteses para falar de "defeitos" pois o ego não possui falhas nem qualidades - apenas características, e aquilo que consideramos bom e admirável nele está tão essencialmente conectado com aquilo que é neurótico e vergonhoso que não seria possível eliminar um sem eliminar o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observando sem julgamentos a natureza de nosso ego, entramos em contato com ele. Passamos, então, a compreender suas reações e o modo como funciona. Em breve, o conhecemos tão bem que já podemos lidar com ele de modo exitoso. E por "lidar" eu não quero dizer "dominar", "manipular". Nosso ego é uma parte viva de nós, e "dominá-lo" é tão triste e estéril quando dominar aquelas outras partes que também nos propiciam o prazer de viver. Talvez fosse melhor usar "relacionar-se"  ou "dialogar" do que "lidar". O ego é algo do qual temos que nos tornar amigos do jeito como ele é, com seus "defeitos" e "qualidades", para compreendê-lo e, então, em uma espécie de diálogo contínuo, colaborar ele seja eficiente e forte na sua função própria e, ao mesmo tempo, não tenha mais a mania de assumir o total controle de nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, isso é perfeitamente possível. Não é preciso ser um mestre evoluidíssimo para fazer isso. Sério. E compensa muito, pois não se trata de um exercício vinculado a alguma experiência "espiritual", necessariamente. Na verdade, o interesse nesse assunto é muito prático. Na vida prática mesmo, do cotidiano, aprender a compreender o funcionamento do seu próprio ego e a dialogar com ele resulta em um êxito enorme nas coisas ditas concretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-167176616003623500?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/167176616003623500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/167176616003623500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/10/ego.html' title='ego'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_monkey_tiger2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-1587193974396830621</id><published>2010-10-24T06:29:00.000-07:00</published><updated>2010-10-25T05:21:45.579-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livraiada'/><title type='text'>pais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/_Zb0hvzm2Nsk/RezK2y78IaI/AAAAAAAAACY/MY9WpCzt1nE/s320/YMsailor.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em primeiro primeríssimo lugar, quero deixar claro que não sei se concordo com o teor desse discurso abaixo. Eu apenas acho digno de registro esse trecho de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Yukio_Mishima"&gt;Yukio Mishima&lt;/a&gt;, pois é preciso ser um escritor e tanto para ter a coragem de colocar essas palavras na boca de um garoto de treze anos. Cala, ao menos até certa medida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"- Não existe o bom pai, porque a função, em si mesma, é um mal. Pais rigorosos, tolerantes, os pais modernos e bonzinhos, são todos ruins. Eles obstruem o caminho de nosso progresso, ao mesmo tempo em que tentam nos esmagar com os seus complexos de inferioridade, e suas aspirações não realizadas, e seus ideais, as fraquezas que nunca confessaram a ninguém, os pecados, e seus sonhos açucarados, as máximas que nunca tiveram coragem de seguir... Eles gostariam de descarregar todo esse lixo em cima de nós, todo! Até mesmo o mais negligente dos pais, como o meu, não é diferente. Suas consciências os incomodam porque nunca deram atenção aos filhos e querem que estes compreendam como sofrem por isso - querem que tenhamos simpatia com esse sofrimento!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No ano novo fomos a Arashi Yama, em Kyoto, e ao atravessarmos a Ponte das Luas fiz ao meu velho a pergunta: 'Papai, há alguma finalidade na vida?'. Vocês entendem o que eu estava querendo dizer, realmente? &lt;i&gt;Papai, você pode me dar uma única razão pela qual continua vivendo? Não seria melhor desaparecer o mais depressa possível?&lt;/i&gt;' Mas uma insinuação assim não atinge nunca um homem como ele. Olhou-me, surpreso, os olhos se arregalaram. Tenho ódio dessa ridícula surpresa dos adultos. E quando finalmente respondeu, o que acham que disse? 'Meu filho, ninguém pode lhe dizer qual o sentido da vida; você tem de criar o seu próprio sentido'.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas que moral estúpida e vulgar! Ele apenas apertou um botão e lá vem uma coisa que acredita que os pais devam dizer. E vocês já viram os olhos de um pai, num  momento como esse? Eles desconfiam de qualquer coisa criativa, estão ansiosos em reduzir o mundo a alguma coisa pequena, que possam manipular. O pai é uma máquina de esconder a realidade, uma máquina de produzir frases para as crianças, e pior ainda: secretamente, ele acredita que tais frases representam a realidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os pais são as moscas deste mundo. Eles voam por sobre as nossas cabeças, esperando uma oportunidade, e quando vêem alguma coisa podre, vêem zumbindo e mergulham nela. Moscas sujas e asquerosas, anunciando para todo o mundo que treparam com nossas mães. E não há nada que não façam para contaminar a nossa liberdade e nossa capacidade. Nada que não façam para proteger as cidades imundas que construíram para si."&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Mishima - "O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-1587193974396830621?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/1587193974396830621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/1587193974396830621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/10/pais.html' title='pais'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Zb0hvzm2Nsk/RezK2y78IaI/AAAAAAAAACY/MY9WpCzt1nE/s72-c/YMsailor.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-5803668569282882820</id><published>2010-10-22T04:23:00.000-07:00</published><updated>2010-10-22T05:30:32.847-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #14</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Casual%20Friday/pema_1.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Há um equívoco comum entre todos os seres humanos que nasceram na face deste mundo, consistente em achar que a melhor maneira de viver é tentar evitar a dor e procurar o conforto. Você pode ver isso mesmo entre insetos e pássaros. Todos nós somos iguais nesse aspecto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma forma muito mais interessante, gentil, aventurosa e jovial de encarar a vida é começar a desenvolver nossa curiosidade sem se preocupar se o objeto de nosso interesse é doce ou amargo. Para conduzir a vida além das mesquinharias, preconceitos e tentativas de garantir que tudo sempre saia de acordo com nossas próprias expectativas, para levar uma vida mais intensa, plena e íntegra que essa, nós precisamos perceber que somos capazes de suportar muita dor e prazer durante a busca por descobrir quem nós somos e o que este mundo realmente é, durante a busca por descobrir como nós funcionamos e como nosso mundo funciona - como, enfim, a coisa toda realmente &lt;i&gt;é&lt;/i&gt;. Se nós estamos comprometidos com o conforto a todo o custo, tão logo chegarmos próximos ao limiar da dor nós iremos sair correndo; e, assim, nós jamais descobriremos o que está para além dessa específica barreira, desse muro, dessa coisa que tanto tememos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando as pessoas começam a meditar ou trabalhar com qualquer espécie de disciplina espiritual, elas frequentemente pensam que, de algum modo, irão se tornar pessoas melhores, o que é uma espécie sutil de agressão para com quem eles realmente são agora. É um pouco como dizer: "se eu for para a academia me exercitar, serei uma pessoa melhor"; "se eu tivesse um apartamento mais bonito, eu seria uma pessoa melhor"; "se eu puder meditar para me acalmar, eu serei uma pessoa melhor". Ou o cenário pode ser de tal modo que ela coloca a culpa nos outros, de modo que pode dizer "se não fosse  meu chefe, meu trabalho seria perfeito"; "se não fosse minha mãe, minha família seria perfeita"; e "se não fosse minha mente, minha meditação seria perfeita".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas gentileza e amor para consigo mesmo não significa livrar-se de coisa alguma. Gentileza e amor para consigo mesmo significa que nós ainda podemos ser neuróticos ou loucos, que nós ainda podemos ser explosivos, que nós ainda podemos ser tímidos ou ciumentos ou cheios de sentimentos dolorosos. O ponto não é tentar mudar a si mesmo. A prática da meditação não tem nada a ver com tentar jogar você próprio fora para se tornar alguma coisa melhor. Tem a ver com acostumar-se com quem você já é agora, neste momento. A base para a prática é você agora nesse instante, exatamente como você é. Essa é a base, é isso que estudamos, é isso que pretendemos conhecer com tremenda curiosidade e interesse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes entre budistas a palavra "ego" é usada de uma forma depreciativa, com uma conotação distinta daquela utilizada pelos freudianos. Como budistas, podemos dizer "meu ego me causa tantos problemas", e então poderíamos pensar "bem, então supostamente temos de nos livrar dele, certo? Aí não haveria mais problemas". Ao contrário, a ideia não é se livrar do ego mas, na verdade, começar a desenvolver um interesse por ele, sendo inquisitivo a respeito de nossa própria natureza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ser inquisitivo ou curioso envolve ser gentil, preciso e aberto - na verdade, ser capaz de deixar tudo fluir de modo aberto. Gentileza é um senso de bom-coração com relação a nós próprios. Precisão é ser capaz de ver tudo claramente, sem ter medo de ver as coisas como realmente são, como cientistas que não temem olhar algo no microscópio. Abertura é ser capaz de deixar tudo ir e vir sem nada reprimir ou julgar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após algum tempo de prática meditativa, a sensação será a de que estamos vendo um filme sobre nós que foi filmado por uma câmera que sempre esteve em nossas costas. Você vai começar a se debater frequentemente e dizer "ugh!". Você provavelmente perceberá que faz todas aquelas coisas que costuma criticar em todas aquelas pessoas que você não gosta, todas aquelas pessoas que você costuma julgar. Basicamente, ser amistoso consigo próprio resulta em tornar-se amistoso com todas as outras pessoas também, porque quando você passa a ter esse tipo de honestidade, gentileza e bom coração, combinado com uma clareza precisa sobre você próprio, não há mais obstáculos para sentir o mesmo pelos outros também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então a base da meditação é você mesmo. Nós estamos aqui para observar a nós mesmos. O caminho, o modo de fazer isso, nosso principal veículo, é a meditação, e algum senso de despertar. Porém, nossa curiosidade não se limita apenas ao tempo em que estamos sentados meditando, mas também envolve o tempo em que caminhamos, comemos, conversamos e desempenhamos outras tantas tarefas cotidianas: nós tentamos manter esse senso de vivacidade, de abertura e de curiosidade sobre o que está acontecendo no momento presente."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Pema Chödrön - "The Wisdom of No Escape".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-5803668569282882820?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5803668569282882820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5803668569282882820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/10/casual-friday-14.html' title='casual friday #14'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4345031430857436121</id><published>2010-10-15T19:51:00.000-07:00</published><updated>2010-10-15T19:59:00.913-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #13</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/mishima.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"- Isso é bobagem! - As bochechas do chefe, que eram brancas mesmo no verão, marcaram-se de covinhas. - Eles nem mesmo conhecem a definição de perigo. Acham que o perigo é alguma coisa física, como um arranhão  e um pouco de sangue em torno do que os jornais fazem um grande escândalo. Bem, isso nada tem a ver com a questão. O verdadeiro perigo está apenas em viver. É claro, viver é simplesmente o caos da existência, mas mais do que isso, é uma louca confusão em que temos de desmontar a existência instante a instante, até restabelecer o caos original, e tirar força da incerteza e do medo que o caos provoca, para recriar a existência instante a instante. Não há tarefa mais perigosa que essa."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Yukio Mishima - "O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4345031430857436121?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4345031430857436121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4345031430857436121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/10/casual-friday-13.html' title='casual friday #13'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_mishima.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-8137789273144341797</id><published>2010-10-14T11:35:00.000-07:00</published><updated>2010-10-28T19:37:06.346-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><title type='text'>swu 2010</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt; &lt;img style="width: 533px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/swuturma.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;véspera do primeiro dia, e vocês já sentem o clima&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;"&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 19px;font-family:Tahoma,Geneva,Kalimati,sans-serif;" &gt;Um lugar onde as pessoas sejam mesmo afude&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 19px;font-family:Tahoma,Geneva,Kalimati,sans-serif;" &gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Um lugar onde as pessoas sejam loucas e super chapadas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Um lugar do caralho"&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 19px;font-family:Tahoma,Geneva,Kalimati,sans-serif;" &gt;&lt;i&gt;Um Lugar do Caralho&lt;/i&gt;, Júpiter Maçã&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 15px;font-family:arial,sans-serif;font-size:small;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 15px;font-family:arial,sans-serif;font-size:small;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Who controls the past now controls the future; tentaram derrubar os limites da casa grande e senzala nas pistas; dois amigos do paraenses fãs de metal, Iacy e Matusa; gordinha carioca que morava em São Paulo por detestar o Rio, anônima; redhead gaúcho aditivado com red label, Cenoura; satellite in my eyes like a diamond in the sky; na fila de entrada, um portoalegrense que estuda cinema, Tonho; gurias de fortaleza na vaquinha da vã para volta à capital, Josy e suas amigas; menina de Olinda que veio sozinha acampar no swu sem receios nem peias, Madeleine; casal de venezuelanos que descobriram na quinta sobre o festival e partiram feito loucos para o Brasil sem ingresso e reserva de camping, Gabriel Cortez y su esposa; mas as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer; outro de Fortaleza que virou parceria, Braga; taxista carioca Rafael tirava sarro dos paulistas na ida e contou da favela pós-Brizola, do testamento secreto do Roberto Marinho para Glória Maria e das frotas de táxis do Maluf; what I really want to say I can't define; motorista Cássio fez um micro citytour na capital durante a volta;  o Salomé não sabia tirar o tênis de madrugada sem desamarrar os cadarços que, bêbado, revelaram-se nós górdios; rooooooots bloody roooooots; houve quem me desse vinte e um anos de idade; 300 ml de água por R$ 4,00; camarada que achou cem reais no chão da arena e outro encontrou uma câmera digital; maluco que quebrou um dente em uma roda de pogo, segundo Isadora;  rodas de violão regadas a pinga; crying lightning com direito a bis; tênis perdido no empurra-empurra do show do rage era tênis voando até cair na cabeça de um desavisado; close your eyes and see the skies are falling; o piá de dezoito anos sabia mais de rock do que eu; Zanotta sem tomar banho nos cinco dias de acampamento; as vizinhas do 32 estavam lá mas passaram longe; o sujeito babou ao contar o ataque do gigante de sunga na roda pogo; duas horas na fila do único banho do festival; até quem me vê lendo jornal sabe que eu te encontrei; minha primeira quase-rave; hey must be a devil between us or whores in my head; fotógrafo que tentou capturar uma roda de violão por meio do reflexo do meu óculos de sol, Sérgio Caddah; helicóptero da polícia civil dando giros ao redor dos acampamentos, vietnã-woodstock feelings; escape me, black out tendencies, forget about the future.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(versão Aline:) Meninas de pernas brancas e nuas de braços dados amontoando-se contra o vento impiedoso da fazenda; rodas de boys, de plebeus, rodas de violão, de pinga e muita roda de fumo. Crianças crescidas com os ouvidos gulosos de música forte. AUMENTA A PORRA DESSE SOM, gritava o menino atrás de mim. Em outros palcos, o bumbo ou o sample despertava o sangue ali no centro do centro do coração. Que felicidade ansiosa é essa? É delícia em sermos, de novo em nossas rodas, crianças recreando ao relento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-8137789273144341797?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/8137789273144341797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/8137789273144341797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/10/swu-2010.html' title='swu 2010'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_swuturma.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-2253157930457573518</id><published>2010-10-08T05:05:00.000-07:00</published><updated>2010-10-08T05:19:05.258-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #12</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Casual%20Friday/naoehocaiofernandoabreu.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 204, 51);"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-size:85%;" &gt;Não é o Caio Fernando Abreu.&lt;br /&gt;Mas é mais agradável aos olhos, concordam?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(...) Gosto de dizer tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence a, nem mora com alguém. Seja uma pessoa banal igual a mim, seja unicórnio, salamandra, harpia, elfo, hamadríade, sereia ou ogro. Duvido que um dragão conviva melhor com esses seres mitológicos, mais semelhantes à natureza dele, do que com um ser humano. Não que sejam insociáveis. Pelo contrário, às vezes um dragão sabe ser gentil e submisso como uma gueixa. Apenas, eles não dividem seus hábitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém é capaz de compreender um dragão. Eles jamais revelam o que sentem. Quem poderia compreender, por exemplo, que logo ao despertar (e isso pode acontecer em qualquer horário, às três ou às onze da noite, já que o dia e a noite deles acontecem para dentro, mas é mais previsível entre sete e nove da manhã, pois essa é a hora dos dragões) sempre batem a cauda três vezes, como se tivessem furiosos, soltando fogo pelas ventas e carbonizando qualquer coisa próxima num raio de mais de cinco metros? Hoje, pondero: talvez seja essa a sua maneira desajeitada de dizer, como costumo dizer agora, ao despertar - que seja doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no tempo em que vivia comigo, eu tentava - digamos - adaptá-lo às circunstâncias. Dizia por favor, tente compreender, querido, os vizinho banais do andar de baixo já reclamaram da sua cauda batendo no chão ontem às quatro da madrugada. O bebê acordou, disseram, não deixou ninguém mais dormir. Além disso, quando você desperta na sala, as plantas ficam todas queimadas pelo seu fogo. E, quanto você desperta no quarto, aquela pilha de livros vira cinzas na minha cabeceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não prometia corrigir-se. E eu sei muito bem como tudo isso parece ridículo. Um dragão nunca acha que está errado. Na verdade, jamais está. Tudo que faz, e que pode parecer perigoso, excêntrico ou no mínimo mal-educado para um humano igual a mim, é apenas parte dessa estranha natureza dos dragões. Na manhã, na tarde ou na noite seguintes, quanto ele despertasse outra vez, novamente os vizinhos reclamariam e as prímulas amarelas e as begônias roxas e verdes, e Kafka, Salinger, Pessoa, Clarice e Borges a cada dia ficariam mais esturricados. Até que, naquele apartamento, restássemos eu e ele entre as cinzas. Cinzas são como sedas para um dragão, nunca para um humano, porque a nós lembra destruição e morte, não prazer. Eles trafegam impunes, deliciados, no limiar entre essa zona oculta e a mais mundana. O que não podemos compreender, ou pelo menos aceitar. (...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Caio Fernando Abreu - Os dragões não conhecem o paraíso&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-2253157930457573518?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2253157930457573518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2253157930457573518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/10/casual-friday-12.html' title='casual friday #12'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-262182259275083768</id><published>2010-10-01T05:54:00.000-07:00</published><updated>2010-10-02T05:09:59.186-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #11</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Casual%20Friday/Albert-Camus-001.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;"Acredite-me, as religiões enganam-se, a partir do momento em que pregam a moral e a fulminam mandamentos. Não é necessário existir Deus para criar a culpabilidade, nem para castigar: para isso, bastam os nossos semelhantes, ajudados por nós mesmos. O senhor falava-me do Juízo Final. Permita-me que ria disso respeitosamente. Posso esperá-lo com tranquilidade: conheci o que há de pior, que é o julgamento dos homens. Para eles, não há circunstâncias atenuantes, mesmo a boa intenção é tida como crime. Ouviu ao menos falar da cela de escarros que um povo criou recentemente para provar que era o maior do mundo? É uma caixa de alvenaria, em que o prisioneiro fica de pé, mas sem poder se mexer. A sólida porta que o encerra em sua concha de cimento chega apenas até a altura do queixo. Vê-se, pois, unicamente o seu rosto, no qual todo guarda que passa escarra à vontade. O prisioneiro, espremido na cela, não se pode limpar, ainda que lhe seja permitido, é bem verdade, fechar os olhos. Pois bem, isto, meu caro, é uma invenção dos homens. Não precisaram de Deus para criar essa obra-prima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então? Então, a única utilidade de Deus seria garantir a inocência, mas eu vejo a religião antes de tudo como uma grande empresa de lavanderia, o que aliás ela foi, mas por breve tempo e não se chamava religião. Desde então, falta sabão, andamos com o nariz sujo e nos assoamos mutuamente. Todos culpados, todos castigados, escarremo-nos, e pronto: já para o desconforto. É ver quem escarra primeiro, eis tudo. Vou contar-lhe um grande segredo, meu caro. Não espere pelo Juízo Final. Ele se realiza todo dia."&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Albert Camus - A Queda&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-262182259275083768?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/262182259275083768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/262182259275083768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/10/casual-friday-11.html' title='casual friday #11'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4071872023620347670</id><published>2010-09-27T03:36:00.000-07:00</published><updated>2010-09-27T10:05:45.451-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><title type='text'>ute lemper no porto alegre em cena</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Zk6itNYV8i0?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Zk6itNYV8i0?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="385" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O 17º &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Porto_Alegre_em_Cena"&gt;Porto Alegre em Cena&lt;/a&gt; abriu com chave de ouro, antecipando a primavera com um &lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/09/goran-bregovic-em-porto-alegre.html"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;show &lt;/span&gt;embriagante&lt;/a&gt;, de quase três horas, sob a batuta de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Goran_Bregovi%C4%87"&gt;Goran Bregovic&lt;/a&gt;. E a conclusão do festival não ficou para trás - ao contrário, eu não saberia dizer qual foi a experiência musical mais soberba, se Goran ou se o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;show &lt;/span&gt;de ontem, no Teatro do Sesi, em que &lt;a href="http://www.utelemper.com/"&gt;Ute Lemper&lt;/a&gt; nos apresentou o espetáculo "Último Tango em Berlim"&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;, uma viagem musical ambientada na Segunda Grande Guerra e que percorre Berlim, Paris, Buenos Aires e Nova York por meio de músicas consagradas de compositores como Kurt Weill e Astor Piazzola, todas na voz de nossa, arram, diva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E que voz. E que diva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/1603970-7013-cp2.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não foi pouca coisa. Tínhamos consciência que estávamos assistindo um espetáculo que circula nos melhores palcos do mundo. E que se coloque em meu currículo: uma vez na vida vi &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ute_Lemper"&gt;Ute Lamper&lt;/a&gt; ao vivo cantar &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lili_Marleen"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lili Marlene&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mack_the_Knife"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Die Moritat von Mackie Messer&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;  e, na saidera, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ne_me_quitte_pas"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ne me quitte pas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. E mais: vi Ute Lamper, a diva, trajando um vestido negro de gala colado ao corpo,  deitada sobre um piano de cauda enquanto cantava. Eu vi. Ah, e vi "ligeiramente ébrio", pois minha companhia teve a genial ideia de trazer consigo uma daquelas garrafas de metal para levar no bolso, devidamente cheia de tequila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que voz. E que diva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/UteLemperpiano.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.correiodopovo.com.br/ArteAgenda/?Noticia=199599"&gt;Nessa entrevista&lt;/a&gt;, ela diz que o público de Porto Alegre é apaixonado. Fala sério! Qual o público na face da Terra não se quedaria apaixonado por Ute Lemper instantaneamente? Ela canta cada música de modo absolutamente apaixonado. Sua voz potente e límpida, seus trejeitos milimetricamente calculados (e, não obstante, cheios de vida), seus olhares significativos e, sim, suas longas pernas em meias negras seriam capazes de colocar de joelhos mesmo um público composto por estátuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que voz. E que diva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/3faces.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4071872023620347670?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4071872023620347670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4071872023620347670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/09/ute-lemper-no-porto-alegre-em-cena.html' title='ute lemper no porto alegre em cena'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_1603970-7013-cp2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-2193581934939257282</id><published>2010-09-21T04:38:00.000-07:00</published><updated>2010-09-21T06:54:49.205-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Olho Nu'/><title type='text'>gil vicente e a pataquada da oab/sp</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/gilvicente/3742975654_6f8e6f87c1.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Não sou tão entusiasmado com artes plásticas a ponto de defender que "tudo é válido". Há grandes bobagens pretensiosas (e algumas até criminosas) no universo das artes plásticas. Porém, o que a OAB de São Paulo está tentando fazer, ao buscar proibir na Justiça a exposição do trabalho de Gil Vicente na &lt;span class="textoDourado1"&gt;29ª Bienal de São Paulo&lt;/span&gt;, é de uma pataquada sem tamanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gil Vicente, artista plástico recifense, teve uma ideia singela mas de impacto, digna de ser apreciada por qualquer pessoa inteligente. Na sua série de trabalhos intitulada "inimigos", decidiu retratar a si mesmo empunhando uma arma e apontando-a para a cabeça de autoridades internacionais. Sua mira não poupa ninguém e não tem qualquer preconceito político ou religioso: do Papa a Ahmadinejad, da Rainha Elizabeth II a George Bush Jr., de FHC a Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/gilvicente/1049.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/gilvicente/4830_CIA_0706.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/gilvicente/GilVicente-Auto-retr_3D.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/gilvicente/gil3.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 296px; height: 392px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/gilvicente/0_nota_magma_matando_presidente.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Pois a OAB, seccional São Paulo, ingressou na Justiça tentando excluir tais obras da 29ª Bienal, alegando que se trata de apologia ao crime, pois o artista estaria incitando o público a violência. Só pode ser piada. E piada maior vai ser se algum juiz tacanho decidir acolher a ridícula pretensão da OAB. Mas, no fundo, acho que Gil Vicente está torcendo para que isso ocorra. Foi a melhor publicidade gratuita que poderia arranjar, pois sua série de desenhos atingiu um público que, de outra forma, jamais tomaria conhecimento de seu nome. De qualquer forma, não pelo bem do artista, mas da própria sanidade coletiva, faço votos que a Justiça paulista não entre nessa neura obsessiva do politicamente correto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-2193581934939257282?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2193581934939257282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2193581934939257282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/09/gil-vicente-e-pataquada-da-oabsp.html' title='gil vicente e a pataquada da oab/sp'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-3124599786885078781</id><published>2010-09-15T07:13:00.000-07:00</published><updated>2010-09-17T04:37:00.335-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #10</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Casual%20Friday/HenryMiller.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“This world which is in the making fills me with dread… It is a world suited for monomaniacs obsessed with the idea of progress – but a false progress, a progress which stinks. It is a world cluttered with useless objects which men and women, in order to be exploited and degraded, are taught to regard as useful. The dreamer whose dreams are non-utilitarian has no place in this world. Whatever does not lend itself to being bought and sold, whether in the realm of things, ideas, principles, dreams, or hopes, is debarred. In this world the poet is anathema, the thinker a fool, the artist an escapist, the man of vision a criminal.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Este mundo que está em formação me enche de pavor... É um mundo perfeito para monomaníacos obsecados com a ideia de progresso - mas um falso progresso, um progresso que fede. É um mundo atravancado com objetos inúteis os quais homens e mulheres, a fim de que sejam explorados e degradados, aprendem a encarar como úteis. O sonhador cujos sonhos não sejam utilitários não tem lugar neste mundo. O que quer que não se preste a ser comprado e vendido, seja no reino das coisas, ideias, princípios, sonhos ou esperanças, é desconsiderado. Neste mundo, o poeta é um anátema, o pensador um idiota, o artista um escapista, o homem de visão um criminoso."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;Henry Miller, The Air-Conditioned Nightmare (1945)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-3124599786885078781?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3124599786885078781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3124599786885078781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/09/casual-friday-xx.html' title='casual friday #10'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-3065775023933234442</id><published>2010-09-14T03:59:00.000-07:00</published><updated>2011-01-31T10:52:07.829-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeça Talking'/><title type='text'>a ilusão de giannetti sobre a alma</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/ulisses-joyce-pequeno.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Não só de Porto Alegre em Cena vive a capital gaúcha. Há também outro evento que representa um sopro de alento no deserto criativo de nossa província. Tenho tentado ir ao &lt;a href="http://www.fronteirasdopensamento.com.br/programacao"&gt;Fronteiras do Pensamento&lt;/a&gt; sempre que possível. Por isso, fico satisfeito quando posso assistir uma palestra tão interessante e realmente provocadora como a de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Giannetti_da_Fonseca"&gt;Eduarto Giannetti&lt;/a&gt; ontem, no salão de Atos da UFRGS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema do palestrante é inspirado em seu último livro, um romance intitulado "A Ilusão da Alma". A proposta apresentada é: não há mente, mas apenas cérebro. Dessa forma, todos os nossos processos mentais, sejam raciocínios, ideias ou emoções, seriam apenas estertores de um processo neuroquímico prévio, estertores esses totalmente irrelevantes, em última instância, diante da peremptoriedade daqueles processo material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretendo esboçar alguns comentários sobre o assunto. Gostaria de ter mais tempo para dedicar à análise desse tema. Talvez na minha velhice, quando tiver noventa anos  (vou ser um garoto, já que a expectativa de vida tende a aumentar até lá) e sobrar tempo o suficiente, voltarei minha atenção a esse assunto com a seriedade necessária. Por enquanto, limito-me a escrever brevíssimos aforismos, na tentativa de abordar topicamente o tema, sem sistematizá-lo. Claro, isso torna minhas considerações frágeis e refutáveis. Porém, esse é o sacrifício a ser feito em prol da brevidade. Ressalte-se, porém, que as lacunas que permitem refutações não implicam que não tenho argumentos para preenchê-las, mas apenas que me falta tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Comprei semana passada, finalmente, a &lt;a href="http://veja.abril.com.br/150605/p_128.html"&gt;tradução de &lt;span class="texto"&gt;Bernardina da Silveira Pinheiro&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; para o "&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ulysses_%28novel%29"&gt;Ulisses&lt;/a&gt;" de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/James_Joyce"&gt;James Joyce&lt;/a&gt;. Todos sabemos que a tradução do Houaiss é empolada demais, passando a impressão de que Joyce, além de complexo, era também pernóstico. Que nada. "Ulysses", apesar dos trocadilhos e outros jogos de palavras, foi escrito de forma coloquial, simples. Aproveitei também e comprei a versão original (na foto acima, ao lado da versão traduzida). Pretendo ler no original e recorrer à tradução de Bernadina casualmente. Qual o motivo de falar de Joyce aqui? Além de me exibir, a segunda razão é explicada no último aforismo. :o)&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Eduardo Giannetti, infelizmente, deixou de responder à principal pergunta que lhe foi feita -  não por culpa sua, mas do entrevistador, ao qual faltava objetividade. Em sua palestra, Giannetti usou como prova fucral de sua teoria a constatação científica de que as reações neuroquímicas precedem em milissegundos o evento psicológico e volitivo de mover-se a mão. Isso, concluiu, prova que o evento físico precede o pensamento - a mente, portanto, é apenas um subproduto quase irrelevante do cérebro, um fantasma que julga ter alguma autonomia, quando na verdade não passa de um epifenômeno de pouca importância. Porém, a questão central é saber qual foi o evento psicológico utilizado para aferir o momento (alegadamente anterior) em que ocorre o processo neuroquímico. Se esse evento for de consciência (e, mais ainda,  de consciência representativa), isso não descarta de forma alguma que, entre o pensamento e a representação do pensamento à própria consciência, ocorreu aquele lapso de milissegundos: assim, não haveria como descartar que o pensamento em si mesmo (e não sua representação à própria consciência) seja simultâneo ou mesmo anteceda o processo neuroquímico.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;E aqui vai outro tropeço de Eduardo Giannetti. Ele utilizou diversas vezes a palavra "consciência". Empregava-a para afirmar que a consciência era subproduto dos processos neuroquímicos. É impressionante o desconhecimento das inúmeras teorias psicológicas (que não se limitam a Freud e à psicanálise). Para diversos ramos da psicologia, a consciência não passa de um subproduto do inconsciente. Logo, mesmo que consideremos que, quando o indivíduo sonha, há atividade cerebral, tanto no ato de sonhar como no ato de voluntariamente mover a mão não se descarta que, antecedento as imagens e os sons sonhados ou mesmo antecedendo a representação da consciência sobre o ato de mover a mão, esteja o inconsciente plasmador tanto de formas oníricas quanto do pensamento que decide mover a mão (ressaltando-se que o pensamento "mova-se mão" é precedido de um pensamento anterior "bem, agora me convém mover minha mão", sendo ambos, ainda, meras representações à consciência de algo que ocorreu antes). Dito de outra forma, a caprichosa decisão de erguer a mão em determinado momento e não em outro origina-se, inicialmente, como impulso inconsciente, que posteriormente (em questão de milissegundos) emerge na consciência e, em um instante ainda posterior (novamente, tratam-se de milissegundos), é representado à própria consciência como "estou desejando mover a mão". Em que instante desse processo ocorrem os eventos neuroquímicos?&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Falando em inconsciente, não poderia deixar de analisar dois pontos curiosos, que me chamaram a atenção ontem. Porque um economista escaparia de sua área de atuação para debruçar-se sobre esse tema? Por certo que sua motivação não é a mera curiosidade científica. O neurologista Damásio já comprovou que não existe isso de "decisão puramente motivada por critérios racionais". Há, portanto, um elemento pessoal, de natureza emocional, na predileção por esse tema, um desejo de retratar o mundo para si mesmo de determinada maneira, de resolver as próprias questões pessoais com base nessa visão de mundo. As motivações psicológicas inconscientes devem ser investigadas, porque é a partir delas que encontramos os verdadeiros alicerces de qualquer argumentação aparentemente lógica. Por exemplo (frise-se que tenho certeza não ser essa a motivação emocional de Giannetti), os risos debochados de parte da plateia ontem (o riso, quando estamos no campo da argumentação, é sempre a arma do covarde), quando o entrevistador meramente tentava exercer o justo papel de advogado do diabo, denunciam que, para muitos ali, a escolha por uma visão de mundo esconde o simples desejo de, motivados talvez por questões personalíssimas, colocarem-se acima do resto da humanidade pretensamente "crédula" e "medieval".&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;O título do romance é "A Ilusão da Alma", e ele denuncia o que está por trás da intenção de &lt;strong&gt;Eduardo Giannetti.&lt;/strong&gt; O objetivo (além de ganhar alguns trocados com um título bombástico que pretende reverberar o êxito marqueteiro de um título como "Deus, um delírio") é claro: dar mais um golpe nas formas de expressão religiosas. Esse golpe, por um lado, revela uma intenção emocional, motivada possivelmente por circunstâncias pessoais que o próprio sujeito se recusa a analisar. Por outro lado, esse golpe apenas atinge as expressões religiosas mais grosseiras, notadamente aquelas de origem cristã, como veremos a seguir. Ademais, não há que se confundir "alma" com "mente". Afirmar-se que há a mente não implica, necessariamente, em afirmar-se que há uma alma imortal.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Sem querer, Giannetti prendeu-se, em determinado momento do debate, em sua própria armadilha lógica. Quando perguntado quais as consequências morais de acreditar-se que não há mente, mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;apenas&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;cérebro, o palestrante arriscou um jogo de premissas lógicas que capturou seu pensamento. Ele inclusive fingiu estar atrapalhado e fez piada (rapidamente ecoada por seus simpatizantes, prontos para ironizar qualquer coisa a fim de bajular quem julgavam mais inteligentes que eles próprios) quando se deu conta do equívoco. Tudo começou quando afirmou que, se a assertiva "ideias não trazem quaisquer consequências" for verdadeira, então a ideia de que a mente é subproduto do cérebro não traria qualquer consequência de ordem prática. Isso, é claro, mostra-se um rematado absurdo - tanto que, logo a seguir, ele falou sobre as consequências de ordem científica e tecnológica resultantes dessa ideia, e dos problemas morais que resultariam de seu uso para criar um "Admirável Mundo Novo". Logo,  uma ideia, algo puramente abstrato como "ideias não trazem quaisquer consequências", produz sim profundas consequências no mundo real. Assim, afirmar-se que "ideias não trazem consequências" é refutado pelo próprio discurso de Giannetti, o qual afirmou deliberadamente que a proposta por ele defendida era uma nova "revolução copernicana", capaz de causar (saliente-se o verbo "causar") alvoroço. Porém, e aqui prosseguiu Giannetti em seu pequeno exercício de lógica, se a assertiva "ideias não trazem quaisquer consequências" for falsa, então todo o edifício teórico por ele defendido desmorona. Se ideias trazem consequências, então um conceito puramente abstrato (rigorosamente inexistente do ponto de vista material) como, por exemplo, as infelizes teorias nazistas, teria o condão de afetar o mundo concreto: no caso do absurdo nazismo, o principal resultado seria o extermínio de seis milhões de seres humanos. A mente seria, assim, um fantasma inexistente mas com o poder de, mesmo não existindo, afetar o mundo real. E aqui vai uma consideração personalíssima: aprecio muito dessa visão das coisas, realmente me admira desse real paradoxo de que algo que não existe afete aquilo que exista. Essa é uma das mágicas da existência humana e, por isso mesmo, se por um lado não simpatizo com os cientistas materialistas, por outro não gosto muito daqueles religiosos que tentam estragar essa mágica ao falarem da existência de uma suposta alma.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Outro deslize de Giannetti foi ao distinguir entre a crença de que a mente é um subproduto do cérebro e a crença no determinismo. Isso porque, conforme ele mencionou, se o universo for quântico (desculpe-me corrigir, mas não há espaço para condicionantes: o universo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;é&lt;/span&gt;, efetivamente, quântico) então não há absoluta causalidade, existindo uma larga margem para o imponderável. Novamente em suas palavras, o universo seria uma pesada mão de ferro determinista jogando dados continuamente. Há uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alea&lt;/span&gt; de indeterminismo quântico cientificamente comprovado, um espaço para o imprevisível e que derruba, em última instância, a noção de um determinismo neurológico onde um conjunto de processos neuroquímicos encadeados resultará, necessariamente, em um pensamento final específico do qual o indivíduo não pode fugir. Sobre a física quântica, embora não simpatize nem um pouco com uma popularização que apresenta ao público leigo algumas pseudoteorias simplistas e ridículas sobre a força do pensamento humano (uma balela indigna de maiores considerações), tampouco simpatizo com aqueles que, também de forma leiga, rechaçam em absoluto os paralelos entre a Física Quântica e algumas formas de pensamento oriental - e isso pela mera razão de que os principais formuladores da Física Quântica comprovadamente acabaram por recorrer a profundos estudos sobre algumas filosofias orientais e sua concepção da natureza da consciência humana.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Por fim, embora o título "A Ilusão da Alma" sequer disfarce o objetivo de alarmar e abalar os sistemas religiosos, aqueles que assim o fazem demonstram seu abissal desconhecimento sobre as tradições orientais. Para algumas delas, não só o conceito de Deus é totalmente desnecessário e irrelevante (são religiões "não-teístas"), como também a noção de que os pensamentos e emoções (essas coisas que seriam subproduto de processos neuroquímicos) constituem a essência daquilo que chamamos de consciência é uma ideia de uma ingenuidade gritante. Dito em outras palavras, tradições como o zenbudismo conviveriam muito bem obrigado com a teoria defendida por Giannetti, segundo a qual a mente é produto do cérebro. Como ouvi certa vez de uma monja budista, "assim como o fígado produz bile, o cérebro produz pensamentos". É comum dizer-se que a obra (arrá! finalmente!) "Ulisses" de James Joyce se notabilizou por descrever o chamado "fluxo de consciência" de seus personagens, sendo esse fluxo caracterizado pela sucessão de pensamentos e emoções encadeados por associações aleatórias. Pois bem, qualquer pessoa minimamente acostumada ao exercício (frise-se a palavra "exercício", desvinculada que é de qualquer implicação mística) da meditação sabe que não existe "fluxo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;da &lt;/span&gt;consciência", e sim o "fluxo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;na &lt;/span&gt;consciência", no sentido de que os pensamentos e emoções não constituem a consciência e essa prescinde de ambos, havendo um estado no qual os pensamentos e emoções são simplesmente silenciados, restando apenas uma espécie de  consciência fundamental, desprovida de perturbações, tal qual um lago em que as ondas (pensamentos) cessaram. Aqueles que treinam a meditação aprendem por experiência própria a aquietar absolutamente seus pensamentos e sentimentos. O curioso é que os monjes budistas de forma reiterada têm se submetido a todas as espécies de exames e experimentos realizados por neurologistas, sem qualquer receio da investigação científica, e todos esses experimentos sempre corroboraram a eficácia das propostas apresentadas em antigas tradições orientais a respeito da meditação. Nessa hipótese, portanto, a expressão "ilusão da alma" não diria respeito apenas àqueles que se iludem sobre a existência de uma suposta alma invidual, mas também à ilusão daqueles que acreditam que a refutação do conceito de alma terá algum impacto significativo, fora dos obtusos limites da credulidade judaico-cristã.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-3065775023933234442?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3065775023933234442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/3065775023933234442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/09/ilusao-da-alma.html' title='a ilusão de giannetti sobre a alma'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_ulisses-joyce-pequeno.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-6896102059519176655</id><published>2010-09-12T16:39:00.000-07:00</published><updated>2010-09-12T19:15:53.844-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Muié'/><title type='text'>sofia coppola e eu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninfetas gostosinhas e mulherões fatais, é claro, despertam meu desejo, como despertam o de qualquer homem com sangue nas veias. Mas um desejo fugaz, insuficiente para tocar em mim aquela proverbial sineta que desperta o também proverbial lobo, caso tal beleza não venha acompanhado de algo a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É porque eu tenho uma tara, admito. Um fetiche que toca aquela sineta. Minha tara, porém, não é algo idenficável em determinada curva feminina, por mais que as curvas femininas sejam hipnóticas e fascinantes para mim. Trata-se de algo, antes de mais nada, identificável no olhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Então é isso. As burras que me perdoem, mas inteligência é fundamental. Mulher inteligente (mas bela, óbvio, pois beleza &lt;span style="font-style: italic;"&gt;também é essencial&lt;/span&gt;), que consegue manter comigo uma boa e divertida conversação, me dá um tesão danado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso abri um sorriso matreiro quando soube que Sofia Coppola, uma das minhas "paixões", ganhou o Leão de Ouro por &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=E3cPbxCBGVo"&gt;Somewhere&lt;/a&gt;. Presto, assim, singela homenagem à beldade vencedora, com uma sequência de fotos que demonstram como beleza (beleza verdadeira, de mulher de verdade, e não padrões artificiais e inatingíveis de beleza) e inteligência são capazes de andar juntas, coladinhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/5_6sophia-coppola.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/01_thumb1.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/sofia-coppola-170610-1.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/Sofia-Coppola.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/sofia-coppola1.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/sofiacoppola2.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/Sofia_Coppola_7992.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/12-1998SofiaCoppola-2.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/600full-sofia-coppola.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/600full-sofia-coppola1.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/600full-sofia-coppola2.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/itgeflaymq221dpymaray06fo1_400.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/LV_Sophia_Coppola_butterboom.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/nbj.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-6896102059519176655?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6896102059519176655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6896102059519176655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/09/sofia-coppola-e-eu.html' title='sofia coppola e eu'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Sofia/th_5_6sophia-coppola.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-629590009903399517</id><published>2010-09-10T03:50:00.000-07:00</published><updated>2010-09-10T04:31:25.608-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><title type='text'>Goran Bregović em Porto Alegre</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Alguém certa vez disse que, quanto mais triste um povo, mais alegre é sua música. Considerando todo o sofrimento pelo qual passaram os sérvios e croatas após o fim da Iugoslávia, o fato dessa história ter sido sublimada em uma musicalidade tão colorida e tão feliz dá a exata dimensão das desventuras de ambos os povos. E quem conquista, apesar da dor, uma alegria genuina e transbordante, tem o direito de ostentá-la com orgulho,  pois essa alegria decorre de uma vitória sobre si mesmo e sobre o destino. Isso vale mais que a tristeza espúria que é tão apreciada pelo intelectualismo barato. E foi essa ostentação contagiante que ontem ouvimos no palco do Teatro do Bourbon.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sérvio &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Goran_Bregovi%C4%87"&gt;Goran Bregović&lt;/a&gt;, durante o espetáculo desta quinta, deixou claro que não gosta de militares, com o que conquistou minha simpatia pessoal. Mas esse foi o máximo de política da ontem. Não era lugar para isso, e sim para músicas destinadas a, como ele disse, "casamentos e funerais" - embora eu desconfie que, no caso dessas últimas, não seria improvável que o defunto se levantasse para dançar. Desde os primeiros acordes de sonoridade soberba e hipnótica dos músicos sérvios, o público tinha uma só certeza, como pude perceber pelos sorrisos e pela dança esfuziante a que todos se entregaram: a primavera chegou algumas semanas mais cedo em Porto Alegre, e teve local e lugar exato para começar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem mora na capital gaúcha sabe como o público costuma ser contido, difícil de agradar. Faz parte da natureza portoalegrense certa sobriedade que, no fundo, eu mesmo acho um pouco antipática. Muitos artistas têm dificuldades de fazer os espectadores levantarem a bunda da cadeira, e os maiores esforços de grandes músicos muitas vezes restam malogrados. Pois ontem Goran Bregović e seus músicos acabaram com essa frescura já nos primeiros acordes. Eles incendiaram a todos instantaneamente. Jamais vi uma plateia tão animada,  cantando, gritando, sorrindo, batendo palmas, erguendo as mãos e dançando sem qualquer prurido de orgulho besta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, uma palhinha do que rolou ontem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/oQQ82W3LfjI?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/oQQ82W3LfjI?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/6MkVruOR5F4?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/6MkVruOR5F4?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-629590009903399517?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/629590009903399517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/629590009903399517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/09/goran-bregovic-em-porto-alegre.html' title='Goran Bregović em Porto Alegre'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-483666893109437196</id><published>2010-09-09T07:47:00.000-07:00</published><updated>2010-09-09T08:28:41.412-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Sublime'/><title type='text'>algumas coisas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Nós sofremos não tanto porque algo se impõe a nós, mas porque queremos sofrer, porque isso nos ajuda a nos agarrarmos a essas partes tão confortáveis da nossa personalidade, onde mora o nosso medo e busca de alento. Porque escolher ou aprender a não sofrer significa mudar de tal forma nosso ser que implicará em matar um pedaço de nós, aquele pedaço cheio de pequenas neuroses diárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ninguém em sã consciência quer matar uma parte de si. Não, melhor dizendo: é essa parte que não quer morrer, e sabota a todo momento a parte mais saudável de nós, aquela que pressente a intoxicante liberdade e também a, porque não dizer, felicidade que virá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso um salto. Mas quem teria força o suficiente para tal salto? No lapso entre os dois extremos que devemos cruzar com as pernas no ar, há sempre a incomunicabilidade. Não seria nada essa incomunicabilidade, se a liberdade intoxicante a seguir não nos trouxesse um desejo enorme de compartilhar tamanha bem-aventurança. Mas não podemos mostrar o lado de fora ao prisioneiro, enquanto ele próprio não quebrar as paredes de sua prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-483666893109437196?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/483666893109437196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/483666893109437196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/09/algumas-coisas.html' title='algumas coisas'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-268652234109682821</id><published>2010-09-03T10:52:00.000-07:00</published><updated>2010-09-03T14:40:21.532-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #9</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;Índio velho Zanota hoje me perguntou sobre poesia e que poeta da língua portuguesa eu recomendaria. Alguma dúvida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://5perrasnegras.files.wordpress.com/2009/05/fernando_pessoa1.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote class="style7"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;Iniciação &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;center&gt;                             &lt;/center&gt;  &lt;center&gt;                        &lt;/center&gt;    &lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;Não dormes sob os ciprestes,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Pois não há sono no mundo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;O corpo é a sombra das vestes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Que encobrem teu ser profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Vem a noite, que é a morte,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;E a sombra acabou sem ser.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Vais na noite só recorte,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Igual a ti sem querer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Mas na Estalagem do Assombro&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Tiram-te os Anjos a capa:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Segues sem capa no ombro,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Com o pouco que te tapa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Então Arcanjos da Estrada&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Despem-te e deixam-te nu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Não tens vestes, não tens nada:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Tens só teu corpo, que és tu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Por fim, na funda caverna,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Os Deuses despem-te mais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Teu corpo cessa, alma externa,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Mas vês que são teus iguais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;A sombra das tuas vestes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Ficou entre nós na Sorte.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,Helvetica;"&gt;&lt;span style=""&gt;Não 'stás morto, entre ciprestes.&lt;br /&gt;Neófito, não há morte.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-268652234109682821?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/268652234109682821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/268652234109682821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/09/casual-friday-9.html' title='casual friday #9'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7095586006956448693</id><published>2010-09-03T06:23:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T06:38:34.514-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conexões'/><title type='text'>the inception - a origem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 567px; height: 282px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/inception.png" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;(Esse texto é apenas para aqueles que já viram o filme "A Origem", ok? ok.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#66CCCC;"&gt;1- Os sonhos de um sonhador só&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A Origem" (&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Inception_%28film%29"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Inception&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, no original), de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Christopher_Nolan"&gt;Christopher Nolan&lt;/a&gt;, pode não ser apenas um &lt;i&gt;blockbuster &lt;/i&gt;de ritmo frenético. Talvez incorporados de forma perfeita à trama estejam significados imperceptíveis ao primeiro olhar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podemos supor que o filme em nenhum momento retrata o mundo real. Desde suas primeiras cenas até o momento final, estamos dentro de um grande sonho - ou, mais precisamente, estamos dentro da cabeça de um sonhador, observando como seus processos psíquicos desenrolam-se até um despertar maior de sua consciência. Desse modo, apesar de, na história, vários sonhadores comungarem de apenas um sonho, na verdade há apenas um sonhador e vários sonhos cujos elementos inconscientes (chamados no filme de "projeções") são incorporados em diversos personagens: o protagonista (Cobb), o empresário japonês (Saito), a jovem arquiteta (Ariadne), o jovem herdeiro (Fischer) entre outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Para compreender esse sonho, portanto, podemos usar o instrumental (veja-se bem, "instrumental", estamos falando de instrumentos de trabalho, e não de verdades absolutas) criado tanto por Freud como por C. G. Jung. Eu não os considero incompatíveis, mas complementares, como veremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No decorrer desse grande sonho, o sonhador entra em níveis cada vez mais profundos de sua psique para reconciliar-se com a imagem do pai. O pai não só físico, mas também e principalmente aquele conteúdo inconsciente que, associado a atributos paternos, guarda a chave para determinadas potencialidades emocionais e cognitivas. Esse é o nível psicanalítico. Em um ponto de vista que poderíamos chamar de "&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_anal%C3%ADtica"&gt;junguiano&lt;/a&gt;", é um processo de reintegração e reorganização da psique que assimila à consciência conteúdos inconscientes, com a encenação de um ritual de morte da velha ordem e passagem do poder para o representante da nova ordem psicológica. Como o sonhador ainda não é capaz de reconhecer e aceitar esse processo de reconciliação, seu sonho não atribui essa missão diretamente ao protagonista (Cobb), representante de seu ego, mas a um personagem secundário, o jovem herdeiro (Robert Fischer) que precisa encontrar no aval de seu pai um sentido para a própria vida, livre da sombra paterna.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#66CCCC;"&gt;2- O movimento em direção à verdade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#66CCCC;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Mas a identidade profunda entre o protagonista Cobb e o herdeiro Robert Fischer é revelada por uma pequena pista, um sutil vínculo simbólico entre ambos, consistente na relação entre o peão de Cobb e catavento de Robert Fischer. O peão e o catavento são estruturas giratórias que representam, por um lado, a Totalidade da psique (simbolizado em diversas tradições religiosas por mandalas como a Estrela de Davi hebraica, a Cruz cristã, a Roda da Vida tibetana, a &lt;i&gt;Swastika&lt;/i&gt; hindu, etc...) e, por outro lado, um símbolo do próprio processo de integração da psique: um movimento  circular em torno da verdade, denominado por C. G. Jung e pelos alquimistas medievais de &lt;span style="font-style: italic; "&gt;&lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/lateralus-tool.html"&gt;circumambulatio&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Chartres_Cathedral.gif" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Labirinto desenhado no chão da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chartres_Cathedral"&gt;Catedral de Chartres&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Há duas maneiras de ententer a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;circumambulatio&lt;/span&gt;, representada figurativamente por uma espiral.  A primeira é como um movimento que parte do centro da psique e vai traçando círculos cada vez maiores, expandindo-se para abranger cada vez mais espaço, ampliando o campo de domínio da consciência para assimilar conteúdos inconscientes, reestruturando-os em uma ordenação psicológica que é simbolizada por um mandala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda é como movimento da periferia até o centro, onde se encontra a "verdade." Esse movimento em direção à "verdade" não é direto, pois a consciência não suportaria o peso de entrar em contato com ela de forma imediata: assim, gira-se em torno dela, aproximando-se gradualmente do centro. Em outro filme igualmente impregnado de simbolismo podemos encontrar também referência a esse movimento. Em &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Stalker_%28film%29"&gt;Stalker&lt;/a&gt; de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Andrei_Tarkovsky"&gt;Tarkovsky&lt;/a&gt;, os três exploradores não conseguem, por mais que tentem, ir diretamente até o ponto onde todos os pensamentos se tornam realidade, e chegam até mesmo a caminhar longas distâncias só para descobrirem que retornaram para o mesmo lugar onde a caminhada começou.  Retornar ao mesmo quadrante talvez remeta ao movimento espiral. Em "A Origem", o protagonista apenas aceita Ariadne em seu grupo quando essa é capaz de desenhar um labirinto circular semelhante àquele que existe desenhado na &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chartres_Cathedral"&gt;Catedral de Chartres&lt;/a&gt;, na França: a saída do labirinto obriga quem o enfrenta a andar em círculos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#66CCCC;"&gt;3 - O jovem herdeiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#66CCCC;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como eu disse, interpretar o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Inception_%28film%29"&gt;filme de Christopher Nolan&lt;/a&gt; como um processo de reconciliação com a figura paterna seria limitar nossa análise somente à interpretação psicanalítica, pressupondo um pai carnal que talvez tenha produzido esse trauma. Mas vamos além. Vamos ultrapassar o exame do inconsciente pessoal e ir mais fundo, para falar de um símbolo que, sob o ponto de vista da &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_anal%C3%ADtica"&gt;Psicologia Analítica de C. G. Jung&lt;/a&gt;, diga respeito a todos nós, independentemente de nossa experiência com um pai concreto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No filme, o protagonista toma conhecimento da história de um empresário moribundo e de seu jovem herdeiro, que receberá, com a morte do pai, controle total sobre um império financeiro. O sobrenome de pai e filho é "Fischer". Ocorre que "fisher", em inglês, é "pescador". Recordem do mito pagão que foi distorcido pela lenda do Rei Arthur e que ecoa no simbolismo da lenda de Percival e o Rei Amfortas, &lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/06/percival-e-amfortas.html"&gt;mencionado em um texto anterior deste blog&lt;/a&gt;. O curioso é que, na lenda de Percival, o Rei Amfortas é chamado de "Rei Pescador", talvez o associando ao simbolismo cristão, que tem nos apóstolos pescadores a marca de um elo com o divino - ou, ao menos da perspectiva que nos interessa, com os conteúdos numinosos e inconscientes da psique humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retornando ao roteiro do filme, embora no "mundo real" o empresário moribundo tenha deixado apenas um testamento oficial, pelo qual transfere ao herdeiro todo seu império financeiro, oniricamente seu filho precisa encontrar outro testamento, onde lhe será conferido também o poder de dividir esse império, desfazendo o trabalho de seu pai - caberá ao rapaz decidir qual testamento irá utilizar, segundo seus interesses e dotado de uma autonomia que antes desconhecia possuir. Em outras palavras, o que está em jogo é a legitimação total do pai em relação ao filho. Num nível simbólico, o velho rei deve morrer para que o príncipe o substitua. A energia do antigo mundo, deteriorado, deve dar espaço à energia primeva da nova vida. E, nesse processo, a transferência do trono para o novo rei deve ser plena. O velho rei deve dar não apenas a coroa, isto é, o império que representa o poder de criar, mas também a espada com a qual o filho terá o poder de destruir. Deve ser dado ao herdeiro não só o testamento que lhe transfere o império industrial, mas também aquele que lhe cede o direito de destruí-lo, que lhe confere a prerrogativa de, julgando que nada do mundo antigo de seu pai deve persistir em virtude do estado avançado de deterioração, fazer o império desmoronar, para criar a nova vida a partir do zero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso lança nova luz à cena em que o protagonista, ao retornar ao mundo onírico construído em colaboração com sua falecida esposa, contempla os prédios da cidade que criaram desmoronando sobre as ondas de uma praia de águas revoltas. Esse mundo era o lugar onde ele vivia em relação íntima com a potencialidade dos atributos maternos (Freud) ou com sua &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Anima_and_animus"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;anima&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; constelada em um complexo ainda dissociado (Jung), sem espaço para mais nada que não fosse seu desejo. É o estado do &lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/ferida-narcisica-parte-i.html"&gt;narciso&lt;/a&gt; que vive agarrado ao ideal de alma-gêmea por quarenta anos em um lugar onde não há espaço para qualquer contrariedade, onde tudo é perfeito e pode ser criado com um mero ato volitivo. Um estado infantil, portanto, onde não há caos e imprevisibilidade. Mas a vida é caótica e imprevisível por natureza. Logo, esse sonho onde o protagonista vivia com sua "esposa" por quarenta anos em um paraíso idílico é uma forma de morte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#66CCCC;"&gt;4 - Ariadne&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#66CCCC;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No filme, há sonho dentro de sonho. Os personagens sonham que estão sonhando, isto é, há o irreal dentro do que é irreal. Cada sonho mergulha os personagens em uma irrealidade de grau superior. Porém, na verdade, o que ocorre é justo o contrário. Cada sonho aproxima a psique da realidade que está no centro. Cada sonho é um giro completo na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;circumambulatio&lt;/span&gt;. De início, os personagens planejam fazer três níveis de sonho, mas são obrigados a criar um quarto. Nesse quarto, as projeções reduzem-se ao mínimo: quatro personagens - o protagonista, Ariadne, o japonês e sua mulher morta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma personagem interessante é Ariadne. Na mitologia grega, Ariadne é a jovem que assegura a Teseu a possibilidade de entrar no labirinto criado por Daedalus e onde está o Minotauro, pois dá a ponta de um longo fio a Teseu, enquanto agarra a outra extremidade. Desenrolando o fio enquanto caminha, Teseu embrenha-se pelo labirinto com a certeza de que pode voltar a qualquer momento para a origem, bastando desenrolá-lo até reencontrar Ariadne. Um alquimista moderno chamado &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Fulcanelli"&gt;Fulcanelli&lt;/a&gt; fez, certa vez, uma associação etmológica entre Ariadne e a palavra grega para "aranha": o nome da personagem mítica estaria, em sua origem, vinculado ao grego "Aracne", sendo que isso poderia estabelecer um vínculo entre sua história com Teseu e o fio da teia de uma aranha - nesse momento, devemos lembrar que, na mitologia indo-européia de origem hindu, &lt;a href="http://hinduwebsite.com/hinduism/h_maya.asp"&gt;Maya&lt;/a&gt; (o poder delusório do deus &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Shiva"&gt;Shiva&lt;/a&gt;) é representada como uma aranha divina cuja teia é aquilo que tomamos por realidade. Logo, o fio de Ariadne é a realidade na qual o Ego encontra certa segurança, e para a qual pode retornar no caso da coisa ficar preta dentro do labirinto. Por outro lado, no filme "A Origem", o sobrenome do protagonista é "Cobb", que significa "aranha" em inglês arcaico (daí "cobweb", "teia de aranha" em inglês moderno). Há, portanto, uma identificação entre Ariadne e Cobb. Junguianamente se diria que Ariadne é a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Anima_and_animus"&gt;anima&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;de Cobb, com a qual ele estabelece uma relação mais saudável do ponto de vista psicológico, de forma diversa daquela relação infantil representada pela falecida esposa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como já foi dito, Cobb apenas aceita Ariadne em seu projeto quando ela se mostra capaz de desenhar um labirinto circular. Sonhos dentro de sonhos são, de certa forma, labirintos concêntricos cujo eixo é o centro da psique. Em "A Fonte", Ariadne é a arquiteta que deve criar toda a estrutura de sonhos em que os personagens irão viver a aventura. Ela é, de certa forma, a mãe do mundo que os outros personagens habitam. Sua mente é o "corpo" onde os demais sonhadores "vivem", reverberando as lendas das antigas deidades femininas &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tiamat"&gt;Tiamat&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nut_%28goddess%29"&gt;Nuit&lt;/a&gt;, deusas das mitologias respectivamente suméria e egípicia, cujos corpos constituiríam o universo em que vivemos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 511px; height: 372px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Goddess_nut.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Deusa Nut, abrigando sob seu corpo os seres humanos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Costuma-se dizer que a mulher sempre foi identificada com o mundo material. Assim, os cristãos medievais identificavam a mulher com o pecado original, a sua carne tentadora com os caminhos de Satanás. Porém, isso esconde apenas outro símbolo: a mulher não é identificada propriamente com o mundo material, mas com o espaço no qual a consciência, identificada com os atributos masculinos, navega. A mente de Ariadne constrói, no filme,  o espaço físico no qual os outros sonhadores sonham. O drama do processo psicológico representado em "A Origem" desenrola-se em seu palco, sendo ela também a privilegiada expectadora perante a qual os outros personagens, e principalmente o protagonista, encenam os antigos rituais de substituição da velha ordem. Note-se que é apenas com Ariadne que Cobb fala abertamente sobre a sua tragédia familiar, revelando somente a ela o terrível segredo sobre sua culpa pela morte da esposa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#66CCCC;"&gt;5 - A morte da esposa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#66CCCC;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o Ego não deve sentir-se culpado pela morte da esposa, a terceira figura que está no quarto nível do sonho, como um fantasma a persegui-lo. Era mesmo preciso acabar com o estado narcísico (interpretação freudiana), o estado primordial onde o Ego identifica-se com o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Self_%28Jung%29"&gt;Self&lt;/a&gt; produzindo uma "inflação do Ego" (interpretação junguiana) no qual ele se julga um deus capaz de criar a realidade como desejar. Os gregos arcaicos denominavam esse estado de inflação do ego de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hubris"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hubris&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e, no mito de Ícaro, tal situação é representada pela tentativa do herói  de alcançar o sol. O Ego não pode prosseguir tentando confundir-se com o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Self_%28Jung%29"&gt;Self&lt;/a&gt;, senão colocará tudo a perder e, queimadas suas asas, será derrotado. Por isso a esposa deve ser morta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, note-se que Ariadne e a esposa compartilham a mesma energia feminina. Ambas são mulheres e representam a face de uma mesma realidade psíquica primitiva. Na mitologia suméria, Tiamat teve de ser derrotada para que o herói Marduk criasse com seu corpo o universo. Na lenda grega, Édipo deve desvendar o enigma da esfinge o que significa derrotá-la.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 496px; height: 327px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Marduks_strid_med_Tiamat.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Marduk ataca a deusa Tiamat.&lt;br /&gt;O herói fez de seu tórax o vácuo entre o céu e a terra.&lt;br /&gt;Seus olhos de lágrimas se tornaram a fonte do Rio &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Eufrates" title="Eufrates" class="mw-redirect"&gt;Eufrates&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Tigre" title="Rio Tigre"&gt;Tigre&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#66CCCC;"&gt;6 - O protagonista vivencia a experiência do herdeiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#66CCCC;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No final do filme, quando o sonho de quarto nível está acabando, restam apenas dois personagens. O fantasma da esposa foi superado, e Ariadne retorna ao primeiro nível de realidade, no momento em que o herdeiro reconcilia-se com seu pai onírico e descobre, dentro de um cofre, o testamento que lhe confere o mais amplo poder e independência, junto a um cata-vento que representa, por um lado, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;circumambulatio &lt;/span&gt;e, por outro, a própria totalidade da psique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, nesse momento do filme, duplo simbolismo para o mesmo fato psicológico pois, a seguir, o Ego recolhe a projeção feita no personagem do herdeiro e ele próprio desenvolve a atividade de resgatar da psique aquela figura que o pai milionário representava. Isso ocorre através de outro milionário,  Saito, um japonês que propôs a Cobb a missão de resgatar a si próprio. É a figura do Deus-Pai, o representante do mundo que deve ser renovado. Quando o protagonista o encontra, Saito também está velho e moribundo, tal qual aquele empresário que deixara um testamento onírico ao filho: ambos representam o velho rei pagão que deve ser ritualisticamente morto no inverno, para que se suceda a primavera representada pelo príncipe herdeiro. É importante lembrar que, por um lado, foi a ferida da bala que o herdeiro recebeu da esposa de Cobb o motivo de eles terem avançado em um nível onírico mais profundo, e, de outro, foi a ferida de Saito que manteve o progatonista nesse nível até o último minuto.  A ferida narcísica do Rei Amfortas precisa ser reconhecida. Cobb mostra a Saito, como símbolo de reconhecimento e pressuposto para que ocorra um rejuvenecimento do velho empresário, justamente o seu peão, símbolo do caminho circular e da totalidade. Apenas assim o protagonista poderá entrar entrar na sua terra de origem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o milionário japonês faz a ligação ao retornar ao "mundo real", miraculosamente se desfazem todos os obstáculos para que o protagonista encontre seus dois filhos loiros. Os gêmeos solares, representados na carta "O Sol do Tarot" e, na mitologia egípcia, por Shu e Tefnut, irmãos filhos de Rá, simbolizam a propriedade solar da verdade que deve ser atingida. Ícaro, dessa vez, conseguiu aproximar-se do sol sem confundir-se com ele, sem queimar suas asas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 492px; height: 232px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/sun_comparison.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Versões mais arcaicas do arcano XIX, O Sol, do Tarot&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Note que há figuras em duplicidade: Ariade e a esposa, o herdeiro e o protagonista, o milionário moribundo e o milionário japonês e, por fim, os gêmeos. Todos esses símbolos se unificam ao final, que é representado pelo peão. O peão, no roteiro de "A Origem", é o objeto que permite distinguir, no caso de dúvida, o mundo real do mundo onírico. Se ele cai, então é realidade. Se ele continua girando, então é sonho. Porém, na verdade,  o peão que não gira infinitamente é a totalidade desequilibrada que não sustenta seu próprio peso. O peão girando sem parar ao final do filme (há uma dúvida) é o êxito do protagonista em equilibrar todos os conteúdos da sua psique. A Roda do Mundo foi posta em movimento de forma adequada, saindo da estagnação invernal do antigo rei moribundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7095586006956448693?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7095586006956448693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7095586006956448693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/inception.html' title='the inception - a origem'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_Chartres_Cathedral.gif' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-5121766008153840446</id><published>2010-08-31T03:50:00.000-07:00</published><updated>2010-08-31T11:44:21.094-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conexões'/><title type='text'>Lateralus - Tool</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lateralus_%28song%29"&gt;Lateralus&lt;/a&gt; é uma música com um significado especial para mim. Encontrei esse vídeo no Youtube, onde alguém explica de um jeito didático o elemento matemático da letra, que faz alusão aos Números Fibonacci. Mas esse é apenas um entre diversos aspectos da música, que é apenas uma entre outras diversas músicas desse &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lateralus"&gt;álbum&lt;/a&gt; da banda &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tool_%28band%29"&gt;Tool&lt;/a&gt; no qual podemos abstrair significados simbólicos. Como diziam os alquimistas, tudo é símbolo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="350" width="500"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/wS7CZIJVxFY?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/wS7CZIJVxFY?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="350" width="500"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se trata apenas de matemática. Os &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Fibonacci_number"&gt;Números de Fibonacci&lt;/a&gt; (0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13...) são uma sequência numérica que conseque descrever matematicamente muitas estrututuras e eventos naturais, pois é a base do movimento espiral. E o movimento espiral é a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;circumambulatio &lt;/span&gt;dos alquimistas: a aproximação circular e gradual da consciência até um ponto central, em um caminho que passa pela &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Regio Nymphidica&lt;/span&gt;, ou "Região das Ninfas", que nada mais é que o inconsciente humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 449px; height: 277px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Fibonacci.png" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A Wikipedia fornece mais algumas informações interessantes sobre a música:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;"In a 2001 interview, Keenan commented on the lyric mentioning black, white, red and yellow: "I use the archetype stories of North American aboriginals and the themes or colours which appear over and over again in the oral stories handed down through generations. Black, white, red, and yellow play very heavily in aboriginal stories of creation."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The line "As below so above and beyond, I imagine" is a quote from one of the Seven Aphorisms of Summum and is also a direct reference to Hermeticism and the Emerald Tablet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;An interesting side note, in alchemy "The Great Work" begins with the Nigredo (black), then moves to the Albedo (white), then the Citrinitas (yellow), then the Rubedo (Red)."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/fibonacci-nature-nautilus3.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;Mas vamos falar de outra passagem da letra:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Over thinking, over analyzing,&lt;br /&gt;separates the body from the mind.&lt;br /&gt;Withering my intuition, missing opportunities and I must&lt;br /&gt;feed my will to feel my moment drawing way outside the lines&lt;/blockquote&gt;(E aqui sou eu quem falo:) Vivemos como que "capturados", "aprisionados", no hemisfério esquerdo do cérebro. Isso já é manjado. A consciência humana construiu ao seu redor uma cela chamada racionalismo que não permite contato com a intuição. Vivemos separados do corpo e da intuição. Na verdade, nessas condições a intuição é considerada uma coisinha curiosa mas sem grande poder, que utilizamos apenas para dizer "não sei, não fui com a cara daquela pessoa" ou "está fazendo sol mas algo me diz que vai chover". Acreditar que a intuição se limita a isso é como usar uma ogiva nuclear para matar moscas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/espiral_natureza_fibonacci.png" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa visão da intuição como um "bicho de estimação" da consciência, um animalsinho útil que lhe ajuda apenas de forma acessória, não corresponde à sua verdadeira natureza. A intuição rompe com o liame racional com o mundo, afasta a consciência da estrutura de causalidade na qual ela está conectada e enraiza a mente no momento presente.  E esse enraizamento extremo neste momento presente faz com que o indivíduo mergulhe no universo simbólico no qual o conceito de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sincronicidade"&gt;sincronicidade&lt;/a&gt; faz sentido. Confiando cada vez mais em um sistema de símbolos que não formam um sistema fechado, mas antes uma estrutura aberta a inúmeras interpretações (todas válidas), o indivíduo vai observando um sem número de eventos significativos mas não-causais ocorrendo ao seu redor. O importante é não se deixar levar por uma interpretação dentre todas possíveis e, principalmente, não ceder à tentação de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;literalizar &lt;/span&gt;aquilo que é simbólico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/12546955505nfqJyR.jpg"&gt;&lt;img style="width: 533px; height: 360px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/espiralmulher.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma quanto ao corpo, como diz a música, "over thinking, over analyzing, separates the body from the mind". Isso não só é ruim para o corpo, mas principalmente para a mente. Nossa sociedade tende a ver o corpo apenas como um mecanismo que deve estar bem lubrificado e conservado, mas que deve ser convenientemente deixado de lado, em um armário, quando as atividades intelectuais, essas sim importantes, passam a operar. As religiões patriarcais (e aí incluo também o budismo) tratam o corpo apenas como um obstáculo ou, no máximo, um servidor útil da mente em busca da libertação. Mas, sob uma lógica inversa, o corpo pode ser considerado não apenas uma ferramenta, mas o próprio caminho pelo qual o ser humano atinge patamares mais evoluídos de consciência. Os antigos iogues sabiam disso.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;With my feet upon the ground I lose myself&lt;br /&gt;between  the  sounds and open wide to suck it in,&lt;br /&gt;I feel it move across my skin.&lt;br /&gt;I'm reaching up and reaching  out,&lt;br /&gt;I'm reaching for the random or what ever will bewilder me.&lt;br /&gt;And following our will and wind we may just go where no one's  been.&lt;br /&gt;We'll ride the spiral to the end and may just go where no one's  been.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-5121766008153840446?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5121766008153840446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5121766008153840446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/lateralus-tool.html' title='Lateralus - Tool'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_Fibonacci.png' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4161619067270942452</id><published>2010-08-29T17:03:00.000-07:00</published><updated>2010-08-30T16:17:25.946-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeça Talking'/><title type='text'>17º Poa em Cena (ou porque você pode parar de reclamar de Porto Alegre em setembro)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Alguns amigos de bom gosto, uma pessoa mais especial que os amigos-de-bom-gosto e eu temos vários encontros marcados em setembro. Todos, graças ao &lt;a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/"&gt;Porto Alegre em Cena&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para quem reclama da falta de opções culturais em Porto Alegre e da modorra bairrista que &lt;a href="https://twitter.com/O_Bairrista"&gt;esse sujeito aqui&lt;/a&gt; ridiculariza tão bem, o Porto Alegre em Cena é uma oportunidade de trazer à cidade os ares, ideias e talentos lá de fora, sacudindo um pouco a pestilência dos nossos cães da província. O evento sempre trouxe importantes espetáculos à capital gaúcha, mas esse ano Luciano Alabarse e sua trupe se puxaram legal. Parabéns.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi, como sempre, uma briga de foice comprar os ingressos esse ano. Nem todos os lugares que conseguimos reservar são ideais, nem todos os horários são perfeitos - mas, como eu disse, em atividade conjunta conseguimos marcar presença nos seguintes espetáculos, que dão uma ideia do porquê não podemos franzir o nariz a esse evento:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Lembrem-me que estou devendo uma cerveja ao índio velho Renato. Não fosse ele me avisar que Goran Bregović se apresentaria na cidade, eu teria esquecido da data de abertura da bilheteria do Poa em Cena.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; color: rgb(102, 204, 204);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;Goran Bregović - Alkohol (Sérvia/Música)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NP_taIlO5RI?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/NP_taIlO5RI?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="385" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O sérvio Brevovic, reconhecido como o nome mais importante da música popular dos Balcãs  nos dias de hoje aportará, por obra e graça do imponderável, em nossa cidade dias 08 e 09 de setembro. Qualquer semelhança entre ele e o pessoal do Beirut é puro plágio desses últimos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; color: rgb(102, 204, 204);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;Anatomia Frozen (Brasil/Teatro)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 514px; height: 385px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/anatomiafrozen.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Bryony Lavery é uma dramaturga britânica que ganhou renome mundial ao ganhar o Tony Award de melhor peça em 2004 por Frozen. Estamos falando aqui de teatro moderno de gente grande, portanto. A peça trata de um psicopata que matou uma menina de dez anos, a mãe da vítima e um psiquiatra que estuda as motivações dos assassinos seriais. Alguns acusaram a autora de plágio, mas eu não estou nem aí: o medíocre copia; o gênio rouba.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 204, 204);"&gt;O Grande Inquisidor (Brasil/Teatro)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="340" width="560"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Fcsmc9SptyY?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Fcsmc9SptyY?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="340" width="560"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Rubens Rusche traz aos palcos o célebre trecho de Os Irmãos Kamarazov no qual Ivan conta a Alyosha a história do encontro entre um inquisitor espanhol e ninguém menos que Cristo. Essa história tem força o suficiente para ser descontextualizada da obra de Dostoievski e sobreviver no teatro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 204, 204);"&gt;O Idiota (Lituania/Teatro)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/QnSJ5sYloiE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/QnSJ5sYloiE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="385" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Um festival que tem duas vezes Dostoievski merece nosso respeito. Eimuntas Nekrosius  traz ao Poa em Cena sua montagem inspirada no texto original de "O Idiota". É a quarta vez que ele apresenta seu trabalho em Porto Alegre e a primeira em que poderei assisti-lo. Tentei ir em Fausto (2008), mas os ingressos já estavam esgotados, diacho. Nekrosius sagrou-se como um dos grandes nomes do teatro a partir de 1997, quando sua montagem de Hamlet consolidou seu nome no cenário internacional. relevantes Seu talento conseguiu vencer, inclusive, a barreira da língua. Suas peças, embora em lituano, viajam o mundo (o vídeo acima foi da exibição de "O Idiota" na Itália). Quem já as assistiu me garantiu que a legenda fornecida pelo Poa em Cena dá conta do recado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-weight: bold; color: rgb(102, 204, 204); text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 204, 204);font-size:100%;" class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 204, 204);"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tobari (Japão/Teatro Butoh)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/U1m1HhwMCgI?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/U1m1HhwMCgI?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="385" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O Sankai Juku é um grupo perfomático japonês radicado na França que apresenta trabalhos típicos do gênero &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Butoh"&gt;Butoh&lt;/a&gt;, aquelas viajadas na maionese que os japas  tanto curtem. Apresentam no POA em Cena desse ano o espetáculo "Tobari", palavra que significa "cortina" mas, também, o momento que antecede o crepúsculo. Os japas são bem modestos na temática, ora vejam só: pretendem falar da vida, do nascimento e da morte. Apenas isso. Depois há quem diga que "Sinédoque Nova Iorque" do Kauffman foi pretensioso. Sei. O espetáculo Tobari estreou em 2008 em Paris com todas as apresentações rapidamente esgotadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style="color: rgb(102, 204, 204);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Hilda Hilst - O espírito da coisa (Brasil/Teatro)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/e7S8IZk2mn0?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/e7S8IZk2mn0?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="385" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É em homenagem a minha poeta mais querida que uma das principais personagens de Colapso ganhou o nome de Hilda. Se o objetivo desse espetáculo é celebrar sua obra, já estou lá esperando a peça começar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style="color: rgb(102, 204, 204);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Ute Lemper - Último Tango em Berlim (Alemanha/Música)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="340" width="560"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zh7K5TBtvj8?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/zh7K5TBtvj8?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="340" width="560"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A alemã Ute Lemper, dona de uma voz única, já trabalhou com Tom Waits, Elvis Costello, Philip Glass e Nick Cave. Preciso dizer algo mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; color: rgb(102, 204, 204);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;Torturas de um Coração (Brasil/Teatro)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/dbJqSWnpGJE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/dbJqSWnpGJE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="385" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"Torturas de um coração - ou em boca fechada não entra mosquito" é uma peça escrita por Ariano Suassuna  para o teatro de bonecos nordestino. Porém, o grupo teatral Sarça de Horebe interpreta a obra com atores de carne-e-osso, tentando fixar a encenação nos limites entre a expressividade humana e os gestuais típicos de bonecos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4161619067270942452?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4161619067270942452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4161619067270942452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/poa-em-cena-ou-porque-voce-pode-parar.html' title='17º Poa em Cena (ou porque você pode parar de reclamar de Porto Alegre em setembro)'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_anatomiafrozen.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-1947324698262797070</id><published>2010-08-25T17:22:00.000-07:00</published><updated>2010-11-27T19:47:08.792-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colapso'/><title type='text'>Colapso #1</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 18pt;font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Pretendo publicar trechos de Colapso de vez em quando. A ideia é que esses trechos sejam curtos, apresentados de forma aleatória e sem dar muitas dicas sobre a verdadeira natureza da história. Como uma espécie de &lt;i&gt;trailer&lt;/i&gt;, com breves excertos ao invés de cenas rápidas, apenas para dar um "aperitivo", colocando elementos da história que não formam algo coeso, mas antes confundem um pouco. Esse é o primeiro excerto. Aproveitem enquanto eu não mudo de ideia. ;-)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 18pt;font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;COLAPSO #1&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;"(...)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;No trajeto, a velha caminhonete da família parecia abocanhar a estrada de terra e mastigá-la com dentes de ferro, tamanho era o barulho do motor. E seu apetite não diminuiu com a chegada do asfalto, prosseguindo faminto até o centro de Diamantina prenunciar-se por trás dos morros. A cada relance dos campanários das igrejas de minha infância, eu ficava um pouco mais ansioso. Não que eu sentisse nostalgia da época em que os primeiros e mais detestáveis apelidos surgiram, mas a vida na cidade grande havia sido pior pelo motivo exatamente oposto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Dei-me conta, enquanto nos aproximávamos das igrejas antigas, de que as metrópoles modernas eram todas iguais, não importa onde estavam e qual seu nome. Tirando uma camada superficial de distinção que talvez encantasse os turistas, eram uma só cidade, reimpressa em todos os cantos do mundo, como um vírus que fabricava, a partir do desmonte de outras cidades com feições e vida própria, cópias exatas de si mesmo. Ruas cheias de carros e metrôs fartos de gente, passos rápidos e rostos de zumbis, lanchonetes coloridas e dentadas apressadas, sonolência azeda ao amanhecer e cansaço rançoso ao fim da tarde. Se em Diamantina eu era o Berro Vermelho, nas ruas do Rio, Belo Horizonte, Buenos Aires, Nova Iorque ou México, eu sempre seria algo pior - um anônimo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Porém, minha cidade natal, na periferia, já não era a mesma, pois passamos por casas e pequenos prédios residenciais que não faziam parte da minha infância. Foi só quando chegamos ao seu perímetro histórico que me senti como quem retorna a algum lugar. Francis atendeu meu pedido e estacionou nas imediações do antigo centro de Diamantina, para que eu continuasse o resto do caminho a pé, pois desejava reconstituir meus passos de criança.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;(...)"&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-1947324698262797070?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/1947324698262797070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/1947324698262797070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/colapso-1.html' title='Colapso #1'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4867658870495937633</id><published>2010-08-20T08:00:00.000-07:00</published><updated>2010-08-20T08:04:19.429-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #8</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;Carl Gustav Jung fala da mente, da vida e da morte em 4 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/YOCywXmCv5o?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/YOCywXmCv5o?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="385" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4867658870495937633?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4867658870495937633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4867658870495937633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/casual-friday-8.html' title='casual friday #8'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-9046876258592529577</id><published>2010-08-19T04:12:00.000-07:00</published><updated>2010-08-19T04:57:18.527-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Olho Nu'/><title type='text'>a criança que ainda está aqui agradece</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Glória ao time historicamente popular das paragens gaúchas, que acolheu todas as supostas "raças" em seu seio desde o início (o que rendeu a seus torcedores a alcunha intencionalmente preconceituosa de "macaco", apelido esse que aceitamos com orgulho, na medida em que o esvaziamos de todo o tacanho preconceito, superando a lógica distorcida na qual essa palavra pode parecer ofensiva). A criança que ainda está aqui dentro agradece &lt;a style="color: rgb(255, 0, 0);" href="http://www.correiodopovo.com.br/Esportes/?Noticia=184678"&gt;a conquista&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/carteira-jovem-guarda-colorada.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carteira da Jovem Guarda Colorada,&lt;br /&gt;emitida em setembro/1977 (válida por dez anos)&lt;br /&gt;como presente de meu aniversário de quatro anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A foto dessa carteira também possui um valor especial por outro motivo. É uma das poucas fotografias que tenho de quando criança. Meu pai, quando minha mãe pediu o divórcio, vingou-se colocando fogo em todas as fotos da família que encontrou. Poucas se salvaram, e essa é uma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-9046876258592529577?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/9046876258592529577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/9046876258592529577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/crianca-que-ainda-esta-aqui-agradece.html' title='a criança que ainda está aqui agradece'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-5351707040604797893</id><published>2010-08-13T06:23:00.000-07:00</published><updated>2010-08-13T05:07:46.176-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #7</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Casual%20Friday/nocountry-casual7.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:'Times New Roman';font-size:medium;"  &gt;&lt;p   style="margin: 13px 0px; padding: 0px; line-height: 18px;font-family:verdana,'Times New Roman',Times,serif;font-size:13px;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;When I came into your life your life was over. It had a beginning, a middle, and an end. This is the end. You can say that things could have turned out differently. That they could have been some other way. But what does that mean? They are not some other way. They are this w&lt;/span&gt;ay.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 13px 0px; padding: 0px; font-family: verdana,'Times New Roman',Times,serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;- No Country For Old Men&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-5351707040604797893?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5351707040604797893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5351707040604797893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/casual-friday-7.html' title='casual friday #7'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-6714227466019855016</id><published>2010-08-12T18:30:00.001-07:00</published><updated>2010-08-13T04:58:19.992-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natureza Humana'/><title type='text'>Lateralus</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/3f9823cc-5de0-4416-b10f-da4cae9bceaf.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Estou a um passo de algo muito, muito importante em minha vida. Não, não é um novo cargo, uma bolada milionária, um novo amor, um reconhecimento artístico, uma viagem há muito planejada ou qualquer coisa do gênero. É uma tomada de consciência. Mas eu paro no limiar dessa consciência e dou sempre um passo para trás. Eu reconheço o quanto a "morte" simbólica referenciada por Joseph Campbell, Mircea Eliade e C. G. Jung tem pouco de simbólica e muito de real. A morte física só é problemática porque resulta na morte do eu. Tanto que as religiões, ao falar em vida após a morte, geralmente afirmam a continuidade do eu após o perecimento do corpo. Mas, na tomada de consciência, há uma espécie de morte de um jeito de ser do eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, tendo já abdicado de muitas coisas que me são queridas em busca da tomada de consciência há muito ambicionada, percebo um elemento determinante para essa espécie de morte: a incomunicabilidade. Dado o passo, entra-se num reino de absoluta incomunicabilidade. O que se sabe não pode ser compartilhado. Olha-se os que estão ainda lá para aquém do limiar e enxerga-se o quanto estão no jardim da infância e apenas balbuciam monossílabos enquanto brincam com blocos coloridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que terei companheiros, que não estarei sozinho. Muriel e o Zanota, por exemplo estão ou estarão lá também. Mesmo assim, a incomunicabilidade ainda estará presente. Há algo na experiência definitiva dessa tomada de consciência que não é verbalizável. Mesmo esse meu texto, eu sei, será compreendido por apenas três pessoas (os dois citados e Viviane, que, pelo contato tão íntimo durante os anos, compreende meu vocabulário tão franco que parece cifrado). As demais, sem demérito, quedarão no desconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há algo mais que me assusta. Uma vez vencido o medo da incomunicabilidade, a liberdade que se instaura é aterradora. Os homens não têm consciência do quão  efetivamente são livres. Elaboramos prisões e condicionamentos porque disso precisamos, pois a perfeita consciência, se vivenciada sem restrições, é um peso insuportável para muitos. E existe outro motivo para a construção de prisões: a tomada de consciência sobre nossa absoluta liberdade não só é intolerável para a maioria das pessoas como, também, é inacessível. É preciso um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quantum &lt;/span&gt;de inteligência, sensibilidade, flexibilidade, humor, desapego, sabedoria e ousadia que não está acessível a todos os seres humanos nesse momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao vislumbrar e compreender a incomunicabilidade que virá, coloco os dedos dos pés um pouco além do limiar onde estou. Um semipasso medroso que logo se retrai. Não há vaidade ou exagero aqui: eu me cago de medo. Sinto a liberdade logo adiante, a libertação radiante e transfiguradora que outrora já testemunhei, e então me lembro do porque, certa vez, a recusa fez-me vomitar. Literalmente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-6714227466019855016?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6714227466019855016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6714227466019855016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/estou-um-passo-de-algo-muito-muito.html' title='Lateralus'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_3f9823cc-5de0-4416-b10f-da4cae9bceaf.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-994828828806922835</id><published>2010-08-11T06:06:00.000-07:00</published><updated>2010-08-11T16:03:53.697-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><title type='text'>Minha homenagem ao Dia do Advogado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Hoje é Dia do Advogado e, por extensão, de todos os  demais operadores jurídicos, notadamente Juízes, Promotores e Procuradores! Que beleza compartilhar com esses nobres jurisconsultos a tarefa de tornar esse mundo menos complicado, mais harmonioso e pacífico. Por isso, segue minha homenagem, entoada na voz de Vinicius de Moraes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tome gravata!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fXNG2SVSIUE&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1?rel=0"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/fXNG2SVSIUE&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1?rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="385" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-994828828806922835?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/994828828806922835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/994828828806922835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/minha-homenagem-ao-dia-do-advogado.html' title='Minha homenagem ao Dia do Advogado'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7561120452724005723</id><published>2010-08-10T19:04:00.001-07:00</published><updated>2010-08-10T19:34:20.147-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Proust'/><title type='text'>PPP - Porque Proust é Phoda #1</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 500px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Proust.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há inúmeros trechos fabulosos na obra de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcel_Proust"&gt;Marcel Proust&lt;/a&gt;. Ele é a prova cabal do poder da literatura: você jamais sai ileso de sua leitura, pois há um processo efetivo de enriquecimento pessoal, de aprimoramento de sua inteligência, de sua sensibilidade e de seu preparo para a vida. Como eu estou sempre relendo &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Em_Busca_do_Tempo_Perdido"&gt;Em Busca do Tempo Perdido&lt;/a&gt; (isso mesmo, termino e logo depois recomeço, embora algumas vezes haja certos lapsos temporais), vez ou outra vou postar aqui algum desses excertos. Para começar muitíssimo bem, aí vai um trecho sucinto e contundente, uma reflexão do autor ao ensejo da cena em que Swann quase cede às suas desconfianças em relação à Odette.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;"...Afastou-se desculpando-se e regressou a casa, feliz de que a satisfação de sua curiosidade houvesse deixado inato o seu amor e, depois de haver por tanto tempo dissimulado uma espécie de indiferença para com Odette, não lhe ter dado, com uma demonstração de ciúme, a prova de que a amava demasiado, o que, entre dois amantes, dispensa para sempre, àquele que a recebe, de amar o suficiente."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7561120452724005723?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7561120452724005723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7561120452724005723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/proust-1.html' title='PPP - Porque Proust é Phoda #1'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_Proust.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-572391516501392378</id><published>2010-08-10T04:32:00.001-07:00</published><updated>2010-08-10T16:27:12.479-07:00</updated><title type='text'>ahn</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Com o vídeo abaixo, descobrimos que, em casa, a última palavra é sempre do Bonner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BEEEEM, não é exatamente uma palavra. Está mais para uma interjeição, um grunhido resignado, algo como "ahn".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/6rJKeb_KfdY&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/6rJKeb_KfdY&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="385" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Reparem não só no grunhido, mas também na cabeça baixa e no beiço que ele fez em seguida. A partir desse vídeo, podemos imaginar perfeitamente não só alguns diálogos, mas também os gestos do casal durante seu cotidiano:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;"- Bonner, só um minutinho. Vou sair para encontrar a Glória Maria. Não espere por mim, volto tarde. Não esqueça de dar ração para a Miriam Leitão e levá-la para passear, de alimentar e colocar as crianças para dormir, de ariar as panelas, lavar a roupa, passar as camisas do nosso segurança e concertar aquele meu salto quebrado. Boa noite!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Ahn...&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;"- Bonner, só um minutinho. O que pensa que está fazendo? Volte a deitar no colchão e fique com as mãos paradas! Você sabe que essa é a única posição que não despenteia meu cabelo.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;- Ahn..."&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;"- Bonner, só um minutinho! Que bagunça é essa?!?! Limpe essa cara, junte já minhas caixas de maquiagem e guarde essas &lt;em&gt;lingerie&lt;/em&gt;s! Bem que a Dona Lili Marinho me avisou para não casar com você!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;- Ahn..."&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-572391516501392378?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/572391516501392378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/572391516501392378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/ahn.html' title='ahn'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-5912439659182488382</id><published>2010-08-09T03:42:00.001-07:00</published><updated>2010-08-09T04:25:26.899-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Segunda sem Lei'/><title type='text'>O Dia da Verdade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 316px; height: 546px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/FreedomFightersHandbook-MolotovCocktail.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Elegi segunda-feira, aleatoriamente, como o Dia da Verdade - por isso e em homenagem a uma antiga festa aqui de Porto Alegre, chamarei as segundas-feiras de Segunda sem Lei. Isso significa que toda segunda, de agora em diante, será o dia em que falarei francamente e de modo verdadeiro em qualquer situação, não importa o quanto "dourar a pílula", vaselinar uma crítica ou ocultar parte da verdade seja conveniente. Isso implica em que, se alguém me fizer qualquer pergunta em uma segunda-feira, eu responderei a absoluta verdade, sem tentar ser diplomático ou lançar mãos de efeumismos, mesmo que eu me foda. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Duela a quien duela&lt;/span&gt;, como disse um grande estadista tupiniquim (estou brincando, foi o idiota do Collor). Chefia, você fica ridícula com esse bronzeado artificial e esse estilo perua cômica do Sai de Baixo. Amigo, faz tempo que acho que você é boiola, então solta a franga nêga. Meu velho, a sua mulher manipula sua vida feito um fantocheiro. E vou começar com o pé direito esse Dia da Verdade, dizendo que odeio meu trabalho, mas ele paga bem pacas, e sou mercenário o suficiente para vender o talento e inteligência que eu sei que tenho em prol de um sistema burocrático que finge funcionar. Mas, vez ou outra, penso em usar uns coquetéis molotov produzidos segundo alguma receita na internet para resolver de vez esse dilema pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom dia para os amigos e visitantes do blog. Os outros podem ter uma manhã de merda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-5912439659182488382?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5912439659182488382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5912439659182488382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/o-dia-da-verdade.html' title='O Dia da Verdade'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_FreedomFightersHandbook-MolotovCocktail.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4573153245585054718</id><published>2010-08-03T03:37:00.000-07:00</published><updated>2010-08-10T05:01:06.714-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Sublime'/><title type='text'>A Morte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu frequentemente penso no momento da morte. Por favor, isso não é uma ode besta ao suicídio. Só as crianças assustadas com as sombras pensam em suicídio. E não me tenham por mórbido. Isso no fundo não tem nada de opressivo. O que causa em algumas pessoas a impressão de morbidez e opressão não é a morte em si, mas a perspectiva tacanha que é propiciada pela postura que adotam em suas vidas. Ter sempre em mente a possibilidade da morte, única certeza inafastável e imprevisível da vida, é algo mais do que razoável. É até saudável, e o verdadeiro caminho para algo que podemos, sem muito risco, chamar de felicidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ideia da morte seria, assim, um termômetro sobre a qualidade de vida de uma pessoa. Se alguém fica, por algum motivo, deprimido ao pensar nesse assunto, é muito provável que esteja vivendo do modo errado. Claro, não há parâmetros universais para o que seja viver "certo" ou "errado". Cada ser humano tem seu conjunto particular de fatores que determinam a qualidade de sua vida. Porém, independentemente do indíviduo, a reação emocional de qualquer pessoa, quando se vê obrigada a pensar nesse assunto, é um termômetro sobre a qualidade de sua vida e crescimento. Não que aquelas mais felizes, por amarem mais esta vida, fiquem mais deprimidas ao pensar na morte que as "infelizes", para as quais muitas vezes o fim de tudo é um consolo. Não. Quero dizer que aquelas mais despertas e compromissadas a viver integralmente cada dia de suas vidas são as únicas para as quais a ideia da morte nada tem de opressiva, enquanto aquelas que fogem continuamente de si mesmas são as que se deprimem e se agarram em crenças espirituais e/ou religiosas sobre uma vida no além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Notem: a questão não é se há ou não vida após a morte - esse tema está em aberto nesse texto. A questão é que tipo de pessoa precisa "acreditar" na vida após a morte, quando em tudo o mais, geralmente, o bom senso aconselha que nos atenhamos apenas àquilo que sabemos com segurança, sem pautar nossas escolhas em suposições.)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descartando os rompantes de energia juvenil que podem dar ideias criativas sobre o momento da morte, creio que a grande maioria gosta de pensar que irá morrer bem velhinho, em uma cama confortável, cercado de entes queridos e de boas memórias sobre sua vida, com pouca ou quase nenhuma dor. Se isso não ocorrer (o que é muito provável, na maior parte dos casos) e a pessoa morrer em um acidente de carro ou vítima de uma doença dolorosa, a questão é ainda mais punjente. Mas vamos imaginar o melhor dos quadros: bem velhinho, cama confortável, entes queridos e nenhuma dor. Muitos acreditam que, nesse momento, um filme passará pela sua cabeça, um filme semelhante ao final podre de piegas do péssimo &lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Curious_Case_of_Benjamin_Button"&gt;Benjamin Button&lt;/a&gt;. E, vendo esse filme, muitos gostam de imaginar que morrerão até mesmo com um leve sorriso lábios.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, acho que não vai ser assim. Mesmo no melhor dos cenários, o último pensamento que antecede a morte, para a maioria das pessoas, vai ser algo mais ou menos do tipo: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Putaqueopariu maluco, perdi toda minha vida com um monte de bobagens! Quanta merda eu fiz pra agradar os outros ou provar a mim e aos outros coisas totalmente inúteis! E agora eu tô morrendo, porra! Esso é real! Olha esse bando de otários aí me olhando, eles são jovens e não têm nem ideia do que eu estou descobrindo agora! Caraca como eu fui trouxa, como perdi tempo e energia com um monte de besteiras! Eu não quero morrer! Deixa eu voltar atrás no tempo!&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou sendo até otimista. A maior parte vai, literalmente, cagar nas calças quando perceber que tudo, tudo mesmo, inclusive a sua personalidade e seu mundinho pequeno construído pelo labor de décadas, está para acabar dentro de alguns segundos. Acabar inexoravelmente, sem possibilidade de recurso a um tribunal superior.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Eu costumo olhar para as pessoas ao meu redor e imaginar o que elas pensarão no momento de sua morte, dadas as circunstâncias de suas vidas e o modo como costumam fugir, em menor ou maior grau, de viver modo inteiro e franco. Em geral, disso resulta que sinto uma profunda pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pena por elas, pena porque sei que, quando uma mente imatura entra em contato com as verdades da transitoriedade de todas as coisas e da morte, ela reage sentindo depressão e tristeza. E, no último momento, essa depressão e tristeza darão lugar a uma espécie de desespero. Esse desespero também é perceptível na atitude daqueles que, tendo a consciência da morte, entregam-se ao hedonismo desenfreado. Isso também é uma reação infantil, e apavorada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mas não devemos confundir essa reação emocional preliminar com os fatos em si. A reação emocional é apenas a &lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/ferida-narcisica-parte-i.html"&gt;ferida narcísica&lt;/a&gt; sendo cutucada. A transitoriedade de todas as coisas e a morte não possuem, em si mesmas, nada de depressivo. Ambas são fatos da vida. Na verdade, são os maiores fatos de nossas vida. Os fatos decisivos cuja compreensão pode ser transfiguradora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se pudéssemos vivenciar todos os dias um pouco daquele espanto com a iminência da morte, se pudéssemos respirar com a perfeita consciência da transitoriedade de nosso pequeno mundinho, viveríamos de forma mais inteira, não perderíamos tempo com tantas bobagens, não faríamos tanto barulho quando um pouco de nosso pequeno mundinho ou de nossa personalidade fosse arranhado ou desmontado, não nos refugiaríamos em vaidades mesquinhas e faríamos um compromisso de sermos francos conosco e com os outros de forma integral, doa a quem doer. Repito: doa a quem doer, inclusive a nós. Creio que essa experiência reproduzida do momento da morte seria restauradora, transformadora. Seria uma verdadeira revolução pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou tentando viver assim. Faço de minha vida o próprio laboratório de minhas ideias e aspirações. De dois anos para cá, gradualmente a cada dia eu entro mais e mais em contato com essa experiência. Na maior parte das vezes, ainda estou com a cabeça debaixo d'água, alimentando minhas pequenas vaidades e perdendo tempo com inúmeras bobagens. Mas, de vez em quando, já consigo colocar a cabeça para fora d'água. Aí fico feliz e preocupado. Preocupado com o fato de que ainda não despertei o suficiente. Feliz pois, antes, eu dormia profundamente e sequer preocupação tinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se eu fosse um carro em que a criança está no volante e o adulto no banco do carona. Agora, de vez em quando, o adulto assume a direção. Antes, nem isso. Nesses momentos em que o adulto conduz, ele se dá conta de quanto tempo foi perdido e do número enorme de besteiras  que a criança fez e ainda faz na estrada. Porém, ainda assim fica feliz. Afinal, para a maior parte das outras pessoas, o adulto nem está no banco do carona: o adulto está é trancado no portamalas, enquanto a criança dirige a mil, forçando o motor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4573153245585054718?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4573153245585054718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4573153245585054718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/08/morte.html' title='A Morte'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-6099199891809141942</id><published>2010-07-29T03:57:00.000-07:00</published><updated>2010-07-29T06:07:18.973-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #6 (adiantado)</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(casual friday na quinta, pois amanhã vou folgar e ficar longe da web)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto abaixo eu considero fundamental. Fundamental pois certa vez o repassei para vários amigos e pouquíssimos conseguiram entendê-lo. Mesmo aqueles que o aprovaram, parecem tê-lo feito pelas razões erradas, com base em sua própria interpretação ao menos parcialmente equivocada. Por isso considero-o um divisor de águas (ou, melhor, de potencialidades). A tradução é minha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/pemachodron.png" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Pema Chodrön&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A diferença entre teísmo e não-teísmo não é entre acreditar ou não em Deus. Trata-se de algo que se aplica a todo mundo, incluindo budistas e não-budistas. Teísmo é uma convicção profunda de que há alguma coisa em que podemos nos agarrar: de que, se fizermos as coisas corretas, alguém irá nos apreciar e tomar conta de nós. Isso significa pensar que sempre haverá uma babá disponível quando precisarmos de uma. Todos nós somos inclinados a abdicar de nossas responsabilidades e delegar nossa autoridade para alguma coisa fora de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não-teísmo, por seu turno, é relaxar com ambiguidade e incerteza do momento presente sem buscar por qualquer coisa que nos proteja (...). Não-teísmo é perceber finalmente que não há babá com a qual podemos contar. Basta você conseguir uma para que ela suma. Não-teísmo é perceber que não é só a babá que vem para tão-logo sumir. Tudo o mais também é assim. Essa é a verdade, e a verdade é incômoda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para aqueles que procuram algo em que se agarrar na vida, a verdade é ainda mais incômoda. Desse ponto de vista, o teísmo é como um vício. Nós todos estamos viciados em esperança – esperança de que a dúvida e o mistério desapareçam. Esse vício tem um efeito doloroso na sociedade: uma sociedade baseada em várias pessoas viciadas em procurar um chão sob seus pés é um lugar de pouca compaixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira nobre verdade de Buda é que nós sofremos e isso não significa que algo está errado. Que alívio! Finalmente alguém disse a verdade! Sofrer é parte da vida, e nós não temos que pensar que estamos sofrendo porque fizemos algo errado. Porém, de qualquer forma, quando sofremos, nós pensamos que algo está errado. À medida em que continuamos viciados em esperança, sentimos que podemos ajustar nossa experiência ou conduta de alguma forma, mas ainda assim sofremos um bocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra tibetana para esperança é “rewa”; a palavra para medo é “dokpa”. Mais frequentemente, a palavra “re-dok” é usada, pois combina as duas anteriores. Esperança e medo são os dois lados de um só sentimento. Enquanto houver um, o outro também estará lá. Esse “re-dok” é a raiz de nossa dor. No mundo da esperança e do medo, nós sempre teremos que trocar o canal da TV, ajustar a temperatura da sala, mudar a música que ouvimos, porque algo está ficando desconfortável, algo está ficando incômodo, algo está começando a machucar, e nós permanecemos procurando por alternativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um estado mental não-teísta, abandonar a esperança é uma afirmação, o começo de um começo. Você poderia até mesmo colocar o lembrete “Abandone a esperança” na porta de seu refrigerador, ao invés de uma frase mais mundana como “Todo o dia de todas as formas eu&lt;br /&gt;estou ficando melhor e melhor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperança e medo vêm de sentir que nos falta algo; vem de uma sensação de pobreza. Nós simplesmente não conseguimos relaxar com nós próprios. Nós agarramos a esperança, e a esperança nos subtrai do momento presente. Nós sentimos que alguém além de nós sabe o que está acontecendo, mas que algo está perdido dentro de nós, e portanto algo está faltando em nosso mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invés de deixar que nossa negatividade subtraia o que há de melhor em nós, poderíamos reconhecer que exatamente agora estamos nos sentindo como lixo e, então, sermos corajosos e darmos uma boa olhada nesse lixo. Esse é o caminho que a compaixão por nós mesmos recomenda. Esse é o caminho mais bravo. Nós poderíamos cheirar esse lixo. Nós poderíamos senti-lo; qual a sua textura, cor e forma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós podemos explorar a natureza desse lixo. Podemos conhecer a natureza do descontentamento, vergonha e embaraço e evitar pensar que há algo de errado em sentir-se assim. Nós podemos abandonar a esperança fundamental de que existe um “melhor eu” que um dia irá emergir. Não devemos fugir como se não estivéssemos aqui. É melhor dar uma olhada direta em todos os nossos medos e esperanças. Então algum tipo de confiança em nossa lucidez básica surgirá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui é onde a renúncia entra em cena – renúncia da esperança de que nossa vida pode ser diferente, renúncia da esperança de que podemos ser melhores. As regras monásticas budistas que recomendam renunciar ao álcool e ao sexo e assim por diante não implicam que essas coisas  sejam inerentemente más ou imorais, mas que nós as usamos às vezes como nossas babás, como uma fuga, como algo que nos conforta e distrai de nós mesmos. A única coisa a ser renunciada é a persistente esperança de que podemos ser salvos daquilo que nós somos agora. Renúncia é um ensinamento que nos inspira a investigar o que está acontecendo toda vez que nos agarramos a alguma coisa por não suportarmos encarar aquilo que está diante de nós."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-6099199891809141942?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6099199891809141942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6099199891809141942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/casual-friday-6-adiantado.html' title='casual friday #6 (adiantado)'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_pemachodron.png' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4672497512651658040</id><published>2010-07-27T05:33:00.000-07:00</published><updated>2010-07-27T16:49:14.697-07:00</updated><title type='text'>quando não estou a fim de escrever...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/my-belle05.png" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Vida de blogueiro profissional não me dá inveja. Acho até legal quem sempre tem algo interessante para escrever. Mas eu curto meus períodos de introspecção e há tempos fiz um juramento de que só escreveria palavras que realmente têm "alma". E isso não rola de modo forçado, óbvio. Além disso, o que vira obrigação fica chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De outro lado, dia desses acabei me fissurando em outra brincadeira da web, chamada "&lt;b&gt;Tumblr&lt;/b&gt;" (pronuncia-se "tâmbler"). É uma espécie de microblog que o pessoal usa principalmente para postar  imagens encontradas na web ou mesmo "roubadas" de outros Tumblrs, sem qualquer preocupação quanto a identificar a origem/autoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso é que há &lt;a href="http://mypix.com.br/pixblog/os-fuck-yeah-legais-do-tumbrl/"&gt;alguns realmente interessantes&lt;/a&gt; e já faz um tempo que estou alimentando a ideia de criar o meu. No fundo, o "casual friday" era para ser algo parecido aqui mesmo no blog, só que eu acabei com muito mais imagens no bolso do que sexta-feiras disponíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, agora, estreando a internet no novo apê, criei um Tumblr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema será aquelas duas espécies de seres que tanto me causam espanto, confusão, encantamento e admiração: mulheres e felinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título não poderia ser mais adequado: "o felino fescenino".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O endereço é:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://ofelinofescenino.tumblr.com/"&gt;http://ofelinofescenino.tumblr.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4672497512651658040?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4672497512651658040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4672497512651658040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/quando-nao-estou-fim-de-escrever.html' title='quando não estou a fim de escrever...'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_my-belle05.png' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-1020703110799599652</id><published>2010-07-23T07:51:00.000-07:00</published><updated>2010-07-24T16:24:19.146-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #5</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;bom findi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 425px; height: 506px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Casual%20Friday/krishnamurti.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;"Eu sustento que a Verdade é uma terra sem caminhos, e que você não pode chegar até ela por nenhuma estrada, por nenhuma religião, por nenhuma ordem. Esse é meu ponto de vista, e eu acato-o absolutamente e incondicionalmente. A Verdade, sendo sem limites, incondicionada, inatingível por qualquer caminho, não pode ser sistematizada, nem nenhuma organização deve ser formada para guiar ou coagir as pessoas a seguirem um caminho em particular. Se você compreende isso, então perceberá o quão impossível é sistematizar uma crença. Uma crença é assunto estritamente pessoal, e você não deve sistematizar o que diz respeito a esse tipo de coisa. Se você tenta sistematizar, a crença torna-se algo morto, cristalizado; torna-se um credo, uma ordem, uma religião a ser imposta aos outros. Isso é o que todos ao redor do mundo estão tentando fazer. A Verdade é reduzida e tornada um brinquedo por aqueles que são fracos, por aqueles que estão momentaneamente descontentes. A Verdade, porém, não pode ser reduzida - ao contrário, o indivíduo é que tem de esforçar-se para ascender até à Verdade. Você não pode trazer o topo da montanha para o vale. Se você pretende atingir o topo da montanha, então deve passar pelo vale e subir as encostas, sem medo dos precipícios perigosos ."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Krishnamurti - O Discurso da Dissolução&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-1020703110799599652?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/1020703110799599652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/1020703110799599652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/casual-friday-5.html' title='casual friday #5'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-8527338082273813583</id><published>2010-07-19T09:33:00.000-07:00</published><updated>2010-07-21T06:53:29.918-07:00</updated><title type='text'>Padim Vito vai ensiná uma mandiga pra curá suas dô, mizifio!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 290px; height: 386px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/pai_arnapio.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesses dias conturbados, não há nada que a chuva não possa piorar. Enquanto o meu &lt;a href="http://www.cachorrodobigode.com.br/"&gt;Cachorro Quente do Bigode&lt;/a&gt; não chega, e estou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;praticamente ilhado&lt;/span&gt; aqui em casa devido à chuva, com o nariz fungando, o braço dolorido graças a uma queda ridícula (ainda bem que a rua estava vazia...) e uma mala virtualmente pronta, decidi falar sobre meditação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendo explicar como meditar. Esse assunto eu deixo para pessoas mais gabaritadas que eu, como &lt;a href="http://aguasdacompaixao.wordpress.com/atividades/atividades-especiais-com-prof-monteiro/"&gt;esse cara aqui&lt;/a&gt;. Antes de tudo, vou dizer o que a meditação &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não é&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, meditação não tem nada, absolutamente nada, de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;místico&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;religioso&lt;/span&gt;. Então, se você acreditou no título do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post &lt;/span&gt;e na imagem acima, &lt;a href="http://fizcoco.wordpress.com/2009/01/06/encontre-o-seu/"&gt;clique aqui&lt;/a&gt; para sair deste blog. Em segundo lugar, meditação não é escapar de nosso momento presente, confuso do jeito que ele costuma ser, para algum lugar em nossa mente que é abstrato e passivo, um lugar para o qual fugimos recitando mantras de paz.  Meditação, ao contrário, tem a ver com colocar-se bem no meio da confusão e fazer uma coisa aparentemente simples (talvez simples &lt;span style="font-style: italic;"&gt;demais&lt;/span&gt;&lt;span&gt; para nós&lt;/span&gt;): respirar e manter a atenção plena no presente, mesmo enquanto aguardamos o Cachorro do Bigode, a chuva cai, o nariz funga e o cotovelo dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não pretendo explicar os métodos de meditação, vou colocar a carroça na frente dos bois e dizer o que acontece quando a meditação produz seus efeitos. E não estou falando de teoria, estou falando de uma experiência vivenciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estamos tão envolvidos com um problema que não conseguimos pensar com clareza, quando algo ou alguém nos incomoda a ponto de perdermos a cabeça, quando levamos a vida adiante sem termos certeza de nada e principalmente se esse é o modo como gostaríamos de viver, quando somos prisioneiros de alguma espécie de medo/paixão/raiva/angústia/dependência, enfim, até mesmo quando alguém nos fecha no trânsito em um dia chuvoso, estamos em uma sala minúscula com um pacote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pacote é aquele problema, neurose ou mania que está consumindo toda nossa atenção e energia. A pequena sala é nossa consciência ordinária. Nesse cômodo minúsculo, aquele pacote, embora não seja muito grande, acaba ocupando muito espaço, o que nos impede de sentar em uma posição cômoda ou mesmo esticar as pernas. Além disso, a falta de espaço torna impossível não prestar atenção no pacote. Ele está ali, bem na nossa frente e não há como deixar de percebê-lo. O pacote torna-se praticamente tudo o que existe. Pior ainda, não conseguimos sequer nos mexer o suficiente para desembrulharmos o pacote. Portanto, não podemos descobrir o que há dentro dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a meditação, aos poucos e após muita disciplina, aprendermos a fazer uma coisa engraçada. Aprendemos a simplesmente ampliar o tamanho dessa sala. Os aprendizes de meditação conseguem, vez ou outra, duplicar ou triplicar o tamanho da sala. No início, dura alguns segundos, quando muito. Mas o pacote já não ocupa totalmente nossa visão. Nós podemos, enfim, sentar de forma confortável, caminhar ao redor dele e perceber sua verdadeira proporção. Há espaço o suficiente para nós e o pacote. Na verdade, há espaço para colocarmos outras coisas naquela sala. Conseguimos, enfim, respirar um pouco melhor, e então percebemos o quão sufocados estávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note que o objetivo não é se livrar do pacote, nem mesmo o desembrulhar. Tais coisas podem ocorrer eventualmente, mas não é essa a finalidade principal. O objetivo é tão-só ampliar o espaço ao redor. O pacote pode continuar lá. Mas, subitamente, ele não é algo que nos impede de respirar, caminhar, sentar, perceber outros objetos. Podemos ver seu tamanho real quando comparado a outros tantos pacotes de nossas vidas e, muitas vezes, ele já não nos parece tão importante assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um experiente meditador consegue ir mais longe que o aprendiz e, quando as circunstâncias o colocam em uma situação onde está trancado em uma sala minúscula com o pacote, ele tem a capacidade de tornar aquela sala um enorme ginásio de modo instantâneo. Talvez até exista um estágio ainda mais avançado, daquelas pessoas que conseguem simplesmente converter a sala pequena em uma planície. Seria isso o que chamam de "iluminação"? Não sei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-8527338082273813583?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/8527338082273813583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/8527338082273813583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/padim-vito-vai-ensina-uma-mandiga-pra.html' title='Padim Vito vai ensiná uma mandiga pra curá suas dô, mizifio!'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_pai_arnapio.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-2039658764296698451</id><published>2010-07-16T04:33:00.000-07:00</published><updated>2010-07-16T04:37:20.281-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #4</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;bom findi&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Casual%20Friday/thank-god-its-friday.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-2039658764296698451?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2039658764296698451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2039658764296698451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/casual-friday-4.html' title='casual friday #4'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-5323234953914826354</id><published>2010-07-14T07:30:00.000-07:00</published><updated>2010-07-15T06:51:17.996-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natureza Humana'/><title type='text'>ferida narcísica, primeiro olhar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/espelho.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;É curioso ter usado como metáfora do post anterior justo o lago e o mergulho. Digo isso pois a lenda conta que Narciso tomou por outra pessoa seu reflexo em um lago e enamorou-se dessa imagem. Ao tentar beijar o objeto de seu amor, caiu na água e morreu afogado, o otário.  Essa é a base mítica daquilo que é denominado "ferida narcisíca", algo que interessa a todos nós.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;(interessa sim, pois provavelmente você ainda não a sentiu o suficiente)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Uma forma bem fácil de explicar a ferida narcísica é dizer que as três principais feridas da humanidade ocorreram nos últimos séculos: com Copérnico, descobrimos que não somos o centro do universo - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ai&lt;/span&gt;;  com Darwin, descobrimos que somos apenas chipanzés superdesenvolvidos - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aiai&lt;/span&gt;; com Freud, descobrimos que nossas nobres motivações são alicerçadas em instintos primitivos - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aiaiaiaiaiaiai&lt;/span&gt;. A cada descoberta, o Narciso-Humanidade mergulhou no lago e viu que aquela imagem projetada na superfície não passava de uma miragem. Apesar da decepção, a cada mergulho afogaram-se suas ilusões e o homem emergiu fortalecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;(fortalecido sim, pois há uma grande potência em descobrir o quão pouco se pode)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Assim como a humanidade, cada ser humano, em sua vida íntima, depara-se com a ferida narcísica ao perceber que seus melhores sonhos, maiores vaidades e mais queridas expectativas não correspondem em absoluto à realidade. Na verdade, quase sempre que algo nos incomoda no cotidiano é porque no fundo levantaram a casquinha da ferida e cutucaram justo lá onde a pele é bem vermelha e mais sensível. Mas isso é bom. Isso é uma oportunidade e tanto de realmente evoluir.  É essencial que &lt;a href="http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/06/percival-e-amfortas.html"&gt;Percival reconheça a ferida de Anfortas&lt;/a&gt;. Afinal, um homem comum que se julga gigante vê um objeto longínquo e supõe que basta esticar o braço para alcançá-lo. Esse gesto, contudo, será obviamente em vão. Porém, se tiver a SORTE de decepcionar-se  e descobrir que não passa de um homem com estatura normal, poderá ir até o objeto e efetivamente agarrá-lo, nem que para isso precise caminhar um bocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;(caminhar um bocado sim, pois é a planta do pé firmada no chão batido que nos permite seguir com a cabeça erguida)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que alguém falece em nossa família, sofremos uma ferida narcísica, pois temos a consciência do quão pouco podemos diante de um destino que parece, sejamos sinceros, aleatório e inclemente. Nossa incapacidade de, às vezes, aliviar a dor de um ente querido revela o quão nossa própria condição humana é frágil. Mas nem todo mundo nasceu para ver e (principalmente) entender &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cries_and_Whispers"&gt;Gritos e Sussurros&lt;/a&gt;. Desse modo, se quisermos, podemos ignorar a lição e narcotizar  nossa consciência com alguma distração. Mas, agindo assim, continuaremos para sempre crianças perdidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;(crianças perdidas sim, pois só um adulto sabe dar valor ao poder que emerge de cada derrota)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que algo ou alguém nos rejeita, seja em uma entrevista de emprego,  em uma amizade proposta, em um flerte ensaiado, em uma prova de capacidade ou em um concurso público, mergulhamos novamente no lago. É quando mais um pouco do Narciso morre e, se formos perspicazes, o que emergirá será alguém mais desperto. Aprenderemos que o universo não é um espelho pronto para refletir nosso ego - esse  pequeno ego que, nas palavras de Muriel, deveria apenas operacionalizar nossa relação com o mundo circundante, ao invés de agir como déspota de nossa psique, como reizinho mimado e arrogante. Bom, nada melhor para destronar esse tirano do que um banho no lago onde está a verdade, pois a cada mergulho ele perde um pouco de seu mando.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;(perde um pouco de seu mando sim, pois percebemos que a vida é muito maior que nossos desejos)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Por isso (ah, e era aqui que eu queria chegar!), caso façamos o dever de casa direitinho, atingiremos certa idade na qual se desenvolver é um processo automático, exercendo uma força gravitacional sobre nossas escolhas. Não há decepção que não seja, a par toda tristeza inerente, um degrau a mais em que nosso pequeno ego esmorece e é deixado para trás.  E esse esmorecer é sempre uma espécie de vitória sobre si mesmo. A partir de então, sempre que somos feridos, algo em nós sorrirá gentilmente, por saber que se trata de uma oportunidade de ouro para fazer brotar uma consciência maior. Eu ouso até dizer que há um momento de nossas vidas no qual passamos a procurar a desordem, o caos e o problemático, não por masoquismo, mas por termos aprendido que, a cada queda, o que morre era destinado a assim morrer, e o que se ergue é o que tinha de assim nascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;(Tinha de nascer sim. E a tudo que nos derruba devemos um "muito obrigado." E àqueles que nos derrubaram ou ainda vão derrubar, devemos um dia dizer:  "é uma pena que você jamais venha a dar-se conta do quão longe fui graças ao que ocorreu, pois há certas distâncias que seu olhar simplesmente não pode alcançar e, aqui do alto onde estou, tudo tem outra proporção".)&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-5323234953914826354?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5323234953914826354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5323234953914826354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/ferida-narcisica-parte-i.html' title='ferida narcísica, primeiro olhar'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_espelho.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-2133432971898862462</id><published>2010-07-13T06:59:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T07:08:05.389-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><title type='text'>queens of the stone age - go with the flow</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="340" width="560"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/DcHKOC64KnE&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1?rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/DcHKOC64KnE&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1?rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="340" width="560"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;I want something good to die for&lt;br /&gt;To make it beautiful to live.&lt;br /&gt;I want a new mistake, lose is more than hesitate...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-2133432971898862462?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2133432971898862462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2133432971898862462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/queens-of-stone-age-go-with-flow.html' title='queens of the stone age - go with the flow'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-6855269588257036436</id><published>2010-07-12T13:43:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T05:42:20.338-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeça Talking'/><title type='text'>o que é a verdade e o que você deve fazer para chegar até ela</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 500px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/calvinhobbesdancing.gif" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não existe algo que possamos chamar de "a verdade". Beeeem... existir existe, mas sua consistência depende de nosso ponto de vista. É como um objeto ilusório que vemos do outro lado de uma superfície especular e fluida, como um lago. Olhando daqui, de onde estamos, aprisionados em nossa ignorância, a verdade parece existir como algo sólido, algo concreto - e, para todos os efeitos, é isso mesmo. Porém, para atingi-la, temos de atravessar essa superfície, rompê-la como quem mergulha naquele lago. Isso porque, a medida em que avançamos em direção à verdade, percebemos mais e mais como ela está vinculada à nossa percepção do que é real e, portanto, à nossa mente, à nossa subjetividade. Romper a própria superfície especular significa relativizar nossas certezas sobre quem somos e sobre como o mundo é. Do outro lado, a verdade revela-se como um brinquedo que pode ser desmontado e remontado para assumir variadas formas. Mas não um brinquedo separado de nós: a verdade e nós mesmos somos uma só coisa, e ela não é mais aquilo que é, mas aquilo que nós, feito crianças, somos a cada instante de nossa dança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-6855269588257036436?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6855269588257036436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/6855269588257036436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/o-que-e-verdade-e-como-voce-deve-fazer.html' title='o que é a verdade e o que você deve fazer para chegar até ela'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/th_calvinhobbesdancing.gif' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-1925086428138064340</id><published>2010-07-11T23:20:00.000-07:00</published><updated>2010-07-12T06:46:20.612-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livraiada'/><title type='text'>os bons escritores amam os gatos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;Há uma cumplicitade entre escritores e felinos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/obra_guimaraes_rosa_2.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Guimarães Rosa e sua esposa eram apaixonados por gatos.&lt;br /&gt;Ele admitiu que curtia conversar com seus dois gatos persas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/orides_fontela.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Orides Fontela poemou seus gatos:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;Na casa&lt;br /&gt;O imperecível mito&lt;br /&gt;se aconchega&lt;br /&gt;quente (macio) ei-lo&lt;br /&gt;em nossos braços:&lt;br /&gt;visitante de um tempo sacro (ou de um não tempo)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/tumblr_kwwv0uhPIv1qaxihzo1_500.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Neil Gaiman, que homenageou os felinos em muitas de suas histórias, contou como sua filha trouxe para casa um novo gato, justo quando escrevia o conto "The Price":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;These days we have a new black cat, Fred the Unlucky Black Cat, who is about half the size of the cat in this story, and who also sometimes fights things in the night. Of the cats mentioned in this story, I'm afraid Furball is no more, killed by a car last year, but the rest of them are still with us.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/patriciahighsmith.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Patricia Highsmith tinha predileção pelos siameses.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/ernest-hemingway.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ernest Hemingway chegou a ter 50 gatos ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Quase tantos quanto foram seus casamentos...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/twain__cat21256048057.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;When a man loves cats, I am his friend and comrade,&lt;br /&gt;without further introduction.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Mark Twain (ceeeeerto)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/borgesepepe.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Esse gato ao lado de Jorge Luís Borges chamava-se Beppo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/Burroughswithhiscats.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;William Burroughs escreveu talvez um dos mais divertidos livros sobre gatos, seus companheiros de velhice: "O Gato por Dentro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/heliacorreia.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Comparo sempre um romance a um gato. Abrimos-lhe a porta mas temos que o deixar ocupar o seu espaço na casa da escrita. Sobre esse assunto ainda não há nada de concreto. Estou aqui para servir a literatura, quando surgir o impulso se verá. São estas as minhas duas paixões: os gatos e a escrita.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Helia Correia&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/Julio-Cortazar_gato.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Julio Cortázar batizou seu gato com o nome de Theodor Adorno.&lt;span style=";font-family:Calibri;font-size:small;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/jackkerouac.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Sei que é difícil de ver, mas no colo de Jack Kerouac está seu  gato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/lourenomuttarelli.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Lourenço Mutarelli, sua esposa e filho ficaram uma temporada nos Estados Unidos. Quando retornaram, ele ficou satisfeito em ver que nenhum de seus gatos tentou vingar-se pela ausência demorada. "Eles sentiram saudade", disse em uma entrevista à Cultura.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/lygia_fagundes_telles.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele fixara em Deus aquele olhar de esmeralda diluída, uma leve poeira de ouro no fundo. E não obedeceria porque gato não obedece. Às vezes, quando a ordem coincide com sua vontade, ele atende mas sem a instintiva humildade do cachorro, o gato não é humilde, traz viva a memória da sua liberdade sem coleira. Despreza o poder porque despreza a servidão. Nem servo de Deus. Nem servo do Diabo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;"A Disciplina do Amor" - Lygia Fagundes Telles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/MIA_COUTO.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;Mia Couto nasceu António Emílio Leite Couto.&lt;br /&gt;Seu apelido "Mia" é por causa do miado dos gatos.&lt;br /&gt;Assim ele conta a história:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu era miúdo, tinha dois ou três anos e pensava que era um gato, comia com os gatos. Meus pais tinham que me puxar para o lado e me dizer que eu não era um gato. E isto ficou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/moravia-gato.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Alberto Moravia deu a esse gato o nome de Famosissimo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Há outros, cujas fotos com seus amigos não encontrei na web, dignos de menção: T. S. Eliot, Saramago, Edgar Alan Poe, Ferreira Gullar e Haroldo de Campos. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A foto abaixo foi tirada furtivamente pela Vivi quando eu e a Pops estávamos dormindo num dia frio do inverno passado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 288px; height: 385px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Escritores%20e%20Gatos/eueela.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-1925086428138064340?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/1925086428138064340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/1925086428138064340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/os-bons-escritores-amam-os-gatos.html' title='os bons escritores amam os gatos'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-5373419674476607588</id><published>2010-07-10T13:11:00.000-07:00</published><updated>2010-07-10T13:41:25.760-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><title type='text'>nine inch nails - the great below</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="500" height="400"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/yi7Mgk5hGxA&amp;amp;hl=en_US&amp;amp;fs=1?rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/yi7Mgk5hGxA&amp;amp;hl=en_US&amp;amp;fs=1?rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="500" height="400"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ocean pulls me close&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;And whispers in my ear&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;The destiny I've chose&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;All becoming clear&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;The currents have their say&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;The time is drawing near&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Washes me away&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Makes me disappear&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-5373419674476607588?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5373419674476607588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/5373419674476607588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/nine-inch-nails-great-below_10.html' title='nine inch nails - the great below'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-2720271113846687200</id><published>2010-07-09T06:55:00.000-07:00</published><updated>2010-07-08T19:16:51.525-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday especial</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Casual%20Friday/Albert-Camus-remains.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;albert camus&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;"Don Juan está triste? Não é provável. Esse riso, a insolência vitoriosa, os pulos e o gosto pelo teatro são coisas claras e alegres. Todo ser saudável tende a se multiplicar. Don Juan também. Mas, além do mais, os tristes têm duas razões para estar tristes: ou eles  ignoram ou eles têm esperança. E Don Juan sabe e não tem esperança. Faz lembrar esses artistas que conhecem seus limites, nunca os ultrapassam e, no intervalo precário onde seu espírito se instala, possuem a maravilhosa facilidade dos mestres. E está justamente aí o gênio: a inteligência que conhece suas fronteiras. Até a fronteira da morte física, Don Juan ignora a tristeza. A partir do momento em que sabe, seu riso explode e consegue que tudo lhe seja perdoado. Foi triste no tempo em que esperou. Hoje, na boca dessa mulher, torna a encontrar o sabor amargo e reconfortante da ciência única. Amargo? Quase: essa necessária imperfeição que torna perceptível a felicidade!" (Albert Camus - "O Donjuanismo", capítulo de "O Mito de Sísifo").&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-2720271113846687200?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2720271113846687200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/2720271113846687200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/casual-friday-especial-com-texto.html' title='casual friday especial'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-7836535876486438232</id><published>2010-07-03T15:04:00.000-07:00</published><updated>2010-07-05T06:00:51.974-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabeça Talking'/><title type='text'>o alfabeto umedecido de león ferrari</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/LeonFerrari/schendel_mira_objectos-graphicos-1.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui em casa não fomos bobos de perder uma coisa dessas, ainda mais quando a bobeada é iminente, já que acaba dia 11 de julho. Por isso, nesse sábado de tarde tiramos o mofo do cérebro e fomos ver a exposição "O Alfabeto Enfurecido", na sede da &lt;a href="http://www.iberecamargo.org.br/"&gt;Fundação Iberê Camargo&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A exposição já passou pelo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Utamaro"&gt;MOMA&lt;/a&gt; em 2009 e reúne obras do &lt;i&gt;hermano&lt;/i&gt; &lt;a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Le%C3%B3n_Ferrari"&gt;León Ferrari&lt;/a&gt; e da brasileira (nascida na Suíça) &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mira_Schendel"&gt;Mira Schendel&lt;/a&gt;, tentando traçar paralelos temáticos entre os artistas. Embora jamais tenham se encontrado, tanto Ferrari quanto Schendal exploraram, em algumas de suas principais obras, a forma e materialidade de elementos linguísticos - daí o título da exposição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou centrar esse texto em León Ferrari, cujo trabalho sempre me fascinou, pois é o tipo de artista que a gente gosta de esfregar na cara de qualquer pessoa que vem com aquela lengalenga de que a arte plástica contemporânea não faz sentido algum. Ferrari, com seu brilhantismo e senso de humor mordaz, corajosamente comprou briga com a ditadura militar argentina e com a igreja católica em algumas de suas principais obras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, em "Si yo supiera pintar" ("Se eu soubesse pintar"... tenho mesmo que traduzir isso?), Ferrari brinca com a linguagem narrativa e o imaginário ao compor um "desenho" no qual descreve a pintura maravilhosa que faria caso fosse tocado pela graça de Deus - com o detalhe de que Deus, ao fim do texto, acaba envolvendo-se com Alafia, a mulher misteriosa que se intromete no relato do artista sem maiores explicações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/LeonFerrari/SiYoSupieraPintar.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;dl class="codebox" style="cursor: pointer;" onclick="this.getElementsByTagName('div')[0].style.display=((this.getElementsByTagName('div')[0].style.display=='none')?'':'none');"&gt;&lt;dt style="text-align: center;"&gt;(clique aqui se quer ler o texto maluco de León Ferrari)&lt;/dt&gt;&lt;dd&gt;&lt;div style="display: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;br /&gt;SI YO SUPIERA PINTAR...&lt;br /&gt;por León Ferrari&lt;br /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Si yo supiera pintar, si Dios en su apuro y turbado por error&lt;br /&gt;confuso me hubiera tocado, agarraría los vellos de la marta en la&lt;br /&gt;punta de una rama de fresno flexible empapados sumergidos en óleo&lt;br /&gt;bermejo y precisamente en este lugar iniciaría una línea delgada&lt;br /&gt;flaca ya con la intención de cubrirla después maniobrando con la&lt;br /&gt;transparencia. Al lado un pozo absolutamente negro y definitivo.&lt;br /&gt;Enganchados en las ramas algunos repugnantes amarillos circuncisos&lt;br /&gt;como nidos de codesera el cochino pájaro del ártico que utiliza sus&lt;br /&gt;mismísimos hijos para alimentar las focas que le placen (nadie supo&lt;br /&gt;nunca por qué siguen naciendo) colgantes arracimados a la tela ayer&lt;br /&gt;virgen de la cual dejo dos cuartas cuadradas libres y enseguida un&lt;br /&gt;caballo formidable pero frustratorio por retaceado blanco corriendo&lt;br /&gt;espumante con las crines y las colas desplegadas, un verdadero&lt;br /&gt;corcel del malón resuelto con realismo fotográfico pero con cierto&lt;br /&gt;aire metafísico para introducir uno de los elementos de confusión y&lt;br /&gt;también un sospechado sugerido signifícado opaco bajo el barniz, no&lt;br /&gt;simbólico, como para que al verlo alguien ni siquiera se de cuenta&lt;br /&gt;que en sus entrañas se refriega preguntándose qué significa ese&lt;br /&gt;caballo blanco veloz hacia el monte de Venus entre las hierbas altas&lt;br /&gt;oscuras enruladas la gran quebrada magnética y luego el volcán. El&lt;br /&gt;pincel más afilado, el estilete de pelo lacio para escribir los mil&lt;br /&gt;rulos de esos pastos negros. Pero ese significado debe ser inexistente&lt;br /&gt;por verdadero y ni la más pequeña sospecha de certidumbre debe&lt;br /&gt;ser engendra- da en los ojos que miran: un sudor gaseoso temprano&lt;br /&gt;parto de la espuma ocultará los sagaces indicios, los signos de la&lt;br /&gt;pesquisa, la satisfacción del adivinar, los esca- sos temblores, los&lt;br /&gt;roces, nada. Nada. Flores de manzanilla despedazadas por las&lt;br /&gt;herraduras para levantar la nada del blanco. Con esos puntos de&lt;br /&gt;apoyo terminados al ras cambiaría de técnica, a las antípodas con&lt;br /&gt;ella, no me refiero sólo a la pintura siempre a puro óleo sino en&lt;br /&gt;especial al modo de tomar el pincel como si fuera una bayoneta&lt;br /&gt;calada en las uñas pero medio resbaladiza de modo que el aceite con&lt;br /&gt;sus naranjas tome esas rugosidades que tiene la nata una vez&lt;br /&gt;arrancada. Esas sombras de un gris blanqueado pero trémulas me&lt;br /&gt;servirán para apoyar una suerte de ofensi- va contra el caballo pero&lt;br /&gt;sin caer en una abstracción demasiado lírica que podría desbaratar&lt;br /&gt;mi plan pues esta batalla debe quedar suspendida como un péndulo&lt;br /&gt;quieto, una plomada, nadie gana nadie pierde ignorantes del favorito&lt;br /&gt;veloz hacia la quebrada una escaramuza que espera las pupilas para&lt;br /&gt;invadirlas rebalsar en ellas y producir el arrepentimiento o una&lt;br /&gt;modificación en su futuro. Y esto no sería tan trabajoso con el&lt;br /&gt;pincel que clarividentemente me hice con los rulos oscuros de Alafia&lt;br /&gt;y sería una forma de recordarla con sus huellas para la eternidad.&lt;br /&gt;Engarzán- dose con esas huellas y como si fuera el mismo cuerpo que&lt;br /&gt;las dejó, un Klein, entre cuatro muy violentísimas rayas azules un&lt;br /&gt;organismo desconocido pero familiar airo- samente ahorcajado entre&lt;br /&gt;los plácidos celestes casi tocando la línea inicial bermeja pero&lt;br /&gt;medio como apretado como si me hubiera faltado lugar como si fuera&lt;br /&gt;un error como cuando uno estruja la palabra última para que entre en&lt;br /&gt;este renglón. Achica- da ese organismo sorprendente por el peso de&lt;br /&gt;Alafia inmortalizada contra un amontanamiento de frutas, algo&lt;br /&gt;parecido algo que me deje un poco de espacio como si Fontana hubiera&lt;br /&gt;roto la tela en triángulos de lados cóncavos que lo empujen a uno a&lt;br /&gt;mirar atrás para saber a dónde va eso, a tocar con la uña para saber&lt;br /&gt;si es cierto, pero no frutas ni piedras ni pelotas, no se qué,&lt;br /&gt;tampoco surrealista, tendría que tener la tela aquí para resolverlo&lt;br /&gt;bajo el impacto de la fiebre inspirante, algo absolutamente nuevo&lt;br /&gt;desconocido el corazón escondido de toda la obra: cuarenta&lt;br /&gt;centímetros cuadrados disimulados adrede en los varios metros que&lt;br /&gt;tiene este cuadro para que nadie perciba el lenguaje inaudible y&lt;br /&gt;reservarle la satisfacción a un sabio estudioso futuro de lo muerto&lt;br /&gt;que pondrá todo en claro y buscará agitado los huesos en mi cajón&lt;br /&gt;para hacer con ellos una especie de amuleto expuesto en un museo&lt;br /&gt;ante los prosternados feligreses rezadores por mi alma hoy viva pero&lt;br /&gt;escon- dida en Castelar. Esos mismos huesos que con su carne encima&lt;br /&gt;pintarían este peda- zo digno de un collage inventado por Dios. Sin&lt;br /&gt;descansar atacaría el todavía virginal sector a la derecha del&lt;br /&gt;pantano y haría tocando apenas los cascos del corcel un remanso&lt;br /&gt;donde el espectador encuentre su descanso y el mío también un campo&lt;br /&gt;de pastoreo con verdes crecientes de sabiduría y flores para tirarse&lt;br /&gt;allí a respirar las hojas tachar el mundo y volver a imaginar de&lt;br /&gt;nuevo aquella mujer que tenía los pómulos bajo los ojos como si&lt;br /&gt;fueran la respuesta o el duplo de un rebote de los montes&lt;br /&gt;importantes que se extendían majestuosamente a ambos lados del valle&lt;br /&gt;del esternón. quedarse en el valle a soñar la siesta a la sombra&lt;br /&gt;redonda nadar en sus ríos forrado de escamas y trepar mojado los&lt;br /&gt;montes en espiral rodando cayendo subiendo hasta aferrarme a la&lt;br /&gt;punta con el pincel y la tela para utilizar esos jugos que me suben&lt;br /&gt;capilarmente desde las frutillas donde Alafia concluía sus senos&lt;br /&gt;mientras bailo sin tocarlas mientras saco por el pincel de rulos de&lt;br /&gt;Alafia los jugos de las frutillas apenas exprimidas de Alafia para&lt;br /&gt;hacer la superficie la piel transparente de un nuevo cuadro encima&lt;br /&gt;del otro como si no existiera siendo sólo una nueva explicación con&lt;br /&gt;algunas palabras que al azar coinciden y se refuerzan en resonancia&lt;br /&gt;pero el resto casi todas entremezcladas alargándose en combinaciones&lt;br /&gt;estupefac- tas trasformadas en dibujos enredaderas secas contra los&lt;br /&gt;revoques de una casa consumida o borrándose las unas a las otras&lt;br /&gt;para alcanzar la evidente confusión de la verdad. Y así terminaría&lt;br /&gt;mi cuadro capital. Pero Dios no lo quiso, cuando yo en mi turno pasé&lt;br /&gt;a su lado con el alma extendida en una limosna Dios no quiso&lt;br /&gt;tocarme: tenía su mano entretenida haciendo los montes valles y&lt;br /&gt;nalgas de Alafia y no quiso sacarla ensimismado en Alafia aunque era&lt;br /&gt;mi turno y no quiso tocarme.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já em "Carta a un General", Ferrari dá uma ferroada nos generais que sustentavam o militarismo da política latino-americana, ao elaborar uma carta ininteligível com um alfabeto sem sentido algum.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/LeonFerrari/27573031.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na série "L'Osservatore Romano", Ferrari imitou as páginas do &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/L%27Osservatore_Romano"&gt;célebre periódico do Vaticano&lt;/a&gt;, contrastando suas manchetes com imagens capazes de conferir ao texto um sentido bem diverso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 450px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/LeonFerrari/LeonFerrariDiarios.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A fúria de Ferrari contra o catolicismo não é despropositada. Na Argentina, a Igreja foi sempre muito mais reacionária e apoiou o regime militar de modo muito mais veemente que no Brasil. Assim, o artista escandalizou a classe média conservadora com sua série "Relecturas de la Biblia", onde associou a iconografia cristã com armas de destruição em massa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/LeonFerrari/gal_exhibicio10.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa mesma série, Ferrari também contrastou imagens cristãs com representações pictóricas da sexualidade oriental. Seu objetivo era evidenciar o modo distinto como o ocidente e o oriente encaram o sexo, retratando santos e o próprio Deus cristão em gestos de repúdio e choque ao testemunharem uma singela trepada: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="width: 500px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/LeonFerrari/serierelecturasdelabiblia.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não estão satisfeitos? Pois bem. Em "Juego de Manos", o artista escreveu em &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Braille"&gt;Braille&lt;/a&gt;, sobre imagens sensuais, versos de igual teor para que o erotismo representado fosse de alguma forma tocado por nossos dedos. Abaixo, por exemplo, está a obra "Arriba: Ámate" (algo como "Vamos: Ama-te.") composta por um desenho do pintor japonês &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Utamaro"&gt;Utamaro&lt;/a&gt; em que Ferrari inseriu em Braille a frase dita por Cristo em Marcos 12:31: "Amarás a teu próximo como a ti mesmo".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/LeonFerrari/lferrari_braile3.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Taí uma exegese bíblica digna da nossa atenção. Vamos, ama-te!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-7836535876486438232?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7836535876486438232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/7836535876486438232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/o-alfabeto-endurecido-de-leon-ferrari.html' title='o alfabeto umedecido de león ferrari'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-4064718819553420752</id><published>2010-07-02T06:23:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T06:29:21.372-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casual Friday'/><title type='text'>casual friday #2</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Bom fim de semana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Casual%20Friday/TheOriginalHipster.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-4064718819553420752?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4064718819553420752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/4064718819553420752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/07/casual-friday-2.html' title='casual friday #2'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-339208342569361990</id><published>2010-06-30T04:38:00.001-07:00</published><updated>2010-06-30T04:49:42.532-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonzera'/><title type='text'>fleet Foxes - mykonos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;"When walking brother don't you forget&lt;br /&gt;It ain't often that you'll ever find a friend..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="315" width="560"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=10270317&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;show_title=0&amp;amp;show_byline=0&amp;amp;show_portrait=0&amp;amp;color=00ADEF&amp;amp;fullscreen=1"&gt;&lt;embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=10270317&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;show_title=0&amp;amp;show_byline=0&amp;amp;show_portrait=0&amp;amp;color=00ADEF&amp;amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" height="315" width="560"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(essa música cai bem como "trilha" para a leitura do post anterior...)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-339208342569361990?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/339208342569361990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/339208342569361990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/06/fleet-foxes-mykonos.html' title='fleet Foxes - mykonos'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-585974393668136184</id><published>2010-06-29T04:44:00.000-07:00</published><updated>2010-06-29T10:36:18.410-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conexões'/><title type='text'>percival e amfortas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Percival/Galahad_grail.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img style="width: 608px; height: 210px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Percival/Galahad_grail.jpg" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div  style="text-align: left;font-family:verdana;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Dayadhvam: ouvi a chave&lt;br /&gt;Girar na porta uma vez e apenas uma vez&lt;br /&gt;Na chave pensamos, cada qual em sua prisão&lt;br /&gt;E quando nela pensamos, prisioneiros nos sabemos..."&lt;br /&gt;(trecho de Terra Desolada - T. S. Eliot, tradução de Ivan Junqueira)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Coisa que surpreende as pessoas é quando sabem que sonho todos os dias e quase sempre lembro do que sonhei. Outro detalhe é que não tenho pesadelos. Na verdade, eu tenho,  mas quando isso ocorre sempre consigo me colocar na posição de observador que sabe estar sonhando e aí tudo rola tranquilamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem sonhei que tinha sido convidado a trabalhar com meu antigo chefe. No mundo real, ele ocupa um cargo de muito prestígio. No sonho, eu estava sentado em uma mesa com ele, seu médico particular e sua filha. O médico informou que meu chefe possuía um tumor em seus genitais e em breve morreria. O chefe, então, mostrou a nós uma ferida horrenda. Sua filha começou a me paquerar na frente de todos, com visível indiferença à desgraça do pai.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Percival/perc002.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img style="width: 522px; height: 376px;" src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Percival/perc002.jpg" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os símbolos são tão evidentes que a Viviane pensou no mesmo mito que eu, quando lhe contei o que havia sonhado. Ambos sabíamos que a chave para desvendar esse sonho era a psicologia analítica de Jung e a lenda de Sir Percival no reino de Amfortas.  A psicanálise, como hoje no café da manhã ela bem disse, é boa em decifrar os discursos da mente desperta, mas Freud malogra de modo vergonhoso na interpretação de sonhos. Já seu discípulo rebelde, Jung, surfa nas ondas oníricas com maestria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta uma das lendas dos Cavaleiros da Távola Redonda (a versão é de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Wolfram_von_Eschenbach"&gt;Wolfram von Eschenbach&lt;/a&gt;) que &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Percival"&gt;Sir Percival&lt;/a&gt; certa vez entrou no castelo do Rei Amfortas, o "Rei Pescador", e esse lhe mostrou uma ferida horrenda em sua perna. Todos os súditos e o próprio Rei Anfortas esperavam que Percival perguntasse a origem daquela ferida, pois tal pergunta salvaria o reino de uma espécie de maldição a qual estava condenado. Mas Sir Percival permaneceu em silêncio, pois se lembrou que sua mãe havia recomendado jamais fazer perguntas desnecessárias. Meu ex-chefe, na vida real, ocupa uma posição na qual se assemelha a um rei com seu pequeno castelo cheio de súditos subservientes até demais.  A associação com o sonho é evidente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Percival/perc001.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Percival/perc001.jpg" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazer uma pergunta é um ato de consciência. Na lenda de Amfortas, esse ato era fundamental para salvar o reino. Aquilo que é nomeado se coloca diante de nossos olhos e pode ser compreendido. Aquilo que é nomeado deixa de nos manipular cegamente por trás de nossas escolhas e conduta cotidiana. A mãe de Percival, ao recomendar a seu filho que não fizesse perguntas, representa a ignorância voluntária que prefere desconhecer a ferida fundamental do ser (alguns chamam de "ferida narcísica") para, dessa forma, manter o véu da inconsciência que impede o indivíduo de evoluir. Desobedecer a ordem materna é quebrar um tabu, e representa o rompimento com um estágio primordial onde a inocência apenas se mantém graças ao pesado tributo da eterna estagnação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Percival/Death-Arthur-Carrick-L.jpg" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Percival/Death-Arthur-Carrick-L.jpg" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mito do rei moribundo é recorrente na tradição medieval. Sua origem remonta aos ritos celtas. O rei envelhecido no solstício de inverno deve morrer e ser substituído por seu sucessor, que trará a renovação da primavera e a época da colheita. Isso também está representado na fase do processo alquímico denominada "mortificatio", na qual o rei deve ser morto para renascer revigorado. A ferida na genitália representa a impotência do velho rei, sua incapacidade de fertilizar a terra. É o esgotamento do poder criativo tão necessário à vida e que deve ser resgatado através do casamento do novo rei com a filha do velho soberano. Os ciclos da vida e da morte são plenamente realizados. O fato da filha do rei paquerar alguém afrontosamente diante de seu pai representa a escolha do sucessor. É o estágio em que a psique humana abandona a semi-inconsciência primordial e se coloca em uma posição cognitiva mais privilegiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Percival/lake.gif" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i202.photobucket.com/albums/aa305/victorlisboa/Blog%20Victor%20Lisboa/Percival/lake.gif" alt="Photobucket" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Esse mito também está presente na lenda do Rei Artur, mas com a pertubadora diferença de que o velho rei e seu filho Mordred são mortos durante a batalha, após uma luta sangrenta. Ao fim da lenda, a espada Escalibur é escondida nas águas de um lago - ou seja, o poder analítico e ordenador do mundo, que sustentava o reino, mergulha no inconsciente. A lenda do Rei Artur é, portanto, uma adulteração da lenda original dos celtas e um indicativo da sociedade moderna, onde a culpa judaico-cristã não reconhece os ciclos da vida e da morte, prometendo aos fiéis uma ilusória vida eterna que, na verdade, submete todos a uma rotina de quase-morte aqui neste mundo. Não há, em síntese, renovação da colheita, só desolação. Essa morte do Rei e do seu sucessor condena miticamente o mundo moderno à esterilidade que &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/T._S._Eliot"&gt;T. S. Eliot&lt;/a&gt; lamuriou em sua obra "&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Waste_Land"&gt;Terra Desolada&lt;/a&gt;". Nesse poema, o autor faz alusões à tradição hindu - e vale lembrar que os hindus chamam nossa época de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kali_Yuga"&gt;Kali Yuga&lt;/a&gt; ou "Era de Ferro",  a era onde o homem cria &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chernobyl_disaster"&gt;chagas no planeta&lt;/a&gt; e faz a crosta terrestre &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Deepwater_Horizon_explosion"&gt;verter sangue negro&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podem deduzir, compartilho do pensamento daqueles que crêem ser importante ao homem atual revisitar as antigas lendas e tradições com um olhar moderno, para resgatar dessa riqueza simbólica o sentido de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3027976607589523423-585974393668136184?l=victor-lisboa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/585974393668136184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3027976607589523423/posts/default/585974393668136184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victor-lisboa.blogspot.com/2010/06/percival-e-amfortas.html' title='percival e amfortas'/><author><name>Victor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08951856061132905792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/__1x2IEYb768/S-xC8kKfkAI/AAAAAAAAAJw/onzuVKVPpvo/S220/imagemperfil.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3027976607589523423.post-2702597176635970</id><published>2010-06-26T10:57:00.000-07:00</published><updated>2010-06-28T08:47:06.576-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Sublime'/><title type='text'>sobre estradas e descaminhos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Todos os personagens e eventos abaixo são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas reais ou fatos é mera coincidência)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele desconfiava que não era muito certo da cabeça. Para os outros, isso não era um problema: eles tinham &lt;span style="font-style: italic;"&gt;certeza&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;de que ele não era muito certo da cabeça. Tal situação, contudo, não chegava a perturbar seu sono. Na verdade, após um período em que tentou pensar em si mesmo como uma pessoa certa na cabeça, ele desistiu e resolveu deixar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bem claro&lt;/span&gt; que havia abandonado para sempre essa tentativa - ou melhor, não que a havia abandonado, mas que fugia dela tal qual o diabo foge da cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo ficou evidente o que ele deveria fazer para estabelecer marcos muito claros em sua vida, além dos quais não deixaria passar aquela &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tentadora adaptabilidade&lt;/span&gt; à doença do mundo, à enfermidade que convertia homens e mulheres vivos em genuínos simulacros daqueles zumbis dos filmes de George Romero: seres tecnicamente mortos, mas que se moviam guiados pelas tantalizantes miragens de um cotidiano de desamor consensual, de medo e de autorecriminação. E o que ele deveria fazer não era nada difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, era ridicularmente fácil. Tudo o que precisava fazer era ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;totalmente&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;franco&lt;/span&gt; consigo próprio a cada segundo de sua vida, ter inclusive pela pior parte de si a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;compaixão&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;que as religiões tanto exigem que os fiéis tenham para com as outras pessoas e, por fim, não ceder àquilo que lhe cheirava a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;morte&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;da alma senão quando essa concessão fosse rigorosamente necessária para garantir certo conforto material (sim, meus amigos, pois ele podia ser um pouco doido, mas não era um burro absoluto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que, a partir daí, a barra começou a pesar. Antes, ele trilhava um caminho pavimentado e seguro, com o aval de todo o sistema rodoviário federal. Bastava ser um excelentíssimo juiz, um douto advogado tributarista, ou (usando seu talento para escrita e abstrações) um jurisconsulto especializado em hermenêutica jurídica bizantina; bastava constituir uma família sólida, bem abrigada no imóvel mais caro que poderia comprar com suas economias; bastava cercar-se de entes amados cuja sobrevivência ou saúde dependeria de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;seu sacrifício cotidiano&lt;/span&gt;; bastava fugir do tédio, do vazio que estaria em seus calcanhares todos os dias, utilizando uma das inúmeras formas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;entorpecimento&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;propiciados pela sociedade moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, porém, não havia mais caminho algum pavimentado, nem mesmo uma trilha &lt;span style="font-style: italic;"&gt;segura&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;que lhe agradasse. As trilhas propostas por ideologias, religiões, doutrinas e filosofias tinham um problema essencial: elas falavam à sua mente, mas não ao seu coração. Isso porque foram trilhas contruídas por pessoas para as quais faziam sentido apenas por decorrerem da vivência de seu próprio destino - pois uma trilha só fala ao coração do dono dos pés que a criaram. E antes que se perguntem que bobagem piegas é essa de "coração", deixo claro que ele chama assim aquele espaço dentro de nós em que, desnudos diante de nossa própria natureza, falamos francamente conosco, usando um tom de voz compassivo mesmo para dizer as mais &lt;span style="font-style: italic;"&gt;amargas e necessárias&lt;/span&gt; verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engulam vocês ou não tal definição, o fato é que a voz do coração de nosso amigo jamais lhe disse para seguir alguma dessas outras trilhas. Ao contrário, essa voz até mesmo sussurrou que todos os caminhos e trilhas estão entrelaçados e, embora formem um desenho intrincado e sublime, não levavam a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lugar algum&lt;/span&gt;. Que esses caminhos apenas serviam para aquelas crianças inseguras, temerosas de dar seus primeiros passos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sozinhas&lt;/span&gt;. Que o objetivo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o grande barato&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;da vida, era dar um passo para o lado, para fora do caminho no qual se está e começar a andar livremente, guiado pela curiosidade e pelo impulso criador desamarrado de qualquer doutrina. Que seria possível até aprender com um ou outro dos criadores dessas trilhas antigas, mas apenas para acompanhar seu trajeto por pouco tempo, até retomar seus próprios passos guiados pela &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vontade de viver e criar&lt;/span&gt;. Que, enfim, somente andando segundo o capricho de seus próprios pés ele poderia apreciar a verdadeira beleza do desenho geométrico composto pelos passos de todos aqueles com os quais cruzaria durante sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como bem podemos deduzir, foi quando ele ouviu esse sussurro que percebeu tratar-se de uma voz &lt;span style="font-style: italic;"&gt;filha duma puta&lt;/span&gt;. Pior ainda, notou não haver louvor ou bravura épica no seu ato de sair do caminho pavimentado, pois tal ousadia era, na verdade, resultado de uma grande estupidez. Afinal, só um idiota não percebe que a liberdade real em que vivemos é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aterradora&lt;/span&gt;, sendo muito mais seguro simplesmente esquecê-la e deixar-se levar pelo fluxo automático do tráfego na estrada pavimentada. É bem desconfortável se dar conta de que não há bengala capaz de firmar seus passos, não há caminho especial para você seguir e que, se você quiser sair correndo agora mesmo ou simplesmente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;parar de caminhar&lt;/span&gt; para sentar-se no chão, tanto faz (notem que nem mencionei os malucos que dizem que, ao sentar-se no chão, você descobrirá que nunca houve chão algum debaixo de seus pés!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, logo ele encontrou outros idiotas pelo caminho, gente como ele que ensaiava passos para fora de qualquer caminho. Aliás, é incrível como esse bando de estúpidos costumam dar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;trombadas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;uns com uns outros por mero acaso. Seja no trabalho, na vizinhança, na internet ou na faculdade, ele sempre teve o azar (ou a sorte) de compartilhar idiotices com outros idiotas, e ter, às vezes, a impressão de que lhe diziam: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;é isso aí cara, você não é o único a querer dar uma banda para fora dessas estradas&lt;/span&gt;". Ele percebia que todos, como ele, estavam meio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;encagaçados&lt;/span&gt; com a liberdade diante de seus olhos, mas ao mesmo tempo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;entusiasmados&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;com a perspectiva de obedecerem apenas ao impulso de suas próprias pernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, ao lado desses outros idiotas, havia os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;inteligentes&lt;/span&gt;. Eram pessoas espertas que, guiadas por seu atruísmo, sempre tentavam chamar-lhe à razão, convidando-o a retornar à rodovia federal pavimentada. Muitos deles se aborreciam diante do fato de que alguém tão promissor abandonasse os planos de ser jurisconsulto, principalmente após ele ter demonstrado, com o seu desempenho no primeiro concurso que fizera para juiz, o quão facilmente poderia chegar a esse posto em uma segunda tentativa. Na sua perspectiva de gente inteligente, eles consideravam até mesmo afrontoso que alguém com chances &lt;span style="font-style: italic;"&gt;reais&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;de chegar a esse cargo simplesmente largasse tudo para... escrever um romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, enfim chegamos ao livro! Esse foi o mais induvidoso sinal de que ele possuía um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;parafuso a menos&lt;/span&gt;, de que era um ingênuo idealista, como já evidenciava o fato de ter oculto seu rosto simpático por trás de uma barba e de um cabelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;riponga-style &lt;/span&gt;horrível. Porém, os inteligentes da estrada pavimentada toleravam com benevolência e irônico silêncio sua notícia a respeito de escrever o livro e deixar o cabelo crescer. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Caprichos cômicos de quem não quer seguir a vida adulta&lt;/span&gt;", diziam, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mas ele é inofensivo para si mesmo e, pelo menos, não descuida de seus deveres familiares e profissionais - e não podemos esquecer o quão excelente é seu trabalho!&lt;/span&gt;". Porém, o problema é que ninguém esperava que, durante o processo da escrita, algo acontecesse. Mas aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não sabia definir a natureza do evento, mas não tinha dúvidas de que algo sem dúvida aconteceu. Conseguia até mesmo dizer o dia e a hora em que outro dos parafusos de sua cabeça começou a afrouxar. Lembra nitidamente de um instante no qual conseguiu sentir com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;todas as fibras&lt;/span&gt; de seu corpo o quão livre realmente estava: naquele momento, cheio de uma felicidade e de um amor gratuito por tudo a seu redor, ele riu de deslumbramento. Até mesmo sua companheira, em geral cética e objetiva, disse-lhe reiteradas vezes que, "naquele dia, você estava iluminado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, naquele dia em que um parafuso a mais se afrouxou e sua companheira sentiu-o cheio de uma luz simbólica, ele deu mais um passo para fora da estrada pavimentada. E esse passo foi motivado por uma resolução corajosa: a partir de então, ele comprometeu-se a tentar reaproximar-se o máximo que pudesse, até o fim da sua vida, daquela percepção total da liberdade humana. Não só porque a liberdade era um valor em si mesma, mas porque todos os outros valores, todas as outras coisas que nos tocam sem que sejamos livres tornam-se &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;grilhões&lt;/span&gt; de um sonambulismo que nos impede de viver com olhos abertos (ei, não sou eu que estou dizendo tais co
